quarta-feira, julho 12, 2006
Por Jaqueline B. Ramos *
Infelizmente, o tubarão no Brasil é um animal ligado estritamente a notícias negativas, como ataques a surfistas e mergulhadores. Além disso, aparece nos jornais como “troféu” de pescadores, que viram heróis ao expor o animal cruelmente morto na praia ou em seus barcos. Muito da má fama do tubarão vem da cultura que o vende como um dos animais mais perigosos que existem, predador e assassino inveterado de homens. O que pode ser facilmente provado o contrário, conforme o próprio projeto PROTUBA já vem divulgando em fatos e dados.
O grande problema é que o resultado de toda essa discriminação e falta de conhecimento faz com que a opinião pública, de uma forma geral, não se preocupe ou se sensibilize com a conservação das espécies de tubarão e problemas como o finning (pesca para extração das barbatanas) e a pesca predatória continuam acontecendo sem que haja muita mobilização para que uma legislação a favor da defesa e da conservação do tubarão seja instaurada no Brasil.
O Ibama já tem uma portaria que proíbe a prática do finning (o peso total das barbatanas não pode exceder 5% do peso das carcaças), mas ainda não temos leis específicas determinando, por exemplo, que os tubarões transportados e vendidos devam estar inteiros (só há definições de tamanho mínimo para captura de algumas espécies), que haja limites (cotas) para a quantidade de tubarões pescados e que se crie áreas protegidas de berçário e épocas de defeso.
Diante do contexto de que o Brasil necessita de uma legislação eficiente de proteção para coibir a pesca predatória e a sobrepesca do tubarão, vale a pena analisar a estratégia de manejo do animal adotada por países com os Estados Unidos, que já tem políticas de conservação bem mais avançadas.
Os tubarões e sua interação nos ecossistemas: O National Marine Fisheries Service (NOAA Fisheries) — agência federal dos Estados Unidos, ligada do Departamento de Comércio, responsável pela administração dos recursos dos ecossistemas marinhos no país — tem um programa específico para estudo de espécies de tubarões que tenham valor comercial, histórico e ecológico relevantes e sua interação nos habitats naturais. É o Apex Predators Program (APP), cuja linha de pesquisa consiste em estudar profundamente e sistematicamente a distribuição dos indivíduos, as rotas de migração, as taxas de reprodução, o ciclo alimentar no ambiente, entre outras questões da ecologia e biologia específicas dos tubarões em toda a costa norte-americana.
Através do NOAA Fisheries, o programa conduz pesquisas, implementa restrições legais e trabalha junto a pescadores em instâncias locais. Além disso, desenvolve ações de incentivo à conservação a nível internacional através de programas de cooperação para identificação e estudo de tubarões em convênio com outros países do Oceano Atlântico, Golfo do México, Mar do Caribe e Oceano Pacífico. No Pacífico, o NOAA Fisheries trabalha junto a conselhos locais de pesca com o objetivo de desenvolver mecanismos de manejo da população de tubarões neste oceano.
Outra linha de pesquisa muito interessante do programa é a Cooperative Atlantic States Pupping and Nursery (COASTSPAN), que desenvolve um estudo detalhado das áreas de berçário de tubarões mais importantes na costa atlântica. Os dados levantados nesse estudo geram um banco de dados de informações técnicas que ao final embasam os planos de manejo e conservação da população adulta de tubarões.
26 anos de regulamentação de pesca de tubarões: Além de investimentos em estudos para embasar ações práticas de conservação, os Estados Unidos é pioneiro na implementação de legislação específica de proteção e conservação. A pesca de tubarões começou a ser regulada através de leis em 1993. Seis anos depois, um Plano de Manejo de Pesca revisado, incluindo as espécies de tubarão, peixe-espada e atum, passou a regulamentar as atividades pesqueiras. Desde então a pesca de tubarões vem sendo controlada através de um sistema de cotas e pescadores comerciais devem ter uma permissão especial e seguir restrições quanto ao número de viagens e limites de acesso.
