sexta-feira, julho 13, 2007

Foto: www.sodepaz.org

Consumo consciente: uma opção, acima de tudo, inteligente

Por Jaqueline B. Ramos*

O argumento de que o planeta está sendo destruído por conta e risco do próprio homem pode parecer para alguns como algo ainda distante. Você sabe que está envolvido nos problemas ambientais, mas não sabe exatamente o que pode fazer para evitá-los ou, pelo menos, minimiza-los. A boa notícia é que a contribuição que cada um pode dar parte de um ato feito automaticamente todos os dias: o consumo. O pulo do gato é justamente passar a refletir sobre este ato, adotando uma postura de consumo consciente.

Como o próprio nome já diz, um consumidor consciente é aquele que reflete sobre suas escolhas e procura, no seu cotidiano, fazer opções por produtos e serviços que tenham características mais sustentáveis. Estas escolhas e opções vão desde a reavaliação da quantidade de produtos adquiridos até a análise das empresas das quais vai comprar em função de sua responsabilidade social, passando por economia de água e energia e reaproveitamento e reciclagem do que antes era considerado apenas lixo para ser descartado em aterros muitas vezes sem tratamento.

Um dos pilares do consumo consciente é pensar de forma inteligente no descarte de resíduos (lixo) gerados no dia-a-dia. Esta idéia pode ser resumida em um conceito chamado de 5Rs. O primeiro R é o da reflexão (refletir profundamente sobre o que é realmente necessário para nosso bem-estar, evitando consumo excedente). O segundo diz respeito a recusar (coragem de recusar o consumo de produtos desnecessários ou supérfluos). O terceiro é de reduzir (ponderação para reduzir o consumo dos produtos necessários). O quarto significa reutilizar (decisão de reutilizar embalagens e outros produtos, renovando seus usos tanto quanto possível, aumentando sua vida útil e retardando o seu descarte). E finalmente o quinto diz respeito à famosa reciclagem (iniciativa de encaminhar todos os produtos utilizados e, quando possível, reutilizá-los para a reciclagem).

A importância e papel fundamental do consumo consciente para a construção de um mundo mais justo e equilibrado são reforçados quando analisamos os números atuais sobre a saúde do planeta. Estima-se que se o atual ritmo de exploração continuar, em um século não haverá fontes de água ou de energia, reservas de ar puro nem terras para agricultura em quantidade suficiente para a preservação da vida.

Atualmente, mesmo com metade da humanidade situada abaixo da linha de pobreza, já se consome 20% a mais do que a Terra consegue renovar. Se a população do mundo passasse a consumir como os norte-americanos, por exemplo, seriam necessários mais três planetas iguais a este para garantir produtos e serviços básicos como água, energia e alimentos. O consumo consciente vai justamente na contra-mão deste modelo descompromissado, marcado pela falta de análise racional dos produtos e serviços e pela cultura do descartável e do desperdício.

Vantagens para o planeta, para o bolso e para a saúde

Não é difícil concluir que as vantagens do consumo consciente se refletem no equilíbrio do planeta e também do seu bolso. Os atos de refletir sobre o que comprar, recusar produtos supérfluos, reduzir de uma forma geral o consumo e reutilizar o que for possível resultam, por si só, em economia. Em outras palavras, usar racionalmente água e energia, seja na iluminação em casa ou em combustível nos carros, reaproveitar alimentos, entre outras atitudes (veja dicas práticas para o dia-a-dia no box) levam a um gasto médio mensal menor.

E se não bastasse, além de toda a vantagem ambiental e econômica, o consumo consciente também faz bem para a saúde do consumidor. O estudo Diet, Energy and Global Warming (Dieta, Energia e Aquecimento Global), lançado no ano passado pela Universidade de Chicago (Estados Unidos), demonstra que hábitos alimentares mais saudáveis contribuem para a sustentabilidade do planeta. O consumo variado de frutas, legumes e verduras é mais saudável e sustentável do que uma alimentação baseada somente em alimentos gordurosos e carne vermelha. Para citar um exemplo, são necessários nada mais nada menos do que 20 mil litros de água para produzir apenas um quilo de carne.

O estudo americano também provou que uma dieta com perfil mais vegetariano (evitando o consumo exacerbado de carnes) consiste numa forma simples de consumir sem agredir o meio ambiente, enquanto hábitos alimentares com predominância de comida industrializada e proteína animal contribuem diretamente para o agravamento de problemas ambientais, inclusive o tão temido aquecimento global.

A produção, estocagem e conservação de alimentos enlatados, embutidos e fast-food - todos com processamento industrial - é responsável por cerca de 20% da queima de combustíveis fósseis (derivados do petróleo) nos Estados Unidos. Ou seja, uma dieta pouco saudável para o homem também é responsável por uma emissão significativa de gases de efeito estufa, donde conclui-se que o consumidor consciente pode, por meio de sua escolha alimentar, contribuir para não aprofundar o problema de mudanças climáticas.

Depois disso tudo, alguma dúvida de que o consumo consciente é uma opção, no mínimo, inteligente?! Veja algumas dicas práticas de consumo consciente e leia a entrevista de Maluh Barciotte, consultora do Instituto Akatu, que fala sobre o perfil do consumidor consciente e a influência na mudança de modelos de produção insustentáveis.

Veja mais detalhes sobre cada uma dessas dicas no site do Instituto Akatu (http://www.akatu.net/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=19)

Fontes: Livro “Como Cuidar do seu Meio Ambiente” e Instituto Akatu

Entrevista: Maluh Barciotte, consultora do Instituto Akatu

O Instituto Akatu é uma organização não-governamental e foi criado em 15 de março (Dia Mundial do Consumidor) de 2001. A palavra “Akatu” vem do tupi e significa, ao mesmo tempo, “semente boa” e “mundo melhor”. Ela traduz a idéia de que o mundo melhor está contido nas ações de cada indivíduo. A missão do Akatu é conscientizar e mobilizar o cidadão brasileiro para o seu papel protagonista, enquanto consumidor, na construção da sustentabilidade da vida no planeta. Maluh Barciotte é uma das consultoras do instituto e deu a seguinte entrevista para a Revista do IEA:

IEA: Qual é o perfil de um consumidor consciente?
Maluh: O mundo hoje exige que você repense suas ações e o consumidor consciente é o cidadão que faz isso. Ele tem consciência dos atos das práticas de consumo e dos impactos causados, num longo prazo, para o meio ambiente, para a sociedade, para a economia e para ele mesmo. Por isso age tendo como referência três pilares de reflexão e atuação: a compra, o uso e o descarte. A partir do momento que as pessoas percebem que o que faz mal para sua vida pessoal também faz mal para o planeta, o consumo consciente passa a ser visto como uma oportunidade, e não como um sacrifício ou um problema.

IEA: Qual é o primeiro passo para se tornar um consumidor consciente?
Maluh: O consumo consciente nasce da idéia de refletir sobre o consumo. O primeiro passo é perceber que muitos produtos são consumidos apenas porque são oferecidos, e não exatamente porque você precisa deles. Outra questão que o consumidor consciente deve ter em mente é a da visão integradora, aquela que percebe as interdependências sistêmicas entre o físico, o social, o econômico, o social etc, que é a idéia da sustentabilidade. Daí ele se dá conta da importância das suas ações cotidianas e vê que tudo está interligado.

IEA: O consumo consciente tem realmente poder de mudar modelos de produção insustentáveis?
Maluh: As ações cotidianas têm influência na mudança de modelos de produção e também de políticas públicas. É o que chamamos de pedagogia do cotidiano: muitas pessoas fazendo juntas num longo tempo e criando novos modelos. Se a demanda for por produtos mais conscientes, com certeza a indústria vai ser obrigada a mudar. O que acontece hoje é que o consumidor em geral ainda não tem o hábito de investigar e exigir informações mais detalhadas sobre o produto ou serviço que está comprando.

