terça-feira, agosto 30, 2011

Restaurante Quiosque Philosofy começa a abrir à noite para serviço de jantar





Um dos únicos restaurantes de comida natural e orgânica do Vale do Paraíba, o Quiosque Philosofy começa, a partir de amanhã, 31/08, a abrir à noite para serviço de jantar. No menu do head chef Alê Zanella estão entradas, pratos e sobremesas e também as exclusivas pizzas individuais orgânicas e integrais, além de uma carta de vinhos orgânicos para acompanhar.

O Quiosque Philosofy abriu suas portas no final de fevereiro de 2009 e desde então já virou ponto de encontro no Vale para aqueles que apreciam uma gastronomia diferenciada, com produtos orgânicos e naturais, e ao mesmo tempo prática. Há alguns meses o restaurante também está oferecendo serviço de quentinhas, que são entregues mediante reserva e pedido por telefone.





O Quiosque Philosofy apresenta uma nova filosofia de alimentação. Para tal, utiliza ingredientes orgânicos e sustentáveis, produtos conscientes da importância de gerar um novo movimento no sistema de produção de alimentos que atingem as pequenas comunidades, valorizando o ser como um todo e recolocando–o num contexto social ativo.

Horários de funcionamento:

Almoço - 3ªf a sábado - 11:30h às 15:30h

Jantar - 4ªf a sábado - 19:30h às 23:30h

Rua Fagundes Varela, 141 Jd. Maringá
São José dos Campos-SP
Tel.: (12) 3322 4692

Acompanhe as novidades do Philosofy e veja o menu da semana se tornando um amigo do restaurante no Facebookwww.facebook.com/quiosquephilosofy

Mais informações para a imprensa:
Jaqueline B. Ramos - Ambiente-se Comunicação Socioambiental
Tels.: (12) 3923 4005, (12) 8134 5465, (11) 7749 5320
jaqueline@ambientese.com / ambientese@ambientese.com

sexta-feira, agosto 19, 2011

Cursos de Bem-Estar e Comportamento Animal da Universidade de Cambridge (UK)

O Instituto de Ensino à Distância da Universidade de Cambridge, Inglaterra (Cambridge E-learning Institute - CEI) tem uma representação no Brasil e oferece há alguns anos cursos para estudantes e profissionais interessados na área de bem-estar e comportamento animal.

Está previsto para iniciar em setembro mais uma Curso on line de Bem-Estar Animal do CEI Brasil e as inscrições para o primeiro módulo - Conceitos gerais de bem-estar animal - estão abertas até o dia 28 de agosto. O curso tem um total de 8 módulos e os participantes que completarem todas as atividades recebem um certificado da renomada universidade britânica.

Mais informações sobre os cursos on line e inscrições no site do CEI Brasil - www.ceibrasil.info.

Curso presencial em São Paulo: Uma das tutoras do CEI Brasil, a bióloga portuguesa Anabela Pinto, PhD em Biologia Comportamental e professora em Cambridge, estará coincidentemente no Brasil nos meses de setembro e outubro e ministrará um curso presencial de Introdução ao Comportamento Animal
na cidade de São Paulo nos dias 30/09, 01 e 02/10.

Mais informações também no site do CEI Brasil ou pelos e-mails cursos@ceibrasil.info e info@livetag.com ou telefone 11-99067258.

A AMBIENTE-SE COMUNICAÇÃO SOCIOAMBIENTAL apóia o CEI BRASIL!

quinta-feira, agosto 11, 2011

Terapias naturais para seu amigo bicho


Por Jaqueline B. Ramos*


Há aqueles que não acreditam, e só tratam de problemas de saúde com medicina alopática. Em compensação, é cada vez maior o número de pessoas que faz a opção pelas chamadas terapias complementares (também conhecidas como alternativas) e vão além: não abrem mão de fazer uso de uma linha de tratamento mais natural também com seus animais de companhia. Para a sorte deles, pois os resultados alcançados são bem satisfatórios.


Entre as terapias complementares mais conhecidas estão a homeopatia, a acupuntura e a terapia de florais – as duas primeiras, inclusive, já sendo reconhecidas oficialmente e consideradas especialidades veterinárias pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária. Mas animais também podem ser tratados com fitoterapia, reiki, cromoterapia e até quiropraxia e o número de veterinários que se dedicam a estudar a aplicar estas técnicas é (felizmente) crescente.


“A grande vantagem e o diferencial, principalmente da homeopatia, é a individualização do paciente. Ninguém é igual a ninguém. Todos os animais são completamente diferentes um do outro, na forma de adoecer, nos sentimentos e nas emoções. Diferentemente da medicina tradicional, que foca a doença e não considera o indivíduo como um todo, estas terapias consideram, principalmente, o plano emocional”, explica Marcos Eduardo Fernandes, médico veterinário especialista em homeopatia há 11 anos que atende cães, gatos e aves ornamentais. “Portanto, animais com a mesma doença não necessariamente serão tratados com o mesmo medicamento.”


Segundo o veterinário, há vários trabalhos científicos e pesquisas acadêmicas que já validam a homeopatia e outras terapias complementares. E dependendo do paciente, da doença e até do proprietário, estas terapias podem ser a principal base de um tratamento, inclusive de doenças mais complexas, como o câncer, ou estarem associadas com outros tratamentos, atenuando efeitos colaterais e promovendo uma melhor qualidade de vida ao paciente.


“O quanto antes a homeopatia for utilizada, melhor. Sua ação na energia vital é rápida, mais os efeitos no organismo podem demorar um pouco a aparecer”, ressalta Marcos Eduardo. “Se as terapias complementares fossem usadas preventivamente, não teríamos doentes ou se os tivéssemos eles se curariam rapidamente e não teríamos doenças crônicas”, aponta a veterinária Eunice Parodi, que atende cães e gatos e trabalha há 25 anos com homeopatia, há 12 com florais e há um ano com acupuntura.


Dra. Eunice explica que quando a doença já se instalou, fazer o uso destas terapias permite que o organismo doente se recupere mais rapidamente sem efeitos colaterais. “Gatos em abrigos que adquirem rinotraqueite, por exemplo, que é uma espécie de gripe felina que pode se tornar uma epidemia em ambientes com muitos animais, podem ser tratados continuamente com florais e homeopatia. Eles irão aumentar a resistência dos gatos ao trabalhar o medo e a depressão, que são sintomas que podem causar a queda da imunidade. É possível agir tanto na prevenção como no controle de uma possível epidemia ao primeiro sinal da doença”, conta.


Mas segundo a veterinária, o mais impressionante em animais tratados com terapias complementares é diferença de vitalidade para aqueles tratados somente com alopatia. No animal percebe-se nitidamente que eles recuperam a alegria de viver e voltam a correr e brincar como quando eram filhotes.


“Muito do sucesso das terapias complementares se deve à maneira como vemos o paciente. Ele deve ser avaliado como um todo, associado ao ambiente em que vive, alimentos que ingere e relação com seus cuidadores”, lembra Dra. Eunice. “Cada consulta dura por volta de uma hora e já começa na sala de espera. A maneira como o animal se comporta e como seu cuidador o conduz já nos dá importantes informações. Nossa atuação se assemelha ao médico da família, pois acabamos sabendo de minúcias sobre a vida do paciente e de todos que o rodeiam”, conclui.


Casos de sucesso

Quando são perguntados sobre exemplos de casos de animais tratados com sucesso com terapias complementares, médicos veterinários simpatizantes e adeptos são unânimes em afirmar que há inúmeras histórias de sucesso, com diferentes tipos de sintomas e doenças, indo de desvios de comportamento até tratamentos de câncer e doenças crônicas.


Além dos médicos veterinários, os mais entusiasmados em contar o sucesso do tratamento de seus animais com as terapias complementares são seus cuidadores. “Xuxa se trata com homeopatia desde os dois meses de idade, quando a peguei na rua. E também faz tratamentos com florais e acupuntura. Quando foi necessário ela tomou medicamentos alopáticos, mas foram pouquíssimas vezes”, relata a jornalista Regina Macedo sobre sua cadela de 16 anos. “E também costumo dizer que com os animais tem uma vantagem insuperável: eles não têm os freios emocionais e intelectuais dos humanos. Não ficam pensando ‘ será que essas gotas vão dar certo?’. Portanto, o efeito neles é fenomenal.”