Existem duas temporadas de pesca nos Estados Unidos: de 1º de janeiro a 31 de junho e de 1º de julho a 31 de dezembro. Cada uma tem uma cota determinada que é divulgada antecipadamente a cada ano, assim como limites a serem respeitados em áreas especificadas da zona costeira. Além disso, existe uma lista composta por 19 espécies que são proibidas, em qualquer hipótese, de serem pescadas. Assim como no Brasil, a prática de finning também é proibida nos Estados Unidos (também há o limite de 5%).
As ações de proteção colocadas em prática nos Estados Unidos fazem com que ele seja um líder internacional na conservação de tubarões. A intervenção do país, por exemplo, foi crucial para a montagem do Plano Internacional de Ação para Conservação e Manejo de Tubarões, da FAO (Food and Agriculture Organization). Sem contar que é um dos únicos países, entre os 87 que praticam pesca de tubarão, que desenvolveu um Plano Nacional de Conservação e Manejo de Tubarões.
A experiência dos Estados Unidos pró-conservação pode (e deve) ser então considerada um paradigma para o Brasil. Num país detentor de uma zona costeira como a nossa, faz-se mais que necessário o início de uma organização e mobilização com o objetivo de se implementar programas e legislações efetivamente eficientes em prol da proteção da população de tubarões em nossos mares. Do contrário o número de notícias ruins tendo o tubarão como principal personagem será uma das vergonhas do Brasil perante uma comunidade internacional cada vez mais consciente do valor da conservação deste animal.
Por que conservar a população de tubarões?!
Os tubarões têm um papel muito importante no ecossistema marinho e daí nasce a importância da sua conservação. Variadas espécies de tubarões ficam sujeitas a sobrepesca pelo fato de levarem muitos anos para chegar à vida adulta (têm um ciclo de vida longo) e o número de indivíduos jovens ser pequeno. Os efeitos da sobrepesca podem levar anos até serem revertidos.
Para desmistificar alguns fatos e ressaltar o porquê da importância dos esforços para a conservação dos tubarões, abaixo são respondidas algumas perguntas bem freqüentes feitas sobre eles:
O que faz com que tubarões ataquem os homens?
Tubarões não têm o instinto natural de caçar homens. Um ataque ocorre por erro de identificação. Acontece dos tubarões confundirem homens com suas presas naturais, como peixes, mamíferos marinhos e tartarugas, e geralmente soltam a pessoa depois da primeira mordida. Espécies pequenas confundem braços e pernas balançando com peixes e quando mordem e percebem que não é o que procuram, soltam e nadam fugindo. As espécies maiores também confundem, mas uma única mordida nesse caso pode causar ferimentos bem mais graves. Em suma, tubarões não atacam homens, mas nem por isso devem ser tratados sem cuidado ou respeito.
Por que proteger os tubarões?
Tubarões são animais únicos, cuja biologia preservada data de milhões de anos. Como são predadores do topo da cadeia nos mares, eles colaboram para o equilíbrio do ecossistema marinho. Ao lado de algumas poucas espécies de baleias e outras de tubarões, o homem é o único animal que mata tubarões (é contabilizado mais de 100 milhões por ano). Por esses motivos faz-se necessário criar regulamentos de pesca que garantam a sobrevivência das populações de tubarão nos mares por mais milhares de anos.
O ataque de tubarões é comum? O que pode ser feito para diminuir o risco de um ataque de tubarão?
Mais pessoas morrem eletrocutadas por problemas com luzes de árvore de Natal do que por ataque de tubarões. O risco de ataques pode ser minimizado com atitudes preventivas quando estiver tomando banho de mar numa praia que tenha algum histórico de presença de tubarão, tais como:
Fique sempre em grupo. Tubarões tendem a atacar indivíduos sozinhos, e não grupos. Não se afaste muito da costa, do contrário pode se isolar muito e dificultar um possível resgate.
Evite entrar no mar muito cedo pela manhã ou no final do dia e noite. Estes são os horários que os tubarões estão mais ativos procurando comida.
Não entre na água se tiver algum ferimento sangrando.
Evite usar acessórios muito brilhantes, pois a luz refletida desses objetos se assemelha muito com o reflexo da pele escamada de peixes.
Evite tomar banho em águas utilizadas para pesca comercial ou esportiva, principalmente se existir sinas de isca e peixes se alimentando.