IEA: Mas o Akatu percebe algum avanço nesta percepção de consumo mais consciente?
Maluh: Sim, felizmente percebemos que cada vez mais informações estão sendo divulgadas, refletindo em alguns resultados. No ano 2000 fizemos uma pesquisa com 1000 pessoas perguntando “O que é uma empresa com responsabilidade social?”. Cerca de 41% responderam que é a que está dentro da lei e 35% afirmaram que é aquela que, além de estar dentro da lei, contribui com ações para construir uma sociedade melhor. Em 2005 repetimos a mesma pesquisa e o resultado foi melhor: 64% dos participantes optaram pela alternativa que vai além da obrigação da lei. A consciência em relação a este assunto está crescendo.


*Matéria publicada na edição n. 73 da Revista do Instituto Ecológico Aqualung (maio-junho 2007).



Curtas

Por Jaqueline B. Ramos *

Japão em baixa

Duas notícias, uma boa e uma ruim, colocam o país do sol nascente em baixa. A boa é que a última reunião da Comissão Internacional Baleeira (CIB), realizada no mês de maio, manteve a proibição da caça comercial de baleias. Isso significa que o enfrentamento feito em 2006 com uma resolução simbólica liderada por países pró-caça, entre os principais representantes o Japão, não vingou no seu objetivo de “proibir a proibição”. A caça dos cetáceos é proibida há 21 anos e agora em 2007 ganhou mais um reforço frente às pressões: a afirmação de que não haverá mudanças nas restrições ao comércio de derivados de baleias regulamentado pela CITES - Convenção Internacional de Comércio de Espécies Ameaçadas.

A notícia ruim diz respeito aos elefantes. Enquanto a CITES “não bate o martelo” na proposta de proibição definitiva do comércio de marfim, o Japão continua sendo uma praça interessante para os comerciantes africanos por sua falta de controle e regulamentação interna, representando assim uma ameaça direta para a população de elefantes da África. A afirmação vem do próprio país, mais precisamente da ONG japonesa JWCS (Sociedade para a Proteção da Vida Silvestre). Pelos termos de um acordo do ano de 2000, o Japão pode receber, a título extraordinário, 60 toneladas de marfim como único importador legalmente autorizado pela CITES. Entretanto, a ONG aponta muitos casos de contrabando para o país, caracterizando um crescente comércio ilegal que deve ser combatido com novas e rígidas regras.

Macacos em perigo

Nossos parentes mais próximos no mundo animal, os primatas, correm sério risco de extinção. A afirmação é de Richard Leakey, um dos mais conhecidos ambientalistas do mundo e atual presidente da organização Wildlife Direct. Segundo Leakey, gorilas, chimpanzés e outros símios estão expostos aos efeitos combinados da caça, das doenças e do desmatamento e ainda a mais um perigo: o uso crescente de biocombustíveis, que aumentou a pressão para o desmatamento das florestas tropicais, principal habitat destes animais. Ironicamente, o consumo cada vez maior dos combustíveis considerados alternativos pode acelerar o desaparecimento de toda uma geração de 50 mil macacos que habita o planeta.

Leakey fez um apelo aos políticos e citou alguns exemplos, entre eles o do Sudeste Asiático, onde cerca de 80% do habitat dos orangotangos foram arrasados nos últimos 20 anos pela demanda crescente de terrenos para produção de óleo de palma. “É necessário que o novo tratado internacional para regular as emissões de CO2 se concentre mais nos incentivos para conservar as florestas tropicais do Sudeste Asiático, da África, da América Central e da América do Sul”, alertou.

Contra o aquecimento 1: na cozinha

A luta contra o aquecimento global chegou na cozinha. Na Califórnia (EUA), a chef Laura Stec e o professor de meteorologia da Universidade de San José Eugene Cordero criaram a Global Warming Diet (Dieta do Aquecimento Global). A nova dieta vai além da proposta de redução de peso com o corte de gorduras e açúcares. Ela propõe a redução da emissão de gases de efeito estufa ao estimular o consumo de alimentos típicos de cada região e obtidos através de agricultura orgânica. O livro com as receitas será lançado em 2008.

A idéia da dieta nasceu do fato da produção de alimentos utilizar uma grande quantidade de energia. De acordo com um estudo de 2006 da Universidade de Chigaco, este processo representaria 17% do total de consumo de energia de combustíveis fósseis nos Estados Unidos. Outra questão ressaltada é a redução do consumo de carne. Segundo um relatório recente das Nações Unidas, a pecuária é responsável por 18% das emissões de gases que provocam o efeito estufa. Segundo os idealizadores da dieta, uma alimentação mais consciente tem capacidade de reverter estes índices. Não custa nada tentar...

Contra o aquecimento 2: no mercado de carbono

No mesmo momento em que a ONU divulga a notícia que as emissões de gases de efeito estufa pelos principais países industrializados aceleraram desde 2000, o maior poluidor mundial continua resistente à política de redução de emissões decorrentes de combustíveis fósseis. Os Estados Unidos continua sendo o único país do grupo G8 que não apóia o Protocolo de Kyoto e para piorar, recentemente rejeitou uma proposta européia para deter as mudanças climáticas no mundo com limites de emissões de carbono ao estilo do protocolo.

Na via oposta, a Rússia, terceiro país que mais polui, surpreendeu ao dar o primeiro sinal verde para as negociações no mercado global de carbono. O país é o maior fornecedor de gás e petróleo da União Européia e dentro do mercado de carbono pode ser uma fonte barata de créditos para países desenvolvidos que precisam cumprir metas de redução das emissões de dióxido de carbono. O Fundo de Carbono da Rússia, desenvolvedor de projetos, avalia o mercado em 350 milhões de toneladas, mas ressalta que o país ainda precisa avançar na definição de diretrizes e no desenvolvimento de operações.

Mais proteção para a Mata Atlântica

Depois de muita argumentação e demonstração em fatos e dados, o Ministério do Meio Ambiente finalmente começou a planejar o aumento de áreas protegidas no bioma brasileiro mais ameaçado. Pretende-se acrescentar aos trechos da floresta sob proteção federal uma área equivalente a quase duas vezes o Distrito Federal. A Mata Atlântica tem 1,2 milhões de quilômetros quadrados, dos quais 31 mil são de floresta preservada. O objetivo é aumentar esse número em 31% nos próximos anos com a criação de novas unidades de conservação ou com a ampliação das já existentes. “Temos uma lacuna muito grande de áreas protegidas no bioma. Apenas 3% são compostos por unidades de proteção integral, quando o ideal seria pelo menos 10%. Estamos trabalhando para atingir essa meta”, diz o coordenador do Núcleo Mata Atlântica da Secretaria de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, Wigold Schäffer.

Ar poluído X bomba nuclear

Numa disputa entre o ar poluído das grandes cidades e a radiação emitida por uma bomba nuclear, a poluição se mostra a mais perigosa para a saúde do homem. A conclusão é de uma pesquisa da revista científica BMC Public Health divulgada em abril. O estudo concluiu que os sobreviventes do acidente na usina nuclear de Chernobyl, em 1986, e das bombas atômicas que atingiram Hiroshima e Nagasaki, em 1945, sofrem conseqüências parecidas ou até menos nocivas do que aquelas que vivem em áreas poluídas. O autor da pesquisa, Jim Smith, afirmou que as pessoas que optaram por viver na zona de exclusão ao redor de Chernobyl podem sofrer menos problemas de saúde do que as que decidiram se mudar para uma cidade grande próxima, como Kiev, devido aos níveis de poluição.