Para Dunga, um gato SRD também adotado depois de ser resgatado na rua, dois problemas de saúde delicados foram controlados com homeopatia e hoje, prestes a completar 11 anos, ele está muito bem, obrigado. Quem conta é sua dona, a empresária Márcia Barros. “Quando ele era mais novo começou a ter uns problemas de pele e precisou até tomar antibiótico. Mas depois que as lesões mais graves foram curadas, o próprio veterinário conversou com um colega especialista e este prescreveu um tratamento de homeopatia para prevenir que o problema voltasse a acontecer. Ele fez o tratamento e nunca mais teve nada”.


E a “gateira” acrescenta: “Agora mais recentemente, depois do nascimento da minha filha, provavelmente por ciúme ele apresentou uma queda na taxa das células de defesa do organismo que não foi contida com medicamentos alopáticos. O veterinário então optou por um tratamento continuo com homeopatia, que é o que está controlando a taxa num nível seguro para não comprometer sua saúde. Eu sempre gostei de homeopatia e o fato de dar certo com o meu gato só reforça a minha ideia”.


Outra história também muito interessante é a do labrador Ludwig, hoje com 4 anos, que quando tinha de 2 para 3 anos apresentou os primeiros nódulos que diagnosticaram um câncer de pele. Vinte e cinco dias após a cirurgia para retirada de um tumor, ele apresentou metástase. Seu dono, o engenheiro Kleber Hashimoto, fez a opção por um tratamento natural, pois não queria submetê-lo a quimioterapia. Foi então iniciado um tratamento com um medicamento muito utilizado pela antroposofia para câncer associado com medicamentos homeopáticos, florais e uma dieta de desintoxicação caseira. O tratamento durou três meses, a metástase foi controlada e ele recebeu alta.


“Fiz questão de seguir o tratamento rigorosamente e a base de sua alimentação neste período foi arroz integral com legumes e frutas. Além, é claro, da cura do câncer, o que mais me chamou a atenção é que ele mudou da água para o vinho. Hoje ele é um cachorro alegre e muito mais bem disposto. Ele está muito bem fisicamente e também está muito feliz”, ressalta Kleber, que até hoje inclui o arroz integral na alimentação de Ludwig, alternando com ração.


Silvestres e homeopatia


Casos de sucesso não se restringem somente aos consultórios que atendem pets. Médicos veterinários de animais silvestres também aplicam as terapias complementares em seus pacientes e alcançam resultados muito satisfatórios. Um exemplo é o caso relatado pela médica veterinária Pollyana Pires, do Santuário dos Grandes Primatas de Sorocaba, afiliado ao Great Ape Project / Projeto GAP.

Segundo Pollyana, em geral, quando possuem algo que está fora do normal, animais silvestres podem apresentar comportamento estereotipado e criar algumas manias. A própria adaptação ao cativeiro já é uma situação anormal para eles, que fica agravada quando o cativeiro não tem condições adequadas. Nos grandes primatas, especificamente com chimpanzés, há muitos casos de automutilação arrancando os pêlos.

“Como aqui no santuário recebemos chimpanzés que viveram por muitos anos em ambientes péssimos, temos alguns animais que são conturbados mentalmente e que arrancam seus pêlos. Um dos casos que tratei com a homeopatia foi o de Charles, um chimpanzé macho de 26 anos que viveu por muitos anos em zoológico. Infelizmente ele vive sozinho, pois agride outros chimpanzés, e acaba arrancando os próprios pêlos dos membros anteriores, o que resultou em grandes ferimentos superficiais”, conta Dra. Pollyana. “Mas em 21 dias de um tratamento com homeopatia, a maior ferida estava cicatrizada e a outra em processo de cicatrização. Ele ficou muito bem e mais calmo e o comportamento estereotipado sumiu. Em 45 dias não havia mais feridas.”

*Matéria publicada na edição 58 (agosto 2011) da Revista dos Vegetarianos

segunda-feira, julho 11, 2011

Algas, um alimento rico em minerais


Por Jaqueline B. Ramos*

Entre as boas influências do mundo oriental, uma pode – e deve – ser literalmente colocada à mesa. O uso de algas, ou plantas marinhas, na alimentação é uma tradição milenar comum do outro lado do mundo, principalmente entre os japoneses. Mas para muitos no ocidente, o seu consumo se restringe apenas a sushis (enrolados de arroz com algas, que têm versões sem peixe), quando na verdade existem vários tipos de algas comestíveis que podem ser preparadas das mais diversas formas, combinando ótimo valor nutricional com um sabor único.

“As algas são ótimos alimentos e deveríamos ter mais o hábito de as usarmos em nossa dieta no dia a dia. A principal característica de seu valor nutricional é a quantidade de iodo que oferecem. Por isso são indicadas para correção de quantidade desse mineral na alimentação, pois a sua falta pode causar hipotireoidismo, uma deficiência da glândula tireóide que mexe com o funcionamento de todo o organismo”, explica a nutricionista Paula Gandin, membro da Diretoria do Centro Brasileiro de Nutrição Funcional (CBNF) e Conselheira da Sociedade Vegetariana Brasileira.

Além de serem ótimas fontes de iodo, as algas são pouco calóricas e fornecem boas quantidades de fibras e minerais como cálcio, potássio, magnésio, ferro, zinco e cobre. A nutricionista também ressalta que elas contêm fitoquímicos como os carotenóides, que auxiliam no combate aos radicais livres. Ou seja, as algas também são grandes aliadas no combate ao envelhecimento precoce. Estudos recentes também mostram que a suplementação com óleo feito a partir das algas pode auxiliar no aumento do nível de ômega 3 em vegetarianos.

“Existe uma grande variedade de tipos de algas e em termos nutricionais elas são bem similares, se diferenciando apenas em termos de micronutrientes”, aponta Gandin. “Para os vegetarianos as algas podem ser usadas de diversas formas e eu destaco sempre a ágar-ágar, que é um pó obtido a partir de folhas desidratadas que substituem muito bem as gelatinas de origem animal.”

Os diversos tipos de algas: Para os vegetarianos, as algas podem ser usadas de diversas formas, seja para preparação de gelatinas mais naturais como para a preparação de sushis sem peixe ou frutos do mar, levando só vegetais. A alga usada no sushi, e provavelmente a mais conhecida, é a nori, que também pode ser utilizada em receitas de sopas ou em pedaços nas saladas (veja mais dicas de preparação e algumas receitas no boxe).

No mundo existem mais de dez mil variedades de algas, que crescem nas águas salgadas de mares e oceanos, e muitas delas são comestíveis. A que apresenta a maior concentração de iodo é a kombu (70mg/100g), seguida pela alga dulse (10,2mg/100g), wakame (3,9mg/100g) e nori (1,3mg/100g).

A kombu é comercializada desidratada, como a maioria das algas que são encontradas em lojas de produtos naturais e supermercados, e tem o aspecto de uma folha final de papel. Por ter um sabor forte, cai muito bem em receitas de caldos e sopas. A dulse tem uma cor marrom-avermelhada e é considerada uma iguaria na culinária gourmet, além de também ser usada na fabricação de cosméticos devido ao seu alto valor nutritivo. Na culinária pode ser usada em sopas e também na forma de salada.

A wakame é uma alga verde e de sabor adocicado, que pode ser incorporada em receitas de sopas e ensopados. E a famosa nori, ou lava, usada comumente para enrolar sushis, também pode ser incorporada a receitas de ensopados e é vendida no formato de folhas finas ou em flocos. Outras algas comestíveis mais usadas são a hijiki, que tem aparência semelhante a pequenas raminhas e é ideal para receitas de risotos, as algas verdes, como a ‘alface do mar’ e o ‘musgo da Irlanda’, que podem ser consumidas cruas em saladas ou cozidas em sopas, e o ‘espaguete do mar’, que pode ser cozido como um espaguete e usado em pratos similares.

“A oferta dos nutrientes encontrados nos vários tipos de algas possui inúmeros benefícios. Entre eles podemos destacar a modulação do metabolismo hormonal, atividade antioxidante, eliminação de toxinas, estimulação do sistema imune e redução de agregação plaquetária e pressão sanguínea”, destaca Gandin.

A única questão em relação ao consumo de algas, segundo a nutricionista, é procurar se informar e não exagerar na ingestão daquelas que tem alto teor de iodo, pois o excesso do mineral também pode ser maléfico ao organismo e interferir, negativamente inclusive, na funcionamento da tireóide. “A inclusão de algas na dieta deve ser feita de forma gradativa e, no caso de dúvidas, sempre é bom procurar a orientação de um especialista. O segredo é aprender o preparo mais adequado de cada tipo e ir variando seu uso como mais um ingrediente entre as receitas”, conclui Gandin.