Redobre seu cuidado em águas mais turvas.
Tenha muito cuidado ao nadar perto de bancos de areias e áreas costeiras íngremes, pois os tubarões gostam de se alojar nestas áreas.
Não entre na água se for divulgada a presença de tubarões e saia da água imediatamente se avistar um tubarão. Lembre-se: tubarões normalmente não atacam homens, mas devem ser tratados com muito cuidado e respeito. Não subestime seus instintos.
Fonte: National Marine Fisheries Service (NOAA Fisheries - http://www.nmfs.noaa.gov/)
* Matéria publica na revista do projeto Protuba (primeiro semestre 2006)
quinta-feira, junho 15, 2006
Por Jaqueline B. Ramos*
O desenho animado “Procurando Nemo”, visto por milhares de pessoas em todo o mundo, deu uma grande contribuição para a ecologia e para a educação ambiental. A história da aventura do peixinho com uma barbatana defeituosa no mar australiano retrata muito bem o ambiente marinho e, sobretudo, o ecossistema chamado ‘recife de coral’. Embora muitos tenham se dado conta da importância dos corais para a conservação dos oceanos ao assistir o filme, infelizmente o público em geral ainda conhece pouco sobre a importância deste singular ecossistema.
Os recifes de corais são ecossistemas marinhos muito ricos em biodiversidade.
Eles estão para o ambiente marinho como as florestas tropicais estão para os ambientes terrestres. Ou seja, os dois são os maiores centros de biodiversidade do planeta. Entre as inúmeras espécies que vivem nos corais estão os cnidários, as algas, as esponjas (poríferos), os vermes poliquetos (anelídeos), os moluscos, os crustáceos, os equinodermos e diversos tipos de peixes. Para se ter uma idéia, de cada quatro espécies marinhas, uma vive em ambientes recifais (incluindo 65% dos peixes).
Geologicamente, os corais existem há, aproximadamente, 200 milhões de anos e alcançaram seu nível atual de diversidade biológica há 50 milhões de anos. A formação desses ecossistemas aconteceu da seguinte forma: primeiramente animais sem esqueletos e flutuantes associaram-se à algas microscópicas e fixaram-se às rochas, formando colônias. Estas colônias são os corais, que ao se concentrarem formam o habitat marinho recife de corais.
Por sua rica biodiversidade, os recifes de corais têm características muito importantes para o equilíbrio ecológico do ambiente marinho. Além de exportar matéria orgânica e nitrogênio para suas zonas circundantes, aumentando a produtividade dessas águas, eles consistem em um importante local de reprodução e de crescimento juvenil para muitas espécies de peixes. Mas, infelizmente, na mesma intensidade em que a história evolutiva formou um ecossistema muito rico em vida, os recifes são sistemas extremamente frágeis e susceptíveis à perturbação natural e humana.
Degradação
De acordo com o Global Coral Reef Monitorinng Network – GCRMN , uma rede de governos, organizações não-governamentais (ONGs), institutos e indivíduos que monitoram a saúde destes ecossistemas, cerca de 27% dos recifes de coral do mundo estão definitivamente perdidos. Se as atividades predatórias continuarem no mesmo ritmo, sem nenhuma ação remediadora, o GCRMN calcula que a parcela de recifes perdidos atingirá o alarmante índice de 40% até 2010.
A degradação dos recifes de corais está intimamente ligada às atividades humanas e econômicas. O aquecimento dos oceanos, por exemplo, resultado de mudanças climáticas, causam o grave impacto de expulsão de algas, as zooxantelas, que habitam os recifais. Este efeito se chama branqueamento. Outras causas de degradação são a poluição das águas, a mineração de areia e rocha, o uso de explosivos e cianeto (ou outras substâncias tóxicas) em atividades pesqueiras e a própria pesca predatória e sem controle em suas áreas.