Ranking da paz

No ranking da paz no mundo, a Noruega, a Nova Zelândia e a Dinamarca estão no topo da lista. O levantamento foi feito pela consultoria britânica Economist Intelligence Unit (EIU) e foram analisados 121 países. O Brasil aparece em 83º lugar e na América Latina ocupa a 14ª posição. Os países com pior desempenho foram Iraque, Sudão e Israel. O ranking, que segundo a EIU é inédito, foi realizado tendo como base 24 indicadores, entre eles níveis de violência, crime organizado e gastos militares. Os Estados Unidos, por exemplo, ficou na 96ª posição devido a este último fator. Também foram analisados fatores sociais como democracia, transparência, educação e entendimento dos determinantes que criam ou sustentam a paz.

Disque Óleo Vegetal

Se você não sabe o que fazer para descartar corretamente o seu óleo de cozinha usado, no Rio de Janeiro já existe um serviço que te dá a solução. É o Disque Óleo Vegetal, uma cooperativa que recolhe óleo e gordura de todo tipo em residências e restaurantes. Basta juntar o material em garrafas pet de dois litros e ligar para a cooperativa, que faz o recolhimento sem cobrar nada – aliás, para quantidades acima de 300 litros é feito inclusive um pagamento. Descartando óleo usado com a ajuda da cooperativa, em vez dele ser jogado no ralo da pia e acabar poluindo rios, o resíduo é reutilizado na fabricação de sabão e outros produtos de limpeza. O Disque Óleo Vegetal atende pelos números (21) 2260 3326, 7827 9446 e 7827 9449.

Turismo sustentável no velho Chico

Em meio às discussões de transposição, a bacia hidrográfica do Rio São Francisco ganhou um plano de ações estratégicas para o desenvolvimento de um turismo de forma sustentável na sua área. O plano foi elaborado durante quatro anos pela Secretaria de Desenvolvimento Rural Sustentável do Ministério do Meio Ambiente, com participação de 750 pessoas. Um levantamento prévio identificou 223 municípios ao redor do São Francisco com potencial para o turismo. Entre os atrativos estão o próprio rio, as usinas hidrelétricas, as represas, a agricultura irrigada para o cultivo de frutas, arqueologia e a própria cultura sertaneja. A estratégia de turismo sustentável na área do velho Chico prevê 385 ações, mais de 30% delas voltadas para a infra-estrutura, com investimentos de cerca de R$ 13 milhões. A maior parte dos municípios selecionados pelo plano tem carências na área de saneamento básico e de início há a previsão de implantação de sistemas de tratamento de esgoto nas cidades às margens do rio.

Falta de tubarões

A revista científica Science publicou um estudo que confirma o que muitos biólogos marinhos já vinham avisando. A cadeia alimentar dos oceanos está em colapso por conta da queda da população de grandes tubarões. Na costa atlântica dos Estados Unidos, por exemplo, houve impacto na quantidade de mariscos e na qualidade da água. A eliminação das espécies maiores, como o tubarão-tigre e o de pontas negras – causada principalmente pelo mercado ilegal de suas barbatanas -, provocou um aumento desenfreado da população de tubarões menores e arraias, que tinham a função de alimento. Os tubarões são “os reis dos animais” no oceano, os predadores superiores e por isso desempenham um papel importante na estabilização de ecossistemas. Sua eliminação produz o que se conhece como “cascata trófica” ou alimentar, causando um severo desequilíbrio no habitat.

Navegação com luz solar

A primeira viagem transatlântica alimentada exclusivamente pelo sol foi concluída em Nova York no mês de abril. O barco apelidado de “sun 21”, construído na Suíça, começou sua viagem seis meses antes em Chipiona, na Espanha. Depois de percorrer 13 mil quilômetros passando pelo Caribe e por toda a costa americana, chegou em Nova York com um saldo de 2.000 kW-h de energia solar gerados ao longo do percurso. A viagem alternativa foi possível graças a uma cobertura de painéis fotovoltaicos montada sobre a estrutura de dois cascos. A energia solar foi usada para alimentar os motores elétricos da embarcação e o excedente era armazenado em baterias, permitindo uma velocidade constante de 56 nós (de 10 a 12 km/h) durante dia e noite.

Água da Coca-Cola

Num programa junto com a WWF, a Coca-Cola se comprometeu de restituir à natureza toda a quantidade de água que utiliza. "Nossa meta é devolver cada gota de água empregada em nossas bebidas e em sua produção. Isto significa reduzir a quantidade de água que utilizamos, reciclar a água usada na fabricação e devolver a água às comunidades e à natureza", disse em Pequim o presidente do multinacional, Neville Isdell. O programa da Coca-Cola com a WWF tem um custo previsto de US$ 20 milhões e visa também adotar medidas para reduzir emissões de CO2 durante a fabricação das bebidas. Cerca de 40% da água utilizada pela companhia (290 bilhões de litros em 2006) são para as bebidas e o restante é usado nos processos produtivos, como limpeza, calefação e esfriamento.

Chimp-free

Os Estados Unidos marcou mais um ponto a favor da ciência na relação ética com os animais. Em maio, o Instituto Nacional de Saúde (NIH) do país anunciou que vai parar de criar chimpanzés para utilização em pesquisas médicas governamentais. A conquista foi amplamente divulgada e comemorada pela organização de defesa dos direitos dos animais The Humane Society. Em comunicado oficial à imprensa, o NIH declarou que a despesa de US$ 500 mil anuais gasta com o cuidado dos animais em cativeiro, que têm expectativa de vida de cerca de 50 anos, pode ser usado para o desenvolvimento de novos programas. "A decisão constitui um enorme passo rumo a um futuro em que não se utilizarão mais os chimpanzés para pesquisas e testes", disse Kathleen Conlee, diretora do programa de animais utilizados para pesquisa da Humane Society, especulando que a decisão pode ter sido adotada também por motivos éticos.

Fontes: BBC Brasil, Ambiente Brasil, Terramérica, Agência Fapesp, ENN (Environmental News Network)

*Notas publicadas na edição n.73 da revista do Instituto Ecológico Aqualung (maio-junho 2007)

segunda-feira, junho 25, 2007

Entrevista: Jim Mason, advogado e escritor. Co-autor, com Peter Singer, do livro "A Ética na Alimentação".

“O vegetarianismo é uma opção ética muito importante para construirmos um mundo mais justo e equilibrado”

Por Jaqueline B. Ramos *

O americano Jim Mason começou a levantar críticas éticas sobre métodos e técnicas de exploração de animais em fazendas de produção no final da década de 60, quando se formava em Direito e trabalhava em Nova Iorque. Membro da quinta geração de uma família de fazendeiros do estado do Missouri, o então recém-advogado chegou à conclusão de que os animais eram criados de uma forma muito diferente daquela que vivenciou na sua infância. Esta percepção despertou o interesse pela pesquisa e busca de alternativas mais éticas de tratamento dos animais criados para fins de alimentação em fazendas de produção. E desde então este interesse não parou de crescer e se tornou, conforme ele mesmo diz, “numa experiência de mudança de vida”. Há 32 anos Mason é um vegano que só aceita opções vegetarianas em situações em que os anfitriões são pessoas conscientes.

Interesses e amigos em comum fizeram com que Mason conhecesse Peter Singer (autor de “Libertação Animal”, considerado o precursor do movimento de defesa dos direitos dos animais) em 1974. A parceria e as pesquisas em conjunto resultaram, seis anos depois, no livro “Animal Factories”. E agora, no início de 2007, Mason e Singer lançaram o resultado de mais um projeto em “A Ética da Alimentação: como nossos hábitos alimentares influenciam o meio ambiente e o nosso bem-estar” (editora Campus, 352 páginas). Resultado de cinco anos de pesquisa, o livro se propõe tanto a apresentar informações éticas como idéias práticas (e muitas vezes simples) de compras e consumo mais conscientes. Para tal os autores acompanharam os hábitos alimentares de três famílias americanas e destrincharam os pouco conhecidos bastidores dos cardápios, que na maior parte das vezes são caracterizados pela crueldade típica de métodos de criação de animais em fazendas de larga produção.