Dicas de preparo e receitas

Enio N. Kato, proprietário do Melinda e Julius, restaurante macrobiótico e vegetariano de São Paulo, dá algumas dicas de preparo e receitas simples que usam as algas como um dos ingredientes. Confira!

GELATINA DE UVA

Ingredientes

10g de alga ágar-ágar em pó

2 xícaras de água

2 xícaras de suco de uva orgânico sem açúcar

Modo de preparo

Dissolver o ágar-ágar em 2 xícaras de água e colocar no fogo. Quando ferver, abaixar o fogo e mexer bem por 3 minutos. Desligar o fogo, esperar esfriar um pouco e misturar com 2 xícaras de suco de uva. Colocar em forma molhada até esfriar. Não precisa ir à geladeira.

FEIJÃO AZUKI COM KOMBU

Ingredientes

1 xícara de feijão azuki

1 pitada de sal

5 x 10 cm de alga kombu (não precisa hidratar antes)

Modo de preparo

Cozinhar todos os ingredientes juntos por 50 minutos na panela de pressão.

ALGA NORI

A nori pode ser adicionada a qualquer prato, tanto na hora de servir como durante o cozimento, não necessitando qualquer preparo anterior. Quando for fazer qualquer prato cozido ou refogado, acrescentar uma folha de alga nori durante o preparo, ou como finalização.

Serviço:

Paula Gandin, nutricionista – nutri@paulagandin.com.br - Tels: (11) 3051 7338, 9626 7584

Restaurante Melinda e Julius – melindaejulius@gmail.com - Rua Dom Armando Lombardi, 511/Caxingui/SP - Tel.: (11) 3722-2553

*Publicada na Revista dos Vegetarianos n.57 (julho 2011). Errata: a matéria na revista impressa saiu com crédito errado.

sábado, junho 25, 2011

Dicas socioambientais para o dia-a-dia

  • Evite o uso do carro em trajetos que podem ser feitos a pé ou de bicicleta ou em transporte público. Otimize o uso do carro transportando mais pessoas além do motorista e mantenha a manutenção do veículo em dia, para que ele emita menos gases poluidores.
  • Se planeje para diminuir a quantidade de lixo gerada em casa e use bolsas ecológicas em suas compras, para evitar o aumento do volume de sacolas plásticas descartadas. Para tal, a melhor dica é seguir os 5Rs na rotina de consumo – reflita (se você precisa realmente fazer a compra), recuse (embalagens desnecessárias, por exemplo), reduza, reutilize e recicle (coleta seletiva).
  • Coma menos carne (ou corte de vez a carne da dieta). A pecuária industrial é um dos maiores emissores de gás carbônico, um dos gases cujo grande concentração resulta no aquecimento global. Dê preferência, na medida do possível, à produção orgânica e local, que são mais sustentáveis. E planeje suas compras, para eliminar o desperdício de alimentos.
  • Economize energia usando aparelhos mais modernos e não deixando luzes e aparelhos ligados sem necessidade. Uma boa dica é trocar lâmpadas comuns por fluorescentes, que são bem mais econômicas. Investir em energia solar para aquecimento de água também é um investimento que se paga, tanto financeira como ambientalmente.
  • Água tratada é um bem valiosíssimo e, como qualquer recurso hídrico, não deve ser desperdiçada. Conserte vazamentos, não deixe torneiras e chuveiros abertos à toa e reutilize água sempre que possível (da máquina de lavar para limpeza do quintal, por exemplo). O sistema de descarga – que na maioria das residências brasileiras usa água potável – também pode ser mudado.
  • E, por fim, respeite tudo e todos, pessoas, culturas, animais, natureza etc. Este é o princípio básico de um cidadão que tem responsabilidade socioambiental.

Ambiente-se Comunicação Socioambiental

quarta-feira, junho 22, 2011

Valorização do patrimônio cultural das comunidades para o exercício da cidadania é foco de oficina em São José dos Campos

Conscientizar para a cidadania, transformar comportamentos, trabalhar para o amadurecimento do individuo e ampliar seu papel na comunidade através da cultura. Em linhas gerais esta é a proposta do evento Oficina de Lideranças, que será realizado pelo CECP Centro de Estudos da Cultura Popular em parceria com a empresa Signi – Estratégias para Sustentabilidade em São José dos Campos entre os dias 29 de junho e 1° de julho.

A oficina é aberta a líderes comunitários, integrantes de entidades do Terceiro Setor, estudantes da área social e pessoas em geral interessadas no tema, e as atividades serão realizadas no período da noite em três locais diferentes (programação abaixo).

A proposta do CECP e da Signi dá continuidade a uma primeira oficina realizada com lideranças comunitárias da zona lesta da cidade em 2009 e também complementa o trabalho de reformulação do Conselho de Públicos da região, que vem atuando com novos representantes e metodologia há dois anos. O objetivo desta oficina é garantir a continuidade do processo de formação dessas lideranças, contribuindo para o fortalecimento de ações com vistas à transformação social e ao exercício da cidadania, tendo a valorização do patrimônio cultural e os saberes da comunidade como as principais ferramentas.

Segundo a Cientista Social Angela Savastano, diretora de projetos do CECP, “A ferramenta da cultura está sempre disponível, pois é intrínseca ao homem. Se esta cultura está inconsciente ou fragilizada, ela ainda pode ser re-valorizada, através da ação educativa.”

Atividades e Guia da Cidadania: A Oficina de Lideranças tem uma programação bem dinâmica que inclui no último dia uma visita guiada pelo Museu do Folclore de São José dos Campos. O museu é um dos principais projetos do CECP junto com a Fundação Cultural Cassiano Ricardo e tem como função identificar e registrar traços da cultura popular local e usá-los como elementos importantes para a educação e o incentivo ao exercício da cidadania.

No primeiro dia os participantes terão a chance de participar de uma atividade mais lúdica conduzida por Bruno Decaria, psicólogo do CRAS – Centro de Referência a Assistência Social, da Prefeitura. O psicólogo pretende levar os líderes a perceber a importância do trabalho grupal dentro da comunidade através da estimulação da autoconfiança de cada um na realização de tarefas idealizadas. A ideia é abordar as barreiras psicológicas que podem comprometer o trabalho de liderança.

Outra atividade diferenciada será uma palestra da ex-gari Rozeli da Silva, que criou em 1996 na cidade de Porto Alegre a ONG Renascer da Esperança. Rozeli vai relatar sua experiência para mostrar como conseguiu colocar em prática a ideia de criar uma instituição para atender crianças – hoje são mais de 300 - em situação de vulnerabilidade.

Além da oportunidade de participar das atividades, os participantes da oficina receberão a primeira edição de um Guia de Cidadania de São José dos Campos, focado nas atividades e serviços prestados pelo governo local. A ideia é esclarecer o papel da Prefeitura e de outros órgãos do poder público municipal para que o leitor entenda melhor o seu papel e deveres como cidadão e possa defender mais efetivamente seus direitos. Uma próxima edição do guia, prevista para 2012, pretende abordar as atividades do terceiro setor.

Inscrições: A Oficina de Lideranças é uma realização do CECP em parceria com a empresa Signi – Estratégias para Sustentabilidade e com o apoio do Senac, Rede Social de São José dos Campos, Guarda Municipal, Fundação Cultural Cassiano Ricardo, Centro de Referência a Assistência Social e Ambiente-se Comunicação Socioambiental. O patrocínio é da Petrobras.

Os interessados em participar podem se inscrever até o dia 24 de junho, através do email comunidade.sjc@signi.com.br ou pelo telefone (12) 3307-2707. As inscrições são gratuitas e a oficina terá 120 vagas.

Programação da Oficina:

29/06 (quarta)

Mediador: Bruno Decaria, psicólogo do CRAS – Centro de Referência a Assistência Social

Horário: 19h00

Local: CEPE – Clube dos Empregados Petrobras – Rod Pres. Dutra , Km 145

30/06 (quinta)

Mediadora: Rozeli da Silva, presidente da ONG Renascer da Esperança

Horário: 18h30

Local: Senac – Rua Saigiro Nakamura, 400 - Vila Industrial

1º/07 (sexta)

Mediadora: Angela Savastano, diretora de projetos do CECP. Visita ao Museu do Folclore

Horário: 18h30

Local: Museu do Folclore - Av. Olivo Gomes 100 - Vl Rossi (Parque da Cidade)

Mais informações para a imprensa:

Ambiente-se Comunicação Socioambiental – ambientese@ambientese.com

Tel.: (12) 3307 7004

Jaqueline B. Ramos – (12) 8134 5465 e Patrícia Lombardi – (12) 8117 5483

A Ambiente-se apoia a Oficina de Lideranças!

sexta-feira, fevereiro 25, 2011

Silvestre não é pet


por Jaqueline B. Ramos*


Todo mundo sabe que animal silvestre não é bicho de estimação, que nasceu para viver na natureza, no seu habitat, e não dentro da casa de pessoas como artigo de colecionador, peça de decoração ou brinquedo diferente para as crianças. Infelizmente esta afirmação não é tão óbvia quanto imaginamos e atualmente ainda existem pessoas que compram aves, pequenos primatas, felinos, répteis, entre outros animais, com a rotulagem de “bichos exóticos” e os levam para casa, esperando que eles se comportem como cães ou gatos, ou seja, como um animal de companhia, ou estimação (pet).