Para agravar a situação, o impacto ambiental negativo nos recifes de corais vem acompanhado de uma crise social, principalmente em relação às populações costeiras. Quase meio bilhão de pessoas vive num raio de 100 quilômetros de um recife de coral e muitos dependem deles para alimentação e geração de renda. Cerca de um quarto do pescado dos países em desenvolvimento, inclusive o Brasil, é proveniente de áreas de coral. Na Ásia, este pescado é a base da alimentação de um bilhão de pessoas. No Brasil, estima-se que cerca de18 milhões de pessoas dependem direta ou indiretamente desses ambientes.
Vale também ressaltar que os recifes de corais também protegem as praias da erosão e ajudam a produzir as areias finas que as tornam atraentes para o turismo, uma importante fonte de receita de muitos países tropicais. Em geral, os bens e serviços gerados pelos recifes foram avaliados, com dados de 1997, em US$375 bilhões anuais.
Ocorrência no Brasil e no mundo
Embora se encontrem corais em todos os oceanos, somente nas águas tropicais se desenvolvem os recifes. Eles são comuns na costa leste da África, no oceano Índico, no Atlântico e no Pacífico, especialmente na costa das Filipinas, Papua Nova Guiné, Polinésia, nordeste da Austrália e nas ilhas do leste australiano até o Havaí, zonas onde a temperatura média anual da água é superior a 20ºC no inverno. Os recifes estão ausentes ou são reduzidos nos limites das áreas tropicais, como na costa oeste da América do Sul e da África, devido às zonas de upwelling (interface entre o meio marinho e terrestre onde ocorre elevação de massas de água fria de áreas mais profundas) e à existência de correntes frias.
No Brasil, os recifes de coral se distribuem por aproximadamente 3 mil quilômetros da costa, do estado do Maranhão ao Sul da Bahia, mais especificamente Abrolhos, representando as únicas formações recifais do Atlântico Sul. Nessa área existem nove unidades de conservação, que protegem uma parcela significativa do ecossistema recife de coral.
Considerando a importância desses ambientes marinhos e, infelizmente, as altas taxas de degradação assistidas, o Governo Brasileiro, através da Diretoria de Áreas Protegidas (DAP – Ministério do Meio Ambiente) começou, em 1999, a implementar iniciativas com o intuito de formar uma Rede de Proteção nos Recifes de Coral. A primeira foi desenvolver um projeto, juntamente com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE, de mapeamento dos recifes existentes dentro das diversas unidades de conservação brasileiras. Este projeto teve como principal produto o “Atlas dos Recifes de Coral nas Unidades de Conservação Brasileiras”, uma publicação que foi pioneira ao disponibilizar mapas do ambiente recifal brasileiro, num total de 39 cartas.
A segunda iniciativa foi a concepção da Campanha de Conduta Consciente em Ambientes Recifais, cujo objetivo é divulgar regras de conduta a serem adotadas nas modalidades de turismo que envolvem os recifes de coral. A terceira iniciativa diz respeito ao estabelecimento do Projeto Piloto de Monitoramento de Recifes de Coral do Brasil, iniciado em 2002 e coordenado pela Universidade Federal de Pernambuco, com apoio financeiro do Ministério do Meio Ambiente
Assim como o peixinho Nemo no desenho, os recifes de corais são muito ricos em vida, mas também apresentam sua parcela de fragilidade. Só depende do homem, ao obter informações e colocar em prática atitudes sustentáveis, evitar que essa fragilidade se transforme em uma ameaça para o equilíbrio do ecossistema e de todo ambiente marinho.
Tipos de Recifes
Os recifes aparecem em diferentes tamanhos e formas, dependendo das condições hidrológicas e geológicas. Os tipos de recifes mais comuns são atol, recife barreira e recife de franja.
Os atóis têm a forma de um anel emergindo da água profunda, longe de terra firme, com uma lagoa no seu interior. Existem 425 atóis documentados no mundo e o maior deles é o de Kwajalein, nas ilhas Marshall, na Oceania.Os recifes barreira e de franja são muito parecidos. Ambos são adjacentes a massas de terra. A maior barreira de coral do mundo tem aproximadamente 2 mil quilômetros e situa-se ao longo da costa nordeste da Austrália.