“Nossa maior conclusão neste projeto é que as pessoas devem conhecer detalhes de como suas escolhas alimentares afetam os animais, elas mesmas e o meio ambiente para que a partir daí tenham mais discernimento para mudar suas opções considerando suas próprias conclusões éticas”, diz Mason. Nesta entrevista à Revista dos Vegetarianos, o parceiro de Peter Singer fala sobre a relação do vegetarianismo com a construção de um mundo mais equilibrado, os problemas ambientais agravados por práticas de fazendas de produção e o importante papel do consumidor em prol de modelos mais éticos de alimentação.

Na sua opinião, a ética na alimentação está diretamente ligada ao vegetarianismo e ao veganismo? Para um mundo mais justo em termos de ética com animais e equilíbrio ambiental, todos deveriam ser vegetarianos?

Sim, sem sombra de dúvidas o vegetarianismo é uma opção ética muito importante para construirmos um mundo mais justo e equilibrado. O consumo de carne feito por milhões de pessoas é sinônimo, para os animais, de uma vida inteira de violência em fazendas e mortes cruéis e covardes em abates. O cultivo dos alimentos que compõem a dieta vegetariana afeta um número minúsculo de animais e de forma indireta, como, por exemplo, insetos ou pássaros que possam vir a ser impactados dentro do processo natural em produções orgânicas de soja. Além disso, se caracteriza pelo uso de menos terras e fontes energéticas, o que é muito importante de ser considerado.

O livro “A Ética na Alimentação” apresenta visões da chamada ciência do bem-estar animal, o que segundo alguns ativistas de direitos dos animais vai contra a idéia do abolicionismo lançada por Peter Singer em “Libertação Animal” no ano de 1975. Você poderia comentar esta crítica?

Não posso falar pelo professor Singer, mas a minha visão em relação a esta controvérsia é a seguinte: alguns ativistas trabalham com o foco de que a única saída é o público em geral adotar, num curto prazo, uma dieta vegana. Diante do mundo de hoje, acho que esta é uma expectativa pouco realista quando temos como objetivo reduzir substancialmente o consumo de produtos advindos de fazendas de produção e, consequentemente, diminuir o sofrimento de milhares de animais.

Minha posição de hoje, como sempre foi, é a da adoção do veganismo em respeito aos animais. Aqueles que acham que a dieta vegana representa uma mudança muito drástica no seu dia-a-dia podem optar pelo vegetarianismo. E aqueles que acham que o vegetarianismo ainda é muito difícil podem fazer refeições sem carne sempre que for possível, estabelecendo, por exemplo, metas de número de refeições vegetarianas por semana. Além disso, há sempre a opção de evitar produtos oriundos das fazendas de produção.

O que quero esclarecer é que esse ponto de vista não quer dizer que eu ou o professor Singer tenhamos mudado de opinião em relação à covardia da exploração dos animais. Estamos apenas tentando usar argumentos diferentes com o objetivo único de atingir e sensibilizar um número maior de pessoas e com a esperança de influenciá-las mais a fundo em prol de mudanças no hábito cultural de comer carne. Para o argumento puro “seja vegano”, as pessoas em geral rebatem afirmando que simplesmente não conseguem viver sem carne. Portanto, parafraseando o filme “O Poderoso Chefão”, queremos fazer uma oferta ao público que ele não terá como recusar.

Além das questões éticas em relação aos animais, no livro vocês destacam os impactos do hábito alimentar onívoro no meio ambiente. Quais são os principais problemas ambientais causados pelo modelo exploratório e antiético aplicado aos animais com o objetivo de produção de alimentos em larga escala?

Destaco três problemas principais e explico cada um. Primeiramente tem a perda de biodiversidade. Florestas, matas ciliares e outros importantes ecossistemas têm muitas de suas espécies extintas no processo de prover alimentos para apenas uma: o homem. Sem contar que a dieta onívora requer aproximadamente sete vezes mais terras para produzir a mesma quantidade de nutrientes que a vegetariana.

O segundo problema que destaco é a poluição. Os animais produzem muitas fezes e urina, o que torna o solo das criações insalubre e com alto potencial de poluir o ar e cursos de água na sua proximidade. Esta concentração de excremento gera dióxido de carbono e metano, que são gases do efeito estufa. De acordo com um recente relatório da FAO (Food and Agricultura Organization of the United Nations), granjas industriais e criações de animais em fazendas estão entre os principais fatores que agravam os mais sérios problemas ambientais.

A terceira problemática é o gasto de água e energia. A agropecuária consome uma quantidade muito significativa das fontes de água e energia na expansão de pastos, na produção de fertilizantes e outros aditivos químicos e na operação das fazendas de produção e de abate. Uma fração disso é suficiente para alimentar o mesmo número de pessoas num regime de dieta vegetariana.

Quando falamos em ética na alimentação, qual seria a forma mais prudente de lidar com tradições culturais caracterizadas por exploração de animais? Em termos filosóficos e práticos, qual é a diferença entre comunidades tradicionais e a sociedade moderna no modo como os animais são tratados e no tipo de comida consumida?

Nas comunidades tradicionais e tribais, os animais criados com o fim da alimentação eram respeitados – e até cultuados, em alguns casos. Estas sociedades se viam intimamente ligadas aos animais, os reverenciando como seres especiais, detentores de poderes que os homens não tinham. A sociedade moderna deturpou essa visão. Não há mais o respeito pelos animais e se banalizou o conceito de que eles só têm valor quando são úteis e servem aos homens. O resultado é uma alienação total em relação aos animais e ao mundo natural, que tem como conseqüência um mundo mais triste e até mais doente.

Qual é o papel dos Governos, dos movimentos ativistas e dos consumidores em geral no processo de mudanças de métodos de produção injustos e antiéticos com os animais?


Ao Governo cabe a proibição de métodos de confinamento de vitelas e de granjas industriais de porcos e galinhas, a inibição da produção e uso exacerbado de produtos químicos, como hormônios que aceleram o crescimento, e outros recursos usados em fazendas de produção que são prejudiciais aos animais, ao meio ambiente e, consequentemente, à nossa própria saúde. É necessário também ter um controle de todo o processo, da criação no campo ao rótulo da embalagem, com o objetivo de disponibilizar para o consumidor mais informações sobre fontes e métodos utilizados na cadeia de produção de cada alimento que leva para casa. Os ativistas devem ser os cães de guarda, constantemente investigando, pesquisando e monitorando o Governo e as indústrias para verificar se estão respeitando as regras.

Já os consumidores devem exigir mais informações sobre todos os alimentos que compram nos mercados. Ligar ou escrever para os setores de atendimento ao cliente dos fabricantes pedindo esclarecimentos e maiores detalhes sobre os produtos é uma boa prática e pode contribuir muito. A atuação do consumidor é muito importante para a criação de um cenário onde as grandes fabricantes de alimentos sejam transparentes e não tenham nada a esconder.

Como está o progresso na regulamentação dos métodos de criação de animais usados em fazendas de produção? Existe algum país que esteja mais avançado no controle e na aplicação de métodos mais éticos?

Há um progresso significativo na União Européia, onde os métodos de confinamento em granjas, a indução artificial de crescimento com aplicação de medicamentos e outros excessos cometidos em fazendas de produção já são proibidos por lei ou estão em vias de serem regulamentados e banidos. Nos Estados Unidos uma lei proibindo especificamente o método de confinamento de porcos em granjas industriais já foi aprovada na Flórida e no Arizona, mas não temos leis nacionais de controle de fazendas de produção como nos países europeus. A União Européia hoje pode ser considerada a precursora na eliminação de práticas e artifícios já provados como antiéticos aplicados em fazendas de produção.