A principal e mais grave questão levantada com esta prática é o total comprometimento da saúde e da qualidade de vida do animal selvagem dentro de uma casa ou apartamento, resultando em graves seqüelas físicas e emocionais (doenças, comportamento anormal, estresse e, em alguns casos, até depressão). A criação destes animais sem a devida informação especializada é sinônimo de problemas sérios para os bichos, pois, além de estarem fora de seu habitat natural (de onde não deveriam ter sido removidos), podem não ter todas as suas necessidades atendidas. Sem contar o fator perigo para homens e animais, por conta da possibilidade de transmissão de doenças ou de possíveis acidentes causados num ato normal de selvageria do animal.

Os animais silvestres não passaram pelo processo de domesticação de gatos e cachorros para se adaptarem ao “estilo de vida humanizado”. E nem deverão passar, pois eles mantêm seu comportamento natural para o qual evoluíram milhares de anos. Qualquer ambiente diferente ao natural significa perda de enraizamento e referência, desequilíbrio fisiológico, indução de estresse e má qualidade de vida.

“O homem levou cerca de 10 mil anos para domesticar cachorros e cinco mil anos para os gatos e hoje estes são classificados como animais de companhia devido a este histórico de compatibilidade com o meio ambiente do homem. Mas mesmo assim muitos cachorros e gatos ainda enfrentam problemas de bem-estar devido à falta de informação por parte de seus donos em relação às demandas e características de seu comportamento e fisiologia”, explica a Dra. Anabela Pinto, professora de ética e bem-estar animal da Universidade de Cambridge, Inglaterra. “Imagina agora o que é tentar criar um animal silvestre como pet?”.

Segundo a professora, outro problema atrelado à prática de se ter um animal silvestre como pet é o seu abandono. Depois que a pessoa se dá conta que é impossível (e até perigoso) conviver com um silvestre, é comum prendê-lo numa gaiola ou até abandoná-lo na rua, sem qualquer cuidado ou critério. E se a pessoa é um pouco mais consciente e procura os órgãos oficiais para doar o animal, se dá conta que não há abrigos ou santuários suficientes para cuidar desses animais, que, na maior parte das vezes, não têm mais condições de serem devolvidos à natureza e ficam condenados à vida em cativeiro.

Outra questão atrelada à “mania” de se ter um bicho exótico como pet é o fato de que a captura ilegal da natureza já é apontada como uma das principais causas da ameaça de extinção enfrentada por algumas espécies brasileiras. É o caso, por exemplo, da ararajuba (ave) e do sagüi-de-duas-cores (primata), animais da Amazônia classificados como ameaçados e comumente comercializados de forma ilegal.

A problemática do tráfico de animais

Além de todos os problemas já destacados e entrando no campo da criminalidade, o comércio de animais silvestres também tem ligação direta com um problema muito sério: o tráfico. A legislação brasileira hoje permite a criação comercial de algumas espécies de primatas, répteis e aves, que são “marcados” com anilhas e possuem toda a documentação para controle de sua origem legal (nascimento em cativeiro). Mas isso é muito bonito na teoria, porque na prática grande parte dos criadouros comerciais funciona como fachada para o esquema do tráfico, que retira sem dó nem piedade os animais da natureza. Dados da Polícia Federal demonstram que cerca de 80% dos criadouros comerciais são parceiros de quadrilhas de traficantes de animais.

“Nem sempre a pessoa que adquire um animal silvestre dentro de um criadouro ou pet shop vai ter 100% de garantia que esse animal tem uma procedência legal. O traficante pega os animais na natureza, os introduz nos criadouros, eles ganham nota fiscal e marcação falsas e são colocados no mercado”, conta Carlos Eduardo Tavares da Costa, agente de Polícia Federal que trabalha com a repressão de crimes ambientais no estado de Santa Catarina.

Segundo o policial, para resolver este problema é preciso muito investimento em educação, para que as pessoas não alimentem o mercado comprando animais silvestres, e na parte administrativa, para a fiscalização ser mais rigorosa. “Isso para não chegar na outra ponta, na parte criminal, que é onde atuamos. Nesta fase os animais já estão sofrendo e na maior parte das vezes não há abrigos suficientes para alocá-los ou recursos para programas de reintrodução na natureza”, ressalta Carlos Eduardo.

O tráfico de animais silvestres é o terceiro em movimentação de dinheiro no mundo, atrás somente do de drogas e armas. E o Brasil, país detentor de uma das maiores biodiversidades do planeta, infelizmente tem um papel de destaque neste mercado. Estima-se que o país é responsável por cerca de 15% do mercado ilegal de animais silvestres no mundo, tendo 400 quadrilhas organizadas realizando a captura e tráfico - sendo que 40% possuiriam ligações com outras atividades ilegais.

Devido à falta de informação e maiores esclarecimentos, algumas pessoas acabam adquirindo animais silvestres no impulso de ter um “bicho diferente em casa”, achando, erroneamente, que eles se comportarão como gatos ou cachorros. E também não se dão conta que este consumo sustenta toda uma rede de ilegalidade e puxa uma série de problemas ecológicos e ambientais.

Pássaros nasceram para voar, macacos vivem nos galhos das árvores e felinos percorrem dezenas de quilômetros por dia. “Para um animal silvestre, a vida em cativeiro, por mais confortável que pareça, é a negação de toda a sua natureza. As adaptações pelas quais eles passaram por milhares de anos permitem que eles vivam nas condições ecológicas do ambiente em que se inserem. Tirar o animal desse ambiente é sinônimo de indução de sofrimento”, conclui Dra. Anabela.

Lista oficial de pets exóticos – bom ou ruim?

A atividade comercial de animais silvestres no Brasil é legalizada. O Código de Fauna (Lei 5197/67) permite a criação de animais silvestres e cria a figura de criadouro registrado. A Lei de Crimes Ambientais (9605/98) criminaliza a venda, a compra e a posse de animais silvestres sem autorização. O resultado disso é a oferta aberta de venda de diversos animais das mais variadas formas, estando tudo dentro da lei.

Mais recentemente, em 2007, o Ministério do Meio Ambiente baixou a resolução Conama 394, que estabelece os critérios para a determinação de espécies silvestres a serem criadas e comercializadas como animais de estimação. A intenção da resolução é atualizar a lei para o mercado de pets, estabelecendo critérios específicos e eliminando brechas decorrentes de seu conteúdo genérico atual.

Para colocar em prática a resolução, o Ibama preparou uma proposta de lista que restringe o número de espécies que poderiam ser comercializadas – se chegou a cerca de 30 animais, entre aves e répteis. Mas pressões financeiras e políticas estão dificultando o processo e a listagem ainda não foi colocada em prática.

Na época do lançamento da lista se discutiu bastante o quanto valeria a pena regulamentar o comércio de silvestres criando uma listagem, quando o ideal é não ter a comercialização dos animais. Tudo isso foi questionado inclusive dentro do próprio Ibama.

“O comércio de animais silvestres não tem se mostrado como uma solução para o tráfico. Pelo contrário, muitas vezes os criadouros e comerciantes podem servir de fachada para a atividade ilegal, ou são seus principais fomentadores”, explica Vincent Kurt Lo, do Ibama SP. “Além disso, enfrentamos problemas de controle com o limitado quadro de servidores e parcos recursos, não dando conta de todas as fiscalizações e verificações em campo necessárias.”

Segundo Vincent, a lista de animais é válida se for extremamente limitada e específica, permitindo a comercialização de poucas espécies silvestres como pets. Em vez de encorajar que as pessoas levem animais para casa, o analista acredita que o ideal é incentivar as pessoas a irem até os ambientes naturais somente para observá-los.

Diante de tantas implicações e questionamentos, a única certeza em torno do mercado de animais silvestres é a de que ele não deveria existir. A tentativa de oficializar o comércio pode visar um maior controle, mas o fato é que lugar de animal silvestre é na natureza. A captura de uma vida pelo homem para ser um pet é apenas um ato de capricho, passando longe da necessidade e do princípio ético de que toda vida deve ser respeitada.