Fontes: Ministério do Meio Ambiente, Conservation International e Naturalink
Leia mais: Global Coral Reef Monitorinng Network - http://www.gcrmn.org/
*Matéria publicada no Informativo do Instituto Ecológico Aqualung março/abril 2006
segunda-feira, maio 22, 2006
Por Jaqueline B. Ramos *
Inúmeras são as notícias que ouvimos sobre elas todos os dias. E, infelizmente, não são nada boas. Destacando as mais recentes, temos a temida Orca, conhecida como “baleia assassina”, ocupando cada vez mais o papel oposto ao significado de seu “apelido”. No final de 2005 pesquisadores noruegueses da ONG WWF chegaram à conclusão de que as orcas são os mamíferos que mais sofrem atualmente com a poluição no Ártico, ocupando o lugar dos ursos polares, que até então lideravam esse triste ranking. Nenhum outro mamífero ingere uma concentração tão grande de substâncias químicas maléficas produzidas pelo homem naquele ecossistema. Enquanto isso, a Sociedade pela Conservação das Baleias e Golfinhos (WDCS - Whale and Dolphin Conservation Society) afirma, segundo notícia divulgada em fevereiro, que o estoque de carne de baleia mantido pelo Japão é tão grande que o país começou a vendê-lo como comida para cachorro. “A WDCS espera que o uso manifesto de carne de baleia como ração para cães no Japão demonstre que o programa científico de caça às baleias é uma armação com motivações políticas”, disse a organização em seu site sobre a justificativa dada pelo país para dar continuidade à caça de baleias.
Não há dúvidas de que o Japão hoje é o país-vilão quando se trata da não- proteção às baleais. Apesar de ser proibida em nível mundial desde 1986, através de uma moratória internacional, a caça comercial às baleias continua a acontecer no país com a justificativa de fins científicos. A questão delicada da moratória é o fato de permitir aos países se auto-outorgarem licenças para a captura de baleias para pesquisas. O Japão abusa dessa norma e mata centenas de baleias por ano com o argumento da “pesquisa científica”. A carne e a gordura resultantes da “pesquisa” são vendidas livremente no mercado japonês. O grande desafio hoje é fazer com que o Japão pare de usar essa mentira para expandir sua caça comercial.
Leia a matéria completa aqui.
*Matéria publicada no Informativo do Insituto Ecológico Aqualung número 65 (maio/junho 2006)
quarta-feira, março 01, 2006

Peixe-Boi: Mamífero aquático brasileiro mais ameaçado de extinção
Por Jaqueline B. Ramos*
As notícias mais recentes sobre a seca na Amazônia evidenciaram um problema que, infelizmente, já é antigo: o alto número de mortes de animais, entre eles o peixe-boi. Além da seca, da poluição e de outros problemas conseqüentes do desequilíbrio ambiental dos ecossistemas, outro grande inimigo do peixe-boi, que ainda o faz constar na lista de espécies brasileiras ameaçadas de extinção, é a caça predatória. Acredite ou não, ainda existem pessoas que caçam indiscriminadamente e de forma covarde esse animal para uso do couro, da gordura (para obtenção de óleo) e consumo da carne.
No Brasil existem dois tipos de peixe-boi: o amazônico, também conhecido como manati, e o marinho. O primeiro vive nas águas doces dos rios da bacia amazônica e o segundo no mar, nas regiões Norte e Nordeste. A caça desses animais é oficialmente proibida desde 1971, mas na prática ela ainda acontece (em algumas regiões da Amazônia a carne de peixe-boi é muito apreciada). E o pior: de uma forma muito cruel. Quando vai até a superfície para respirar ou se alimentar, os caçadores colocam rolhas nas narinas do peixe-boi com o intuito de sufocá-los. Normalmente o animal mergulha assustado e acaba morrendo afogado (se ficar na superfície, é morto a pauladas).
*Matéria publicada no informativo do Instituto Ecológico Aqualung (edição 64 - janeiro/fevereiro 2006)
quinta-feira, fevereiro 16, 2006

“I’d rather be here than in Alaska”
Boicote contra caça aérea de lobos no Alasca. O Governo do estado norte-americano dá licenças e define novas regras para o "jogo". Sem comentários...
Veja mais em http://www.boycott-alaska.org/

O SALVADOR PROCURA UM BOM LAR!