A primatologista britânica Jane Goodall afirma que se as pessoas simplesmente não comprarem produtos obtidos a partir de crueldade com animais, os métodos de produção antiéticos serão forçados a mudar. Qual é a relação desta idéia simples, e ao mesmo tempo complexa, com a Ética na Alimentação? Mudanças a favor dos direitos e bem-estar dos animais dependem de atitudes diárias dos consumidores?

Sim, este é exatamente o ponto de vista que queremos passar no livro. Não confiamos no Governo, que é altamente influenciado pelas grandes corporações de agribusiness, para o desenvolvimento e aplicação de leis mais rigorosas nesta área. Nós acreditamos que os consumidores são os atores mais fortes em prol de mudanças nos métodos e nas condições em que os animais são criados em fazendas de produção. Mas para tal precisamos primeiramente informar e fazer esclarecimentos para este consumidor, que muitas vezes acredita na falsa idéia vendida de que nas fazendas os animais são criados com as melhores tecnologias e são muito bem tratados, tendo muito conforto. Essas mentiras continuam sendo anunciadas em rótulos de embalagens de carne, leite e ovos e daí vem a dificuldade de divulgar abertamente e fazer com que as pessoas acreditem nas informações reais, que são bem mais desagradáveis e duras para se encarar.

Há evidências de que estratégias de mercado baseadas em exigências éticas mais rigorosas dos consumidores têm dado certo. A gigante de fast-food MacDonald's já adota há alguns anos alguns critérios socioambientais para escolha de seus fornecedores. O Burger King, o segundo na liderança de fast-food, recentemente começou a fazer o mesmo. A Smithfield Foods e a Cargill, as duas maiores produtoras de carne suína dos Estados Unidos, já anunciaram planos de interromper a prática de confinamento de porcos. Embora nenhuma dessas grandes corporações admita publicamente, estas mudanças foram feitas por conta da crescente pressão de um consumidor mais consciente, que ficará cada vez mais crítico em relação às práticas covardes aplicadas com os animais nas fazendas de produção.

*Entrevista publicada na edição n. 9 (junho 2007) da Revista dos Vegetarianos (editora Europa).



Beija-flor - Santo Antonio do Pinhal (SP - junho 2007)
Foto: Jaqueline B. Ramos

sexta-feira, junho 22, 2007


Cidadania na cozinha

Por Jaqueline B. Ramos

Alunas do projeto Cozinheiro Cidadão e suas receitas de Wraps (divulgação)

Cidadania também se faz na cozinha. Pelo menos é o que demonstra a mais nova opção no cardápio da rede de restaurante Wraps, de São Paulo, chamada de Wrap Cidadão. Aprofundando uma parceria que já dura 2 anos com estagiários nas cozinhas, o Wraps e o Instituto Lina Galvani, através do projeto Cozinheiro Cidadão, promoveram uma oficina seguida por um concurso e a melhor receita criada pelos alunos ficará um mês no cardápio dos restaurantes.
Resultado: de meados de junho a meados de julho um wrap com recheio de brócolis cozido, palmito, mandioquinha assada com azeite, mix de cogumelos com um leve toque de cream cheese e queijo cheddar com molho especial – diga-se de passagem, ovolacto-vegetariano, sem carne! - ficará à disposição dos clientes e toda a verba gerada com o lucro das vendas será revertida para o projeto. “Dependendo da aceitação do público nossa intenção é até deixar o Wrap Cidadão como uma opção fixa no cardápio”, diz Bianca Oglouyan, gerente de parcerias do Wraps.

Bianca explica que a parceria com o Cozinheiro Cidadão faz parte do conceito Wellness (Bem-Estar), adotado pela rede em todas as suas atividades. Isso significa permear todo o processo de produção, da qualidade dos ingredientes utilizados à metodologia de trabalho junto aos funcionários, com a idéia de que bem-estar nutricional, social e ambiental são questões interligadas e complementares. Daí se explica o uso de ingredientes orgânicos (sem agrotóxicos) e as parcerias e ações pontuais de cunho social e/ou ambiental, entre outras ações (veja mais no site do Wraps).

O projeto Cozinheiro Cidadão foi criado pelo Instituto Lina Galvani em 2005 e é realizado na favela do Jaguaré, zona oeste da cidade de São Paulo. Depois de pesquisas do perfil do morador da favela, levantamentos de demandas do mercado de trabalho e várias reuniões com a própria comunidade, o projeto foi concebido voltado para o público jovem de 18 a 35 anos. O objetivo é abordar o campo da gastronomia, que possibilita uma capacitação profissional para o mercado de trabalho mais abrangente. Cada turma estuda durante seis meses, sendo três meses na cozinha pedagógica e três meses de estágio em restaurantes parceiros, como o Wraps.

Cecília Galvani, diretora do instituto, ressalta que vários alunos do projeto já conseguiram espaço no mercado de trabalho e atualmente trabalham em restaurantes e/ou lanchonetes. “Mas o que foi inédito nesta parceria com o Wraps, sendo excelente para o projeto, é a oportunidade de captação de verba e o comprometimento com a continuidade dos trabalhos que isso gera nos próprios alunos. Essa experiência fez com eles se sentissem mais responsáveis e a participação foi até mais ativa”, destaca Cecília, informando que a parceria com o Wraps também já se estendeu para um turma piloto de um outro projeto do instituto, o Garçom Cidadão.

Mais informações: http://www.linagalvani.org.br/


terça-feira, junho 19, 2007

IUCN propõe mais seis áreas de Patrimônio Mundial

Por Jaqueline B. Ramos

Às vésperas da 31a Reunião da Unesco sobre Áreas de Patrimônio Mundial, a ser realizada na Nova Zelândia entre 23 de junho e 2 de julho, a União para a Conservação Mundial (sigla IUCN, em inglês) propõe a inclusão de seis novas áreas na atual lista de Patrimônios Mundiais. Entre estas áreas estão florestas em Madagascar, Eslováquia e Ucrânia e regiões vulcânicas na Coréia (ver abaixo lista completa).

A IUCN faz parte da comissão que avalia possíveis áreas de patrimônio mundial de acordo com a relevância de suas características culturais e naturais (isoladamente ou combinadas). A proposta a ser feita da convenção na Nova Zelândia é resultado de missões realizadas pela instituição em 12 localidades indicadas para entrar na lista ao longo do último ano.

Além da inclusão das seis áreas, a IUCN também vai propor a extensão de uma já existente – a região de Jungfrau-Aletsch-Bietschhorn, na Suíça, que detém o ecossistema com maiores características glaciais dos Alpes Europeus - e a tomada de ações emergenciais em alguns sites da lista que se encontram ameaçados por conta de ações insustentáveis e/ou ilegais do homem. Entre estas áreas estão as Ilhas Galápagos, no Equador, onde o número de turistas aumentou desenfreadamente em três vezes desde 1991, e o Santuário dos Antílopes da Arábia, em Oman, que teve sua área reduzida em 90%.

Atualmente a lista de Patrimônios Mundiais tem 830 áreas localizadas em 184 países. O Brasil está presente com 17 áreas, sendo elas:

1. A Cidade Histórica de Ouro Preto/MG (1980)
2. O Centro Histórico de Olinda/PE (1982)
3. As Missões Jesuíticas Guarani, Ruínas de São Miguel das Missões/RS (1983)
4. O Centro Histórico de Salvador/BA (1985)
5. O Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas do Campo/MG (1985)
6. O Parque Nacional de Iguaçu, em Foz do Iguaçu/PR (1986)
7. O Plano Piloto de Brasília/DF (1987)
8. O Parque Nacional Serra da Capivara, em São Raimundo Nonato/PI (1991)
9. O Centro Histórico de São Luiz do Maranhão/MA (1997)
10. Centro Histórico da Cidade de Diamantina / MG (1999)
11. Mata Atlântica - Reservas do Sudeste SP/PR (1999)
12. Costa do Descobrimento - Reservas da Mata Atlântica BA/ES (1999)
13. Parque Nacional do Jaú/AM (2000)
14. Complexo de Áreas Protegidas do Pantanal - MS/MT (2000)
15. Centro Histórico da Cidade de Goiás -GO (2001)
16. Áreas protegidas do Cerrado: Chapada dos Veadeiros e Parque Nacional das Emas - GO (2001)
17. Ihas Atlânticas Brasileiras: Reservas de Fernando de Noronha e Atol das Rocas - RN (2001)

Os novos candidatos a Patrimônios Mundiais

South China Karst, China
Formações rochosas únicas formadas pela erosão da água em rochas de mármore.