Campanha “Silvestre não é pet”

A Sociedade Mundial de Proteção Animal – WSPA Brasil lançou em outubro a campanha “Silvestre não é Pet”, que conta com um vídeo-documentário de 30 minutos sobre a importância de não se manter animais silvestres como pets. O vídeo é narrado sob o ponto de vista da vida dos animais e mostra exemplos de casos de maus-tratos (mutilações, doenças físicas e psicológicas sofridas pelos animais que foram retirados da natureza) e como muitos deles são condenados a viver para sempre em cativeiro, tudo resultado do comportamento egoísta do ser humano para suprir um capricho.

O vídeo está sendo exibido em escolas, universidades e eventos por todo o país e pode ser assistido no site da organização, no endereço
http://www.wspabrasil.org/latestnews/2010/Documentario-Silvestre-nao-e-PET-discute-posse-de-animais-silvestres-fora-da-natureza.aspx .
*Reportagem publicada na edição n. 52 (fevereiro 2011) da Revista dos Vegetarianos

quarta-feira, fevereiro 09, 2011

Alerta para riscos aos manguezais de São Paulo

Foto aérea da região de Iguape. Vegetação que cresce no entorno das ilhas de mangue é composta por invasoras que impedem o crescimento das espécies de mangue

por Jaqueline B. Ramos - publicado no site O ECO em 09-02-2011

São José dos Campos - Parte da região responsável pelo abastecimento de cerca de 70% dos pescados do estado de São Paulo corre um sério risco de desaparecer em alguns anos, caso nenhuma medida de recuperação e proteção seja tomada. Esta é uma das principais conclusões de um estudo que vem sendo conduzido no INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais desde maio de 2010, cujo objetivo é mapear e traçar um perfil da situação dos manguezais do estado de São Paulo usando como uns dos principais recursos imagens de satélites.

O trabalho faz parte do pós-doutorado da bióloga Marília Cunha Lignon e é financiado pela FAPESP. Marília explica que o trabalho usando parcelas permanentes em bosques de mangue (avaliação de áreas fixas de tempos em tempos) complementa um levantamento que ela já acompanha há 10 anos nos manguezais do litoral sul de São Paulo, uma área que faz parte do Patrimônio Mundial da Humanidade desde 1999 em função do seu valor ecológico. (...)

Leia a matéria completa em http://www.oeco.com.br/reportagens/24789-alerta-para-riscos-aos-manguezais-de-sao-paulo

quinta-feira, novembro 25, 2010

Infância Veg - o que você precisa saber para criar os pequenos cheios de saúde


por Jaqueline B. Ramos*

Sou vegetariano convicto e tive um filho. O que fazer em relação a sua alimentação? Uma criança pode adotar uma dieta sem carne sem comprometer seu desenvolvimento? Meu filho será discriminado pelos amiguinhos pelo fato de ser vegetariano?

“Mamãe, eu quero brócolis”. Esta é a frase dos sonhos de todas as mães que se preocupam em propiciar aos filhos uma alimentação saudável, principalmente das vegetarianas. Para estas, uma alimentação saudável não é só sinônimo de variedade e alimentos de qualidade, mas também de uma dieta sem carnes ou produtos de origem animal, no caso das veganas. E aí é inevitável que surjam as dúvidas e as críticas - “você não pode privar o seu filho do prazer da carne!” é uma das frases mais manjadas. E o melhor caminho para lidar com tudo isso e criar pequenos vegetarianos com tranqüilidade e segurança é sempre o da informação.

Noventa e nove por cento das preocupações de pais vegetarianos que pretendem que os pequenos tenham uma dieta sem carne são sanadas com a boa notícia de que a dieta vegetariana é sim adequada para crianças. A afirmação de que a falta de carne compromete o crescimento é um mito, de acordo com a própria comunidade científica. Em 2009, a American Dietetic Association publicou oficialmente que “a dieta vegetariana adequadamente planejada, incluindo a dieta vegana, é saudável, nutricionalmente adequada, e pode trazer benefícios na prevenção e tratamento de certas doenças. É adequada para todos os indivíduos em todos os ciclos da vida, incluindo a gestação, lactação, infância e adolescência, e para atletas”.

“A dieta vegetariana não compromete o desenvolvimento da criança. Centenas de artigos científicos já analisaram o tema e varias evidências já foram acumuladas nas duas últimas décadas. Estudos de crianças com dietas vegetarianas adequadas mostram que na adolescência as crianças vegetarianas são mais altas, têm menor tendência ao excesso de peso do que a população em geral e menos risco de doenças cardíacas e de diabetes tipo 2”, explica Dr. Orlei Ribeiro de Araújo, médico pediatra responsável pela enfermaria de pediatria do Hospital Cruz Azul, em São Paulo, com experiência no acompanhamento do crescimento e desenvolvimento de crianças alimentadas sem carne.

Dr. Orlei ressalta que o hábito de comer carne é puramente cultural, sem nenhum benefício nutricional que possa ser sustentado cientificamente hoje em dia. Segundo o pediatra, a criança acostuma-se facilmente a uma alimentação sem carne e mesmo pais onívoros deveriam fazer a experiência. No entanto, o pediatra ressalta: é muito importante buscar orientação profissional para a elaboração e acompanhamento da dieta. “O maior desafio é encontrar profissionais que não torçam o nariz ao vegetarianismo, mesmo sabendo que estão completamente defasados. Felizmente hoje existe muito material de qualidade disponível na internet e recomendo a leitura freqüente para a compreensão do que é uma dieta adequada.”

Calorias e suplementação: A orientação de um profissional especializado – nutricionista ou nutrólogo – esclarece muitas dúvidas e dá muito mais segurança para os pais na hora de elaborar a dieta sem carne para os pequenos. Uma das principais questões que os pais devem ficar atentos é que ser vegetariano não significa comer somente “folhas”. “Deve-se ter clara a ideia de que verduras e legumes fazem parte da dieta, mas não são a base. Isso é muito importante para crianças pequenas, que se receberem muitas verduras e legumes e menos cereais e feijões terão baixa caloria ingerida, e isso compromete o crescimento”, alerta Dr. Eric Slywitch, médico nutrólogo especializado em alimentação sem carne.

Em relação a calorias, não é verdade a informação de que dietas vegetarianas para crianças devem ser necessariamente mais calóricas por conta da dificuldade maior de digestão de proteínas vegetais. Na verdade não existe dificuldade de digestão de proteínas, apenas a variedade de aminoácidos é menor nos vegetais, o que faz necessária a combinação inteligente de várias fontes para se obter todos.

Segundo Dr. Eric, equilibrando os grupos alimentares, os nutrientes costumam ficar bem ajustados. Ele também ressalta que é importante ficar atento ao consumo excessivo de fibras, que pode gerar uma maior saciedade na criança e, conseqüentemente, levar à ingestão de menos alimentos. “Mas com um bom acompanhamento de um profissional da área, não há razão para ter medo da dieta vegetariana. Só é necessário de muita paciência para agüentar o desespero de alguns familiares”, brinca o nutrólogo.

Em relação à suplementação, a de vitamina B12 é indicada para todas as crianças vegetarianas. As demais suplementações são aquelas comuns a todas as crianças pequenas – vitaminas A e D e ferro – e qualquer necessidade extra deve ser avaliada individualmente, de acordo com o tipo de vegetarianismo adotado, a ingestão alimentar habitual e as condições clínicas da criança.

“Vale ressaltar que os suplementos nutricionais devem ser prescritos por um profissional da área de nutrição com conhecimento e experiência no atendimento de crianças e adolescentes vegetarianos”, frisa Ana Paula Pacífico Homem, nutricionista especialista em nutrição materno-infantil que atende crianças e adolescentes vegetarianos em consultório particular e ambulatório institucional em Belo Horizonte.

A nutricionista esclarece um dos maiores mitos que ronda a dieta vegetariana: a falta de proteínas. Ela reitera que uma alimentação vegetariana adequada, com cereais integrais, leguminosas variadas e sementes oleaginosas, fornece quantidade mais do que suficiente do nutriente.

“Os pais não podem esquecer que a consistência da alimentação e a forma de preparo precisam ser adaptadas à idade da criança. No caso de bebês, os feijões e as frutas devem ser muito bem amassados e os sucos, coados. Os cereais integrais precisam ser muito bem cozidos e peneirados, para reduzir o teor de fibras na fase inicial de introdução de alimentos. Uma semente de amêndoa, por exemplo, pode ser introduzida na forma de farinha, adicionada a uma fruta”, afirma Ana Paula.