O IVVA Campinas - Instituto para Valorização da Vida Animal - faz um trabalho de recolhimento e promoção de adoção de cachorros e gatos resgatados na rua e/ou vítimas de maus tratos. A filosofia do trabalho é divulgar práticas éticas de cuidados com animais e o conceito da posse responsável.
O Salvador (foto acima) é um vira-lata lindo e muito carinhoso que está sendo cuidado pelo IVVA. Ele anda meio deprimido, pois já deixou de ser adotado várias vezes por ter uma cicatriz no dorso decorrente de um ferimento grave que tinha quando foi resgatado. É um ótimo cão de companhia para crianças e adora contato com pessoas. O Salvador é um dos animais que estão sendo cuidados pelo IVVA até conseguir um bom lar. Veja abaixo o anúncio e conheça outros animais para doação no site da instituição - www.ivva-campinas.org.br.
Vamos dar uma mãozinha para o Salvador. Esse cão, tão meigo e carente, está no canil da clínica da Dra. Renata há 7 meses (desde julho de 2005). Ele chegou lá com uma ferida com centenas de larvas de moscas, muito mal e por um triz não morreu. Foi a dedicação de muita gente e a garra do Salvador que o livraram da morte certa. Agora ele está bonito, chique mesmo, e ganhou até uma cirurgia plástica da Dra. Renata prá fechar o buraco que as larvas lhe deixaram no dorso. Só lhe falta uma família. Ele fica abanando o rabo cheio de amor prá dar quando alguém chega no canil para escolher um novo amigo.
Mas como todo bicho já grandinho, vê sempre meio sem graça um vizinho seu ainda filhotinho ser escolhido para ganhar colo e carinho. É claro que fica contente por esse amiguinho mas, a cada dia que passa, o Salvador vai perdendo as esperanças e fica muito triste e desanimado. Nós, do Instituto para a Valorização da Vida Animal (IVVA), não queremos mais ver tanta tristeza no olhar do Salvador e vamos divulgá-lo até que alguém com um coração muito grande escolha adotar esse bicho tão especial.
Ele já é castrado, vacinado e vermifugado. Tem aproximadamente um ano e meio de idade e temperamento dócil e alegre. Ele quer um lar cheio de gente carinhosa, comida gostosa e água fresquinha, tudo que todo animal deveria ter.
Vamos lá então: vamos dar a maior força para o Salvador, pois ele é tudo de bom mesmo. Os interessados em adotá-lo devem ligar para (19) 9777-4874.
Este anúncio na Internet: http://sites.mpc.com.br/holvorcem/caes/Salvador.html
Repasse este endereço para pessoas que gostem de cães!
terça-feira, fevereiro 14, 2006

Indivíduo da espécie Leopardus pardalis. Colocação de colar para monitoramento em habitat natural(ONG Pró-Carnívoros)
A reintrodução de animais silvestres no seu habitat
Por Jaqueline B. Ramos*
A vontade de qualquer pessoa que se depara com um animal silvestre vítima de maus-tratos ou apreendido em ações de tráfico é devolvê-lo, o mais rápido possível, para a natureza. Mas o que muitos não sabem é que esta não é a melhor atitude a se tomar. Nem para o animal e nem para o meio ambiente. O trabalho de levar fauna de volta a seu hábitat natural consiste na reintrodução, que por sua necessária complexidade técnica e científica deve ser feita por especialistas e passa a ser um instrumento de conservação da biodiversidade do ambiente que está recebendo o animal.
“Animais de cativeiro ou apreendidos no tráfico não podem ser simplesmente soltos na natureza; essa ação aleatória pode causar danos para a conservação do ambiente e o manejo da espécie e, por exemplo, pode ocorrer mistura de populações com incompatibilidades genéticas” explica o biólogo da Universidade Estadual do Maranhão Tadeu G. de Oliveira, coordenador do Programa de Reintrodução de Felinos do Instituto Pró-Carnívoros, membro do grupo de Especialistas em Felinos da IUCN (The World Conservation Union) e co-diretor da Aliança para Conservação dos Felinos Sul-Americanos.