Foto: IUCN/Jim Thorsell

Rainforests of Atsinanana, Madagascar
Florestas tropicais que mantém ecossistemas e espécies de animais e plantas endêmicos e/ou ameaçados.


Foto: IUCN/Geoffroy Mauvais


Jeju Volcanic Island and Lava Tubes, Coréia
Região vulcânica de 1.2 milhões de anos formada por um vulcão e o pico Mt Hallasan, o mais alto do país (1.950 metros de altura).


Foto: IUCN/Paul Dingwall

Primeval Beech Forests of the Carpathians, Eslováquia e Ucrânia
As florestas temperadas das montanhas dos Cárpatos são exemplos de ecossistemas únicos e ainda preservados.


Teide National Park, Espanha
Parque no arquipélago das Ilhas Canárias, nele está situado o terceiro vulcão mais alto do mundo e o mais alto da Espanha, o Teide-Pico Viejo.


Foto: IUCN/Bernard Smith


Ecosystem and Relic Cultural Landscape of Lopé-Okanda, Gabão
Região única que detém áreas de transição entre ecossistemas de densas florestas tropicais e savanas.

Foto: IUCN/Jean Pierre d'Huart


Mais informações:
World Heritage Convention - http://whc.unesco.org/
IUCN - http://www.iucn.org/

sábado, junho 16, 2007

CURTAS

Por Jaqueline B. Ramos*
Triste liderança

Relatório da ONU divulgado em março revela uma informação no mínimo muito triste para o Brasil. Segundo levantamentos feitos pela Agência para a Agricultura e a Alimentação (FAO), o país continua na liderança de desmatamento da América do Sul, sendo responsável por 73% das perdas de florestas do continente. A taxa anual de devastação da cobertura florestal brasileira subiu de 0,5% para 0,6%, comparando os períodos de 2000 a 2005 e 1990 a 2000. Em números absolutos isso significa a destruição de mais de 31 mil km² de florestas por ano dentro de um cenário de 42 mil km² de deflorestamento em todo o continente.

Mesmo considerando o fato de o Brasil ser um dos países do mundo com maior área de florestas, o que poderia justificar um número significativo em termos de desmatamento, esta triste liderança merece ser seriamente avaliada...

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Foto: Jaqueline B. Ramos

Dia Mundial da Água – boas notícias

Se o Brasil não tem muito a comemorar na área de conservação de florestas, uma notícia divulgada por ocasião do Dia Mundial da Água (22 de março) é motivo de orgulho para o país. A ONG britânica World Development Movement destacou o gerenciamento de água e esgoto feito em quatro municípios brasileiros como exemplo e inspiração de gestão pública de recursos hídricos. Segundo relatório divulgado, as iniciativas nas cidades de Alagoinhas (BA), Guarulhos (SP), Porto Alegre (RS) e Unaí (MG) "mostram uma visão de universalidade, justiça e igualdade". "Esses fornecedores municipais no Brasil podem nos ensinar muito sobre como ter redes de distribuição de água democráticas e eficientes", disse o diretor da ONG, Benedict Southworth.

Dia Mundial da Água – más (e velhas) notícias

Mas infelizmente no mês em que se comemora o Dia Mundial da Água as notícias não são muito boas em nível global. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, em 2007 a falta de acesso à água limpa atinge mais de 1 bilhão de pessoas no mundo. E as previsões para médio prazo não são nada animadoras. A OMS alerta que este número pode dobrar até 2025, quando dois terços da população mundial poderão estar sofrendo com problemas ligados à escassez de água limpa. Atualmente, 2,6 bilhões de pessoas – metade da população dos países em desenvolvimento - vivem em locais sem condições básicas de saneamento e os problemas relacionados à falta de água adequada matam mais de 1,6 milhões todos os anos.

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Sobre seca, botos e gado

Menina dos olhos internacional, a Amazônia é sempre alvo de inúmeros estudos, estimativas, levantamentos e ensaios de investimentos. Mas o fato é que a floresta vem pedindo socorro e algumas decisões parecem ignorar este SOS, como a recente tomada pelo Bird (Banco Interamericano de Desenvolvimento). O corpo de diretores do IFC (Corporação Financeira Internacional), braço do banco, aprovou em março o financiamento de US$90 milhões para atividade pecuária na Amazônia brasileira. A concessão será a favor do Grupo Bertin, maior exportador de carne do Brasil. Os recursos serão investidos em matadouros e curtumes na região de Marabá, Redenção e Conceição do Araguaia (PA), em Cacoal (RO) e em Água Boa (MT).

Enquanto a expansão da pecuária na Amazônia - incentivadora de desmatamento e geradora de pelo menos 56 milhões de toneladas de emissões de carbono, sem contar os problemas sanitários e éticos relativos ao abate dos animais - ganha incentivo econômico de tal magnitude, as estimativas negativas continuam a ser noticiadas e nenhuma ou pouca contra-partida é feita a respeito.


Cientistas ingleses especializados em mudanças climáticas, por exemplo, anunciaram no início de 2007 que as chances de ocorrerem períodos de intensa seca na região podem aumentar dos atuais 5% para 50% em 2030 e até 90% em 2100. E dados locais do Projeto Boto, do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), indicam o declínio da população de botos tucuxi e cor-de-rosa nos rios da região, numa taxa de decrescimento de cerca de 7% ao ano. O motivo principal: a caça.

Com informações vindas de todos os lados, onde está o Governo Brasileiro na hora de defender os reais interesses da floresta?

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Homens e macacos
Foto: Jaqueline B. Ramos

Embora 4 milhões de anos seja uma eternidade, numa escala evolutiva representa algo muito recente. E é exatamente esse tempo que está sendo indicado por um novo estudo concluído pela Universidade do Estado da Carolina do Norte (EUA) como o período de separação evolutiva entre humanos e chimpanzés. Ao afirmar que os últimos ancestrais entre homens e macacos teriam vivido há apenas 4 milhões de anos, o estudo contesta as atuais informações oficiais sobre o assunto, que datam de 5 a 7 milhões de anos.

Como qualquer nova descoberta, esta pode gerar controvérsias. Mas o argumento para a datação mais recente é a nova metodologia que foi utilizada na pesquisa, baseada em análises do DNA de humanos, chimpanzés, gorilas e orangotangos. De acordo com o líder do trabalho, o cientista Asger Hobolth, a equipe desenvolveu uma nova matemática para medir a quantidade de diferenças no DNA entre um indivíduo e outro, sendo assim possível estimar quando viveu o ancestral em comum entre os dois.

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Arroto de vacas X Aquecimento Global, a batalha final

Na linha controversa e pouco sustentável do “é melhor remediar do que prevenir”, cientistas alemães resolveram lutar contra o aquecimento global investindo na diminuição dos arrotos das vacas.

Hã???!!! É isso mesmo.