O desmame é o período mais vulnerável para a criança vegetariana e a introdução de alimentos deve ser idealmente acompanhada por um profissional com experiência em dietas vegetarianas. Segundo a nutricionista, é fundamental garantir as fontes alimentares de ferro, cálcio e zinco (folhas verdes escuras, feijões, sementes oleaginosas ) e “gorduras boas” (abacate, óleo de oliva). “Outro nutriente muito importante é o ômega-3, um tipo de lipídeo essencial para o cérebro em crescimento da criança. Sua principal fonte no reino vegetal é o óleo de linhaça”, diz.

Exemplo, exemplo e exemplo: Esclarecida a parte científica, os pais vegetarianos podem ainda ter outra preocupação em relação à alimentação sem carne dos filhos: numa sociedade ainda predominantemente onívora, como vou acostumar e explicar o vegetarianismo para o meu filho. Uma criança vegetariana pode vir a sofrer algum tipo de preconceito, ou até exclusão social?

Primeiramente é preciso reforçar uma das máximas mais fortes quando o assunto é educação, inclusive a alimentar. A criança aprende muito mais pelo exemplo do que pelas palavras. Ou seja, o hábito de uma alimentação vegetariana saudável em casa será o maior espelho da criança. “Os pais vegetarianos devem fornecer uma alimentação coerente com seus princípios dentro de casa, esclarecer as questões que venham a surgir sobre o assunto com clareza e sinceridade e acreditar que estão plantando boas sementes”, aconselha Ana Paula. “Mais cedo ou mais tarde a criança ou adolescente confrontará os valores que recebeu da família com aqueles que recebeu da sociedade e fará uma opção madura e consciente”.

“Não vejo nenhum problema de pais vegetarianos criarem seus filhos com a mesma dieta. Conheço famílias que criaram seus filhos com vegetarianismo e nunca evidenciei nenhum problema psicológico decorrente disso. Em termos de socialização, vejo menos problema numa criança vegetariana do que numa criança, por exemplo, que tem intolerância a glúten ou alergia a leite”, afirma a psicóloga Teresa Ferreira, que atende no Centro de Atendimento e Apoio ao Adolescente, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

A psicóloga ressalta que é importante que os pais agrupem-se com outros que seguem a mesma filosofia, para que seus filhos, em algum momento, se encontrem com seus pares e vejam que há outras pessoas que fazem o mesmo. “Dessa forma eles se darão conta que não são os diferentes, só em alguns momentos é que são diferentes. Além disso, é imprescindível que os pais comam o que querem que os filhos comam, dando o exemplo e oferecendo o alimento de diferentes formas e em diferentes momentos.” Teresa não vê o oferecimento de alimentação vegetariana para as crianças como uma imposição ou coerção. “É natural e até uma obrigação dos pais passarem seus valores para os filhos. Quanto mais claros esses valores estão para os pais, mais fácil será para os filhos entenderem.”

Papinha sem carne: Alguns exemplos de pequenos vegetarianos demonstram que a alimentação sem carne pode realmente ser encarada de forma muito natural pela criança, não lhe trazendo nenhum desconforto. “Eu sempre fui vegetariano e explico para os meus amigos que desde que era pequeno já não gostava de comer carne. Quando minha avó me dava papinha com carne, eu cuspia tudo. Também falo para eles pensarem muito bem nos animais”, diz Pedro Schuwenck, de 9 anos, quando questionado sobre o que explica para seus amigos onívoros quando lhe perguntam por que não come carne.

Pedro, sua mãe, a publicitária Paula, e seus avós maternos, todos vegetarianos, lançaram em maio desse ano em São Paulo o blog “Vegetariano come o quê?”, cujo objetivo é apresentar receitas que respondam justamente a este pergunta. O diferencial é que as receitas são apresentadas em vídeos e pela família, o que, segundo Paula, chama muito a atenção das pessoas.

Paula é vegana há oito anos e fez a opção pelo vegetarianismo na gravidez. Ela conta que Pedro se mostrou vegetariano desde que começou a comer as papinhas. “Ele sempre rejeitou papinhas com carne. Quando substituía por uma de vegetais ele comia tudo. Procurei um médico nutrólogo especializado em dieta vegetariana que nos orienta até hoje”, conta Paula, ressaltando que Pedro sempre teve crescimento acima da média e nunca existiu problema de socialização com os amiguinhos. “Pelo contrário, ele tem muitos amigos e quando eles vêm na nossa casa, adoram comer nossos bolos e lanches veganos”.

Como Pedro acabou fazendo sua escolha bem cedo, Paula nunca teve dificuldade para montar sua alimentação. E como principal dica para pais vegetarianos que pretendem criar pequenos vegetarianos, ela diz que o segredo é introduzir a variedade dos vegetais na alimentação das crianças. “Quanto mais elas conhecerem os sabores e a infinidade de opções que têm para comer e sentir prazer, se deliciar, mais fácil será que elas gostem e se orgulhem de serem vegetarianas. Além disso, sempre conversar muito sobre os direitos dos animais e como é importante para o planeta que elas sejam vegetarianas.” E completa: “As crianças são esponjinhas que sugam o nosso exemplo. Se os pais estiverem convictos e se sentirem felizes por terem escolhido o vegetarianismo, assim as crianças se sentirão também.”

Com a bióloga paulistana Fúlvia Zephilho de Andrade e sua filha, Letícia, de 2 anos e meio, a experiência é muito parecida. Letícia é ovolactovegetariana desde o ventre, pois Fúlvia e o marido já tinham decidido que seus filhos não comeriam carne. Ela diz que nunca passou pela cabeça deles oferecer carne nas papinhas e para garantir a boa nutrição de Letícia consultam um nutricionista vegetariano.

“Ela segue crescendo saudável e se alimentando muito bem. E está super adaptada à dieta. Tanto que quando vê os tios ou as avós comendo carne ela pergunta o que é e aí fala “não pode comer carne, são nossos amigos, mata os bichinhos”. Fúlvia acredita que quando os pais têm hábitos alimentares saudáveis, os filhos passam a adquirir estes hábitos naturalmente. E dá as dicas: para os bebês, o legal é cozinhar legumes e verduras variando sempre e oferecê-los amassadinhos, e não tudo batido em forma de sopa. Dessa forma a criança aprende a distinguir os sabores dos alimentos; E com as crianças maiores, leve-as para cozinhar com você. Ela vai gostar de ajudar e de comer o que preparou.

Apesar do preconceito hoje sem bem menor e as pessoas estarem mais informadas sobre o que é o vegetarianismo, Fúlvia diz que a maior dificuldade ainda é a crítica de que estaria privando a filha dos “prazeres da vida”. Para amenizar essa dificuldade Fúlvia criou, em abril de 2009, o blog Maternas Vegetarianas, cujo objetivo é justamente trocar idéias e informações e difundir o vegetarianismo e outros assuntos correlatos entre “mães vegetarianas que acreditam em um mundo melhor, não somente no nosso bem-estar, mas no de nossos filhos, dos animais, da humanidade e do planeta”.

“Eu acredito que as crianças são mais receptivas ao vegetarianismo que alguns adultos. Costumo dizer que se você colocar uma criança com fome em uma sala onde está um pintinho e onde tem uma pêra, o que você acha que ela vai fazer: comer o pintinho e brincar com a pêra ou comer a pêra e brincar com o pintinho? A resposta já nos diz que, em essência, somos vegetarianos”, conclui Fúlvia.

Os 10 mandamentos para a dieta vegetariana dos pequenos

1. Procure um profissional especializado em alimentação sem carne – nutricionista ou médico nutrólogo – para orientar, montar e acompanhar a dieta vegetariana de uma criança.
2. Nunca substitua o aleitamento materno ou o uso de fórmulas especializadas por misturas de farinhas de cereais.
3. Fórmulas infantis à base de soja são a única opção para lactentes veganos não amamentados no seio.
4. Fórmulas de soja não são adequadas para prematuros, pois há o risco de fragilização dos ossos mesmo com suplementação de cálcio. Prematuros, infelizmente, estão fora do veganismo.
5. A vitamina B12 deve ser suplementada sempre, principalmente para as crianças veganas.
6. No caso de crianças veganas deve-se ficar bem atento às fontes de cálcio, que devem ser intensificadas.
7. Crianças em geral, onívoras ou vegetarianas, devem ter atenção especial ao ferro, pois sua deficiência é muito comum. Sua suplementação é necessária a partir do quarto mês de vida.
8. Os pais devem ter uma alimentação adequada e equilibrada, pois eles serão o maior exemplo para as crianças.
9. Apresente toda a variedade de vegetais para as crianças, pois é a melhor forma delas pegarem gosto, se acostumarem e sentirem prazer com a dieta sem carne.
10. Converse sempre sobre os motivos do vegetarianismo e esclareça as questões colocadas pelas crianças com muita serenidade e tranqüilidade.