Leia a matéria completa
*Matéria publicada na revista ECO21 (edição novembro 2005)
segunda-feira, outubro 31, 2005

De volta ao Ambiente (-se) ...
A preguicinha (filhote mesmo) acima achava que aquele domingo de janeiro iria ser como outro qualquer. Temperatura alta, muita chuva. Verão na Amazônia...
Mas sem saber explicar exatamente o que aconteceu, de repente as árvores foram se distanciando (tudo bem, não eram tantas assim, mas até que dava para morar bem nelas...). Em vez de um tronco, a preguicinha teve que se agarrar num objeto rosa-encardido, que não tinha um cheiro muito diferente de árvore. E, além disso, tinha um outro bicho, que ela reconheceu como sendo da espécie humana, que ficava balançando com força esse objeto rosa.
"O que será que ele quer comigo? Será que devo ficar com medo?", pensou a preguicinha.
E concluiu que devia: alguns poucos minutos depois de ter sido bruscamente desambientada, a preguicinha reconheceu outros dois humanos cabeludos falando com aquele que balançava o objeto rosa. Para piorar, esses dois andavam muito mais rápido, dentro de alguma coisa que também não parecia nada com uma árvore.
"Eu só quero voltar para as minhas árvores. Socorro!", a preguicinha, já com muito medo, começou a gritar.
Já muito assustada e em desespero, a preguicinha de repente caiu no chão. Que horrível! Não era terra e estava muito duro. Um dos humanos cabeludos a agarrou e ela não viu outra alternativa a não ser usar suas garras para arranhá-lo. O outro também tentou pegá-la, e mais uma vez, e muito a contragosto, ela usou as garras novamente. Só para assustar... Mas já era tarde demais. Quando se deu conta, a preguicinha estava no colo de um e do lado de outro dentro de um objeto fechado (ela nem acreditou quando depois disseram para ela que provavelmente aquilo devia ser um carro, uma forma que os homens acharam de andar mais rápido. 'Por que mais rápido, hein?!"ela teria perguntado).
Bom, dentro de um negócio que depois veio a saber o que era (embora não entendesse para que servia) e com dois humanos cabeludos, a preguicinha já estava prestes a desistir, achando que seria seu fim. Mas, surpreendentemente, ela até foi conseguindo ficar mais calma. Ela nunca soube explicar porque conseguiu relaxar, mas ela sentiu que, como ela, aqueles humanos também estavam procurando algumas árvores para se ambientar.
Mas demorava muito. A preguicinha, já bem mais relaxada, mas muito cansada, não aguentou e chegou a dormir. E sonhou que aquele colo na verdade era a sua árvore, aquela preferida entre todas as da floresta. O sonho foi uma delícia... ela perdeu a noção de quanto tempo sonhou.
Ainda sonhando começou a sentir, cada vez mais perto, cheiro de árvores. Muitos cheiros diferentes, mas todos de árvore. O seu ambiente. Quando acordou (pasmem!) ela estava de frente para uma árvore mesmo. Sem pensar duas vezes e com a velocidade que lhe é peculiar, a preguicinha deixou o colo do humano e abraçou a árvore. Depois, como mostra a foto, esticou um dos 'bracinhos' e ficou esperando aqueles dois humanos cabeludos que também procuravam as árvores. Ela esperou alguns minutos e não demorou muito para perceber que eles não iriam junto com ela para as árvores. Que pena...
"Talvez eles tivessem que voltar para andar mais rápido", lamentou. Deu um último tchau e se voltou, definitivamente, para seu ambiente. Subiu até a copa da árvore, até perder de vista.
Relato baseado em uma história real de ajuda dada a um filhote de bicho-preguiça, o da foto, que, sei lá por que cargas d'água, estava pendurado numa bolsa velha de um mendigo em plena avenida movimentada da cidade de Manaus. Eu e Fábio, em janeiro de 2005.
Por Jaqueline B. Ramos*
“Tire apenas fotografias, deixe apenas leves pegadas e leve para casa apenas suas memórias”.