O jornal inglês The Guardian noticiou em março um trabalho alemão que consiste na invenção de uma pílula para vacas que as ajudarão a arrotar menos. Devido ao seu processo digestivo natural, estima-se que os bovinos sejam responsáveis pela liberação de 4% dos gases de efeito estufa, sendo em maior parte o metano, um vilão para a atmosfera no mesmo grau do gás carbônico. Em entrevista para o jornal, o coordenador da pesquisa, Winfried Drochner, diz que a pílula também ajudará as vacas a produzirem mais leite se combinada com uma dieta especial. “Nosso objetivo é aumentar o bem-estar da vaca, reduzir os gases de efeito estufa e aumentar a produção agrícola de uma vez só”.

Ah tá, agora está explicado... Nada melhor do que garantir o bem-estar dos animais, combater o aquecimento global e, de quebra, aumentar a produção. É tudo que o processo de mudanças climáticas precisa...

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Primeira Reserva de Fauna brasileira

Na Baía da Babitonga, em Santa Catarina, existem duas preocupações socioambientais em pauta no momento: a necessidade de assegurar as fontes de recursos naturais que sustentam atividades turísticas e mais de duas mil famílias de pescadores artesanais; e a importância da proteção de espécies nacionalmente ameaçadas como o Boto Cinza (Sotalia guianensis), a Toninha (Pontoporia blainvillei) e o Mero (Epinephelus itajara), além de 6.200 ha de manguezal. Para tal o Ibama está consultando os municípios abrangidos pela baía com a proposta de criar uma Reserva de Fauna, a primeira da categoria do país. Esta categoria de unidade de conservação compatibiliza a conservação da natureza e o uso sustentável de parcela de seus recursos naturais.

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Vítimas do mercado

A União Mundial para a Natureza (UICN) divulgou em março mais um dado que reforça o quanto os tubarões são vitimados com o crescimento do mercado não regulamentado de suas barbatanas. Segundo a ONG, em 15 anos, a população de tubarões nas águas da Europa diminuiu nada mais nada menos do que 80%, com aproximadamente cem milhões de exemplares morrendo anualmente. Várias espécies de tubarões são caçadas sem controle para o corte de barbatanas e, após a extração, os corpos dos animais, ainda vivos, são jogados de volta na água. Mas segundo os pescadores, a covardia com os animais se pagaria pelo bom preço que as barbatanas são vendidas no mercado na Ásia. Inversamente ao senso de ética e respeito em relação aos animais, a procura por barbatanas aumenta ao ritmo de 5% ao ano e na China, por exemplo, há cerca de 380 milhões de consumidores da famosa sopa de barbatana de tubarão.

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São Paulo 2020!

Para orgulho dos paulistanos, São Paulo deverá ganhar seis posições no ranking das cidades mais ricas do mundo e figurar como a 13ª em produção de riquezas no ano de 2020. A conclusão é de um levantamento feito pela empresa internacional de auditoria Pricewaterhouse Coopers, que afirma que o Produto Interno Bruto (PIB) de São Paulo, estimado em US$ 225 bilhões em 2005 deverá passar a US$ 411 bilhões em 2020, superando no ranking o PIB de cidades como Miami, Hong Kong, Dallas e São Francisco. As três primeiras posições do ranking deverão permanecer inalteradas na comparação entre 2005 e 2020: Tóquio, Nova York e Los Angeles.

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Meio Ambiente e Guerra

Recente reportagem do jornal Terramérica mostra que o Iraque contabiliza um péssimo balanço ambiental depois da ocupação militar norte-americana no país completar quatro anos. Segundo Azzam Alwash, presidente da ONG Nature Iraque, entrevistado pelo jornal, os rios Tigre e Eufrates se tornaram esgotos a céu aberto. Dejetos industriais, hospitalares e agrícolas e vazamentos de petróleo seriam vertidos nesses dois enormes rios que definem a região da Mesopotâmia e fornecem boa parte da água para irrigação e consumo. Já a ministra do Meio Ambiente do país, Narmin Othman, declarou para o jornal que, apesar das más notícias, foram aprovadas leis ambientais mais rígidas neste período e os pântanos mesopotâmicos, drenados pelo regime de Saddam Hussein nos anos 80, voltaram a inundar. Boas e más notícias à parte, o fato é que apesar de dezenas de bilhões de dólares já terem sido gastos na reconstrução do país, calcula-se a necessidade de muito mais investimentos, algo em torno de US$ 80 bilhões a US$ 100 bilhões. O preço da guerra é grande, inclusive para o meio ambiente.

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Mais tempestades

Estudo coordenado por Mario Molina, prêmio Nobel de Química em 1995 por pesquisas com a camada de ozônio, promove mais uma amostra do efeito danoso da poluição promovida pelo homem. Análises feitas a partir de imagens obtidas por satélites nas últimas décadas mostram que a poluição produzida na Ásia altera a química da atmosfera e causa mudanças no padrão de tempestades no continente, influenciando no final todo o clima do hemisfério Norte. E se não bastasse, o estudo também destaca que as tempestades no Pacífico têm papel crítico na circulação atmosférica global. Possível resultado: a alteração em seu padrão pode promover um impacto significativo no clima de todo o planeta.

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Brasil no Ano Polar

Engana-se quem acha que os ecossistemas polares não são explorados, no bom sentido, por pesquisadores brasileiros. O Ano Polar Internacional (API), programa mundial de pesquisa para estudar os ambientes dos pólos Ártico e Antártico, terá a participação de 30 Universidades e centros de pesquisa do Brasil em 28 projetos. O total do programa engloba 50 mil pesquisadores e 227 projetos em 63 países até março de 2009. “Neste API teremos uma participação significativa, consolidando o reconhecimento da comunidade científica internacional conquistado com os 25 anos de trabalho do Programa Antártico Brasileiro”, destacou Luis Fernandes, secretário executivo do Ministério de Ciência e Tecnologia em entrevista à Agência Fapesp na cerimônia de lançamento do programa no início de março.

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Interesse por agricultura orgânica

A secretaria de Desenvolvimento Sustentável do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) fez uma averiguação bastante interessante ao longo dos últimos anos. Segundo Rogério Dias, coordenador-geral da secretaria, o interesse e opção dos grandes produtores rurais pelo mercado de produtos orgânicos vêm aumentando a cada ano no Brasil. “Antes, a agricultura orgânica estava restrita à produção de hortaliças e era praticada pelos pequenos produtores”, disse Dias em entrevista à Agência Brasil. “Agora, estão entrando nessa área os produtores de açúcar, café e outras categorias de grãos.”

O Programa de Desenvolvimento da Agricultura Orgânica, criado no Plano Plurianual 2004-2007, contempla ações como linha de crédito diferenciada. Além disso, o Mapa tem trabalhado na articulação do setor, procurando aproximar os segmentos envolvidos e investindo na área de pesquisa.

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Campanha pró-neutralização

Cada cidadão libera em média 2,07 toneladas de gás carbônico ou dióxido de carbono na atmosfera por mês e para compensar faz-se necessário calcular a emissão individual dos gases que causam o efeito estufa e a quantidade de árvores que cada pessoa deveria plantar para neutralizar esta emissão. O problema e a solução são apresentados pela ONG Iniciativa Verde, que disponibiliza em seu site (http://www.thegreeninitiative.com/) sistema para o cálculo da neutralização – que, diga-se de passagem, é o mais novo termo da moda em tempos de Aquecimento Global e Mudanças Climáticas.

No site a ONG mostra os números médios de emissões analisando o consumo de energia elétrica, combustíveis fósseis e gás. Mas de uma forma geral, o diretor da Iniciativa Verde, Osvaldo Martins, recomenda que o caminho para mudar o atual quadro de emissão de gases é o do consumo consciente, ou, em outras palavras, consumir menos de tudo. Está lançado o desafio!