Fontes para consulta e orientação

Livros

• “Comida Vegetariana para Crianças”, de Sara Lewis (Editora Madras)
• “Dieta Vegetariana para Pais e Filhos”, de Charles R. Artwood (Editora Madras)
• “Alimentação sem Carne – Guia Prático”, de Eric Slywitch (Editora Alaúde)
• “Virei Vegetariano – E agora?”, de Eric Slywitch (Editora Alaúde)
• “Lar Vegetariano”, de Ivonete Nakashima, Aparecida Teixeira e Paulo Cesar Nakashima (Editora Cultrix)

Sites

www.alimentacaosemcarne.com.br
http://www.vegetarianocomeoque.com.br/
http://maternavegetarianas.blogspot.com/


*Reportagem publicada na Revista dos Vegetarianos edição 49 / novembro 2010 - http://www.europanet.com.br/site/index.php?cat_id=935

Desafios do Ano Internacional da Biodiversidade


Por Jaqueline B. Ramos*

Há vários anos especialistas e ambientalistas de todo o mundo têm feito alertas sobre o perigo real da perda de biodiversidade do planeta. Por motivos que vão desde desmatamento de áreas naturais até as conseqüências modernas do aquecimento global, é fato conhecido que um número crescente de espécies de animais e plantas se encontra em risco iminente de extinção. E não há dúvidas que isso é muito ruim tanto para a natureza como para a própria qualidade de vida da humanidade.

Quando o assunto é risco de extinção, no Brasil – que, diga-se de passagem, é o primeiro país em biodiversidade do mundo, temos o exemplo da onça pintada. Na Ásia, a problemática é grande em torno dos tigres e orangotangos. Na África, os chimpanzés são grandes vítimas... e estes são apenas alguns poucos casos falando apenas em animais mais conhecidos e casos mais divulgados (veja mais informações no boxe).

Entende-se como biodiversidade (ou diversidade biológica) a variedade de vida no Planeta que forma uma grande cadeia da qual o homem faz parte e da qual depende para sua sobrevivência. A biodiversidade que temos hoje é fruto de bilhões de anos de evolução moldados por processos naturais e, cada vez mais, por processos humanos. Até hoje cerca de 1,75 milhões de espécies já foram identificadas, sendo a grande maioria insetos, e estima-se que realmente existam 13 milhões de espécies.

O alerta sobre a perda da biodiversidade foi oficialmente reconhecido pela ONU – Organização das Nações Unidas, que declarou que 2010 é o Ano Internacional da Biodiversidade. Em termos práticos o destaque é para a 10ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica (COP-10 CDB), que acontecerá na cidade de Nagoya, no Japão, em outubro. A expectativa em relação à conferência é muito grande, pois se discutirá, entre outros assuntos, o alcance das metas de redução de perda de biodiversidade e o polêmico assunto sobre a repartição dos benefícios advindos da utilização da diversidade genética das espécies.

E o cenário não é muito otimista, infelizmente. No dia biodiversidade – 22 de maio – o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou que a perda de espécies está chegando a um ponto sem volta. De fato, em um relatório recente a ONU confirmou que nenhuma das metas para redução da perda de biodiversidade, acordadas em 2002, foram cumpridas. O relatório afirma que desde 1970 as populações mundiais de animais caíram 30%, a área coberta por mangues caiu 20% e a área coberta por corais, 40%.

Redução de desmatamento: Segundo Ban, comunidades no mundo todo irão "colher os frutos negativos" da perda de biodiversidade. “Mas comunidades mais pobres e mais vulneráveis serão as que irão sofrer mais", alerta o secretário, ressaltando mais uma razão para o reforço nos esforços reais (e não apenas teóricos ou “marqueteiros” em torno da conservação da diversidade genética de plantas e animais.

No Brasil, os principais problemas estão relacionados diretamente ao combate ao desmatamento nos grandes biomas. “A conservação da diversidade biológica é um dos temas de maior destaque do ano, e os olhos do mundo certamente se voltarão para o Brasil. Temos a sorte de abrigar em nosso território uma imensa riqueza biológica, mas temos também a responsabilidade de cuidar de sua preservação e sobrevivência”, afirma Cláudio Maretti, superintendente de conservação do WWF-Brasil.

Seja no Brasil, na Indonésia, na República do Congo ou em qualquer outro país rico em biodiversidade, a causa maior do problema é sempre a ação humana insustentável. È verdade que a extinção das espécies é um fenômeno natural, mas a questão é que animais e plantas estão tendo suas populações drasticamente reduzidas ou extintas numa taxa muito mais rápida que a natura – estima-se que o processo esteja 1000 vezes acelerado.

“Nossas vidas dependem da biodiversidade e espécies e ecossistemas estão desaparecendo em um ritmo insustentável. Em 2002 líderes mundiais concordaram em diminuir significativamente as taxas de destruição de biodiversidade até 2010, mas já sabemos que as metas não foram alcançadas. Precisamos, mais do que nunca, do esforço de todos, governos, ONGs e cada cidadão”, alerta o secretário-geral das Nações Unidas.
Metas da CDB para os países signatários

• Conservação da biodiversidade;
• Uso sustentável de seus componentes;
• Distribuição equitativa e justa dos benefícios advindos da utilização dos recursos genéticos.

Espécies ameaçadas de extinção

No Brasil

De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, há cerca de 400 espécies da fauna brasileira ameaçadas de extinção. Dessas, sete são consideradas já extintas, como é o caso da arara-azul-pequena, que era encontrada em toda a Região Sul e no Mato Grosso do Sul.

Algumas das espécies-símbolo da riqueza biológica do Brasil estão em risco. A onça-pintada, a onça-parda, o gato-maracajá são exemplos de felinos que correm o risco de desaparecer de nosso território. Macaco-aranha, mico-leão-da-cara-preta, mico-leão-dourado e várias espécies de sagui também.

Nos ares, o risco de extinção recai sobre a arara-azul, a ararinha-azul, o gavião-cinza e algumas espécies papagaio, entre muitos outros. Há 55 espécies diferentes de borboletas na lista de ameaçadas. No cerrado, o lobo-guará é o símbolo das conseqüências da devastação. Nas águas, a baleia-franca, a baleia-jubarte e o peixe-boi são vítimas de caçadores.

Entre as plantas, estão desaparecendo algumas espécies de bromélias, o pau-rosa e o pinheiro-do-Paraná, também conhecido como araucária. Sucupira, aroeira, jequitibá, imbuia, angelim, mogno, cerejeira e outras árvores também já são difíceis de serem encontradas.

No mundo

Todos os anos, o WWF-Estados Unidos divulga a lista dos 10 animais mais ameaçados do planeta. Este ano, a lista inclui cinco animais que estão sendo diretamente afetados pelo aquecimento global: o tigre, o urso polar, a morsa do Pacífico, o pinguim de Magellanic e a tartaruga-gigante. Além dessas cinco espécies, também estão ameaçados o atum-bluefin, o gorila-das-montanhas, a borboleta-imperial, o panda e o rinoceronte-de-Java, cuja população está reduzida a apenas 60 indivíduos.

Fonte: WWF Brasil - http://www.wwf.org.br/

As principais ameaças à biodiversidade

• Perda de habitats: pelas mudanças no uso das terras, principalmente a conversão de áreas naturais em plantios de nível industrial. Esta é, na verdade, a maior causa da perda de biodiversidade. Mais da metade dos 14 grandes biomas da Terra já tiveram entre 20 e 50% de sua área total convertida para agropecuária.

• Uso e exploração insustentáveis: muitas espécies são usadas pelo homem para atender suas necessidades básicas. Porém, várias delas estão em declínio e risco de extinção porque são usadas de forma tão exagerada que sua exploração ameaça os ecossistemas dos quais dependem.

• Mudanças climáticas: será, progressivamente, causa de mais ameaças à biodiversidade nas próximas décadas. Já se observa mudanças nos períodos de migração e reprodução e nas taxas de distribuição de várias espécies em todo o planeta por conta das variações climáticas.