Este é o princípio básico do ecoturismo, versão ecológica e ambientalmente correta da (potencialmente) impactante atividade de turismo. Apesar de ser um conceito relativamente novo __ o primeiro documento sobre turismo ecológico oficializado pelo Programa de Meio Ambiente da ONU, a Carta de Quebec, foi editado em 2002 __, o ecoturismo vem sendo progressivamente difundido e ganhando adeptos em vários países. Entre eles o Brasil.
Leia a matéria completa
*Matéria publicada no informativo do Instituto Ecológico Aqualung n. 55 (maio/junho 2004)
sexta-feira, outubro 21, 2005
Por Jaqueline B. Ramos*
A maior descoberta da reflexão e estudo sobre meio ambiente é que tudo (tudo mesmo) à sua volta, inclusive você, está dentro dele (ou é ele). Essa afirmação parece tão óbvia que corre o sério risco de chegar ao ponto de perder sua importância. Pode cair na armadilha de virar "papo de ecologista, aquele cara chato". E foi numa armadilha muito similar, mas cujas causas são assunto para outro artigo, que caiu e se enraizou o homem, a nossa cultura, o nosso costume "europizado" de considerar a natureza como fonte inesgotável de recursos. A lei da filosofia do capitalismo, que tem como principal regra o quanto mais melhor, não importam as consequências.
É nesse contexto gerador de desequilíbrios e desigualdades socioambientais que se enquadra a importância do que ousaria renomear de comunicação e educação ambiental. Longe de ser uma disciplina que ensine ecologia para estudantes de primeiro e segundo graus, a Educação Ambiental diz respeito a um grande ensaio para a reorientação do pensar e do agir no cotidiano. Para todos, professores e alunos. Consistiria na descoberta de novos e abertos modelos, onde em vez de professores formais que levam o conhecimento - haveriam orientadores que trocam experiências com os alunos. O principal instrumento seria a comunicação, a arte de falar, ouvir e trocar informações e experiências. A difícil arte de viver bem com o diferente.
Educação ambiental não é assunto para ser discutido somente por profissionais educadores, embora esses, com certeza, sejam importantes agentes no processo de reeducação para uma nova ética de relação com o cotidiano, com o mundo. É assunto para se refletir na família, com o vizinho, com os amigos, na empresa, na igreja, nos jornais, enfim, no cotidiano. Esse é o caminho que levará, na minha opinião a médio e longo prazo, a mudanças em costumes que precisam ser aprimorados, do contrário o planeta e os seres vivos não comportarão tamanhos excessos e desperdícios. É comprovado, demonstrado e vivido tanto científico como filosoficamente.
Uma nova ética de relação com o mundo, que é construída a partir de uma percepção mais apurada do ambiente em que se vive, é a base de funcionamento e aplicabilidade da Educação Ambiental. As sensações geradas por esse estilo mais flexível e democrático de educação podem levar a pensamentos muito mais práticos do que temos hoje na área ambiental. Percebendo e respeitando o ambiente, seu funcionamento e seus agentes, o diagnóstico de problemas a serem sanados e suas possíveis soluções são mais facilmente alcançadas. Ou seja, a Educação Ambiental, a meu ver, proporciona um pensamento mais ligado à ação e à prática, oferecendo como resultado, a curto, médio ou longo prazo, variando de caso a caso, a efetiva melhoria da qualidade de vida. Vale lembrar que falar em meio ambiente é, antes de tudo, falar sobre melhoria da qualidade de vida.
Um parágrafo do texto da pedagoga Marlene Osowski Curtis, no livro "Verde Cotidiano", é muito simples e inteligente e acredito que pode se aplicar a qualquer profissional, professor ou não, que está ciente dessa necessidade de mudanças e de busca de novos conceitos na arte de educar: "Para construir uma escola que prepare o indivíduo para a vida, os professores devem sempre procurar horizontes mais amplos. Daí a necessidade de se soltarem, desprenderem-se da rotina escolar e das obrigações que às vezes sufocam o processo educativo". A consciência e o entedimento dessa idéia, o que pode ser difícil, mas não é impossível, é o primeiro passo para entrarmos na longa estrada da comunicação e educação ambiental.
*texto feito para trabalho de Educação Ambiental do curso de especialização em Planejamento Ambiental/UFF-RJ/2000
quinta-feira, outubro 20, 2005
Fotografia 