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Controle de vôos

O assunto é controle de tráfego aéreo, mas não tem nada a ver com a atual crise da aviação brasileira. O Ministério dos Transportes da Alemanha divulgou no início de março a intenção de implantar taxas de aterrissagem proporcionais ao consumo de combustível dos aviões e promover um controle mais racional do tráfego aéreo, evitando itinerários mais longos que o necessário. O objetivo final é a proteção do meio ambiente. O porta-voz do ministério explicou que "uma melhor organização do tráfego aéreo permitiria reduzir as emissões de CO2 e a despesa de combustível e que taxar as frotas mais antiquadas seria um incentivo para o uso de aviões mais modernos e menos poluentes". Se a proposta do ministério for levada adiante, a nova normativa será testada durante um período de três anos no país. Enquanto isso, no Brasil...

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Robô salamandra

Usando tecnologia avançada para desvendar os mistérios da evolução da vida no planeta, cientistas europeus produziram o que estão chamando de robô salamandra. A salamandra foi o primeiro animal que passou da água para a terra e o objetivo do robô é facilitar o entendimento dos mecanismos usados pelo animal para adaptar o hábito de nadar a andar. O robô não parece muito uma salamandra, mas ao que tudo indica se move exatamente como uma. Os cientistas conseguiram reproduzir um sistema nervoso que se adapta tanto ao controle de nadar como andar em ambiente terrestre, o que o robô reproduz fielmente. Segundo o jornal Science, os pesquisadores envolvidos no projeto declararam que este trabalho é “uma demonstração de como robôs podem ser usados para testar modelos biológicos e, em retorno, como a biologia pode ajudar no design de produção robótica.”

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Maior caverna submarina do mundo

Dois mergulhadores, um britânico e um alemão, informaram que encontraram na Península de Yucatán, no México, passagens subterrâneas que formam o maior sistema de cavernas submarinas do mundo. Foram identificadas passagens que ligam os sistemas de cavernas de Nohoch Nah Chich e Sac Actun, que juntos medem 153 quilômetros. Essa conexão mostra como o sistema de águas subterrâneas de Yucatán é interconectado e vulnerável. "Há tantos sistemas cavernais interconectados que, se houver um foco de poluição em qualquer área, ele pode se espalhar intensivamente através de todo o sistema”, ressaltou o mergulhador britânico, Steve Bogaerts, durante o anúncio do achado. Segundo a Sociedade de Espeleologia dos Estados Unidos, o maior sistema de cavernas submarinas conhecido até hoje era o Ox Bel Ha, também no México, com 145 quilômetros.

Fontes: BBC Brasil, O ECO, Ambiente Brasil, Terramérica, Agência Fapesp, ENN (Environmental News Network)

* Notas publicadas na edição n. 72 (março/abril 2007) da revista do Instituto Ecológico Aqualung

domingo, maio 20, 2007

Bem-estar animal e humano no Oriente Médio

Com apoio do Governo, ONG inaugura na Jordânia um centro de excelência para cuidar de animais de trabalho, responsáveis pela sobrevivência de cerca de 30% da população do país

Por Jaqueline B. Ramos

Nem só de guerras e conflitos políticos são compostas as notícias do Oriente Médio. Nos primeiros meses do ano, a Jordânia, país vizinho do Iraque, Arábia Saudita e Israel, foi noticiada na imprensa internacional por um assunto que, apesar de sua importância, ainda é pouco convencional: a preocupação com o bem-estar animal. No final do mês de março, a Rainha Rania Al-Abdulah inaugurou na capital Amã o Garden Sanctuary, um centro para cuidar dos chamados Animais de Trabalho, leia-se cavalos e camelos responsáveis pela subsistência de nada mais nada menos do que 45 mil famílias jordanianas – aproximadamente 30% da população do país.

O Garden Sanctuary é o primeiro centro de animais de trabalho do Oriente Médio e surgiu a partir de uma iniciativa da ONG jordaniana Humane Center for Animal Welfare (HCAW). O projeto foi financiado pela Sociedade Mundial de Proteção Animal (WSPA) e pelo Governo da Jordânia e sua proposta é oferecer serviços veterinários especializados e gratuitos e treinamentos para estudantes de veterinária, além de programas educativos em escolas para crianças em parceria com o Ministério da Educação do país.

O centro é composto por duas salas de cirurgia, uma farmácia, uma sala de recuperação e um laboratório para raios-X. O local também conta com acomodações, um centro de educação, áreas para recreação e uma clínica veterinária móvel para atender regiões mais remotas. “O Garden Sanctuary será fundamental para melhorar os meios de subsistência das pessoas e servirá de exemplo para o restante do Oriente Médio como um centro de excelência”, afirma Peter Davies, Diretor-Geral da WSPA, organização fundada há 25 anos com a missão de elevar os níveis de bem-estar dos animais em todo o mundo, visando a compreensão e o respeito ao princípio.

Bem-estar animal e humano

E é justamente a ligação do bem-estar dos animais com o das pessoas ao seu entorno o que mais se destaca no projeto. Na Jordânia, cavalos e camelos são usados principalmente para transporte e trabalhos no campo e para um número significativo de famílias eles são sinônimos de trabalho e, portanto, de sua sobrevivência.

“Como em qualquer outro país do mundo, na Jordânia há donos que tratam seus animais sem qualquer cuidado, mas há também aqueles que respeitam os animais como seres sentientes, reconhecendo sua importância. O caminho para aumentar esta consciência está no trabalho educativo, que é muito bem aplicado pela HCAW e começa a ser reconhecido pela população”, conta Trevor Wheeler, diretor de projetos no Oriente Médio da WSPA, ressaltando a iniciativa dos Clubes de Bem-Estar Animal, um projeto extra-curricular já desenvolvido em várias escolas jordanianas que ganha ainda mais força com o Garden Sanctuary.

Fazendo um paralelo da experiência na Jordânia com os trabalhos nesta área desenvolvidos no Brasil, o destaque continua sendo a relação direta do bem-estar dos animais com os homens à sua volta. “Quando os carroceiros percebem que o ato de cuidar bem dos animais leva a um maior ganho, a relação entre o dono e o animal muda. É muito comum os animais sofrerem por desconhecimento do dono sobre remédios para tratamento de algumas doenças ou recursos que podem ser usados numa carroça, por exemplo, que ajudam o animal a melhorar o seu desempenho no transporte de uma carga“, explica João Ferreira, veterinário e professor da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Estadual Paulista (UNESP).

Ferreira dá o exemplo das vantagens do cuidado com animais de trabalho a partir da experiência do projeto Carroceiro, desenvolvido desde 1992 na Universidade de Londrina, no Paraná, e que tem como objetivo principal a passagem de orientações e ensinamentos aos carroceiros da região a respeito do manejo higiênico, sanitário e nutricional de seus animais de tração. O professor da UNESP afirma que o Hospital Veterinário da Universidade atualmente dá assistência para proprietários de baixa renda e que há planos de implantação de atividades similares ao projeto Carroceiro, visto os bons resultados alcançados.

“É tudo uma questão de disponibilizar informação, de educação. A partir do momento que o carroceiro passa a conhecer como pode colaborar no bem-estar do seu animal e as vantagens que isso traz para ele mesmo, o olhar em relação ao animal como uma mera ferramenta de trabalho tende a mudar. Cria-se um laço de companheirismo”, diz Ferreira.

“Na Jordânia, o comprometimento pessoal da própria Rainha Rania Al-Abdulah e do Governo através do apoio do Ministério da Educação são essenciais para o Garden Sanctuary nos serviços de assistência aos animais de trabalho e seus donos e de conscientização e educação em relação ao fato de que os animais são seres conscientes de sua existência, que assim como nós têm sentimentos e muitas vezes confiam aos humanos sua saúde e bem-estar”, ressalta Trevor Wheeler, da WSPA. “Nossa expectativa é que este projeto seja modelo para o Oriente Médio e para o mundo”, conclui.

Aquecimento Global e Mudanças Climáticas: os impactos para o Brasil e o mundo

Por Jaqueline B. Ramos *

O assunto