• Espécies aliens: plantas, animais e microorganismos transportados deliberadamente ou acidentalmente para áreas onde são espécies exóticas podem causas sérios riscos para espécies nativas pela competição por comida, transmissão de doenças, mudanças genéticas etc. Mais de 530 espécies aliens que causaram sérios impactos já foram identificadas em 57 países.

• Poluição: o descarte progressivo de substâncias poluentes geradas tanto no ambiente urbano como pela agropecuária, somado ao crescimento desenfreado da região costeira e da agricultura, pode levar a uma multiplicação na quantidade de áreas consideradas mortas.

Fonte: ONU/UNEP

* Publicado na edição 90 do Informativo do Instituto Ecológico Aqualung - veja aqui.

Curtas Ambientais

Por Jaqueline B. Ramos*

Retrocesso na proteção às florestas

No mês do meio ambiente, ambientalistas no Brasil não têm muito que comemorar. Parlamentares ruralistas, encabeçados pelo deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), estão propondo mudanças no Código Florestal brasileiro que levariam a um retrocesso na legislação de controle e proteção das áreas naturais. Entre as mudanças sugeridas estão a possibilidade de soma da reserva legal com as áreas de Preservação Permanente (APP) e a consolidação de lavouras em encostas e topos de morros desmatados ilegalmente.

Uma subcomissão da Câmara dos Deputados foi criada para avaliar as propostas de alteração na lei e isso está preocupando ONGs de defesa ambiental. Uma coalizão de entidades formada pelo WWF, Greenpeace, Instituto Socioambiental, entre outras, lançou um site com informações sobre o histórico do Código Florestal e a defesa da manutenção da lei para a preservação de florestas, dos recursos hídricos e do clima. No endereço www.sosflorestas.com.br são listadas as conseqüências que as possíveis mudanças na legislação ambiental podem trazer e o internauta é convidado a assinar uma petição contra as alterações no Código Florestal, a ser enviada para a Câmara.

Ônibus limpo

No final de maio o Rio de Janeiro entrou na era dos combustíveis limpos. De acordo com o contrato assinado com o COI – Comitê Olímpico Internacional –, 20% da frota de ônibus da cidade devem rodar movidos a biocombustível durante os jogos de 2016. Neste espírito foi apresentado pelo governo do Estado o primeiro ônibus movido a hidrogênio, um projeto desenvolvido pela Coppe/UFRJ.

O ônibus experimental será operado pela Viação Real e estará nas ruas pelo período de um ano, sendo avaliado em vários aspectos, incluindo a não-emissão de gases poluentes e sua manutenção periódica. O veículo receberá licença regular para rodar no Rio, assim como os outros 15 ônibus movidos a biodiesel, que já estão em operação de testes. A ideia é ampliar a frota de veículos não poluentes e praticamente trocar a maior parte dos coletivos que rodam pela cidade.

Satélite para monitorar oceanos

A Agência Espacial Brasileira (AEB) e a Comissão Nacional de Atividades Espaciais (Conae), da Argentina, desenvolverão em conjunto o satélite Sabia-Mar. O satélite será destinado à observação global dos oceanos e ao monitoramento do Atlântico nas proximidades dos dois países. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) será o órgão executor do projeto

Com o Sabia-Mar será possível observar a cor dos oceanos, monitorar a exploração petrolífera, gerenciar as zonas costeiras e contribuir com a atividade pesqueira, entre outras aplicações. O projeto Sabia-Mar está em plena consonância com os objetivos fixados pela comunidade científica internacional, e, mais especificamente, com aqueles estabelecidos pelo Comitê de Satélites de Observação da Terra (CEOS, na sigla em inglês) para a constelação de satélites de observação da cor dos oceanos.

Marfim X Elefantes

O que parecia ser uma prática ultrapassada voltou a aterrorizar a vida dos elefantes. O crescimento na demanda de marfim na Ásia tem incentivado o comércio ilegal de presas de elefante, provenientes principalmente da África. Nos últimos oito anos o preço do quilo do marfim subiu de US$ 100 para US$ 1800. O principal responsável pelo “aquecimento” no comércio é a China. No país há a tradição de um empresário “presentear” um cliente após um negócio fechado com uma presa de marfim.

Segundo especialistas, se o comércio não for contido logo, as populações de elefantes na África podem ser reduzidas dramaticamente. Mais de 600 mil elefantes foram mortos no continente nos últimos 40 anos devido à caça ilegal – a captura dos animais é oficialmente proibida desde 1989. Em Serra Leoa, os últimos elefantes foram mortos em dezembro. No Senegal, há menos de 10 elefantes vivos.

Parceria em prol da bioenergia

Em maio foi anunciada uma parceria entre a Universidade Estadual Paulista (UNESP) e o Instituto Cubano de Pesquisa dos Derivados de Cana-de-Açúcar (ICIDCA) visando a produção sustentável de nada mais nada menos do que bionergia. O trabalho em conjunto prevê o desenvolvimento de tecnologias para a produção de fontes renováveis de energia e será dividido em cinco linhas: biomassa para bioenergia; produção de bioenergia; aplicação de biocombustíveis em motores; biorrefinaria, alcoolquímica e oleoquímica; e impactos ambientais, sócio-econômicos e sustentabilidade.

“Nosso foco é trabalhar os resíduos de forma sustentável, unindo especialistas das duas instituições”, explicou Maria José Soares Mendes Giannini, pró-reitora de Pesquisa da UNESP, que faz parte do Centro Paulista de Pesquisa em Bioenergia, criado em dezembro de 2009.

Dieta para combater as mudanças climáticas

Um recente relatório da ONU divulgado na semana do Dia Mundial do Meio ambiente faz uma revelação surpreendente. Em linhas gerais é concluído que “uma mudança global para uma dieta vegana – que exclui carnes e qualquer produto de origem animal – é vital para salvar o mundo da fome, pobreza de combustíveis e os piores impactos da mudança climática.”

O relatório ressalta que a previsão é de que a população mundial chegue a 9.1 bilhões de pessoas em 2050, tornando o apetite por carne e laticínios insustentável. A agropecuária industrial, particularmente de produtos de carne e laticínios, é responsável, por exemplo, pelo consumo de cerca de 70% da água doce do mundo, 38% do uso de terra e 19% das emissões de gases estufa.

Diz o relatório: “Espera-se que os impactos da agricultura cresçam substancialmente devido ao crescimento da população e o crescimento do consumo de produtos animais. Ao contrário dos combustíveis fósseis, é difícil produzir alternativas: as pessoas têm que comer. Uma redução substancial de impactos somente seria possível com uma mudança de dieta, eliminando produtos animais.”

revista “Behavioral Ecology and Sociobiology” demonstra que as Baleias-jubarte formam laços de amizade duradouros. Usando técnicas de identificação fotográfica para localizar cada indivíduo todos os anos, os pesquisadores conseguiram averiguar que fêmeas de baleia-jubarte reencontram-se anualmente para comer e nadar juntas no golfo de São Lourenço, na costa do Canadá.

Baleias com dentes, como as baleias cachalote, associam-se umas com as outras. Mas acreditava-se que baleias maiores, que filtram sua comida, como as jubartes, eram menos sociáveis. As amizades mais longas registradas duraram seis anos e sempre foram observadas entre fêmeas de idades parecidas e nunca entre machos e fêmeas. A descoberta também levanta a possibilidade de que a pesca comercial de baleias pode ter dispersado grupos sociais dos animais.

Corais brasileiros ameaçados

A elevação na temperatura das águas, provocada pelo aquecimento global, ameaça espécies de corais que só existem no litoral brasileiro. A conclusão é do projeto Coral Vivo, cuja sede fica em Arraial da Ajuda, na Bahia. Das 40 espécies de corais encontradas nos recifes brasileiros, 20 são encontradas apenas no país.

De acordo com o projeto, o fenômeno começou a ser identificado em março, depois de dois meses com a água muito mais quente do que a média na maior parte da costa brasileira. Conhecido como “branqueamento”, ele foi registrado em uma faixa de 2,5 mil quilômetros, entre o Rio Grande do Norte e a baía da Ilha Grande, no Rio de Janeiro, e coloca em risco a vida do coral.

A explicação do problema é a seguinte: algumas espécies de corais precisam de microalgas para viver, que se instalam na segunda camada da pele do coral. Como todas as plantas, elas fazem fotossíntese, isto é: obtêm energia da luz do sol. O que sobra, doam ao coral em troca de abrigo. Mas quando a temperatura da água está acima do normal, as algas produzem água oxigenada, que é tóxica para o coral. Para se proteger, ele as expulsa. E sem elas o esqueleto branco fica visível.


* Publicado no Informativo do Instituto Ecológico Aqualung edição 90 - junho 2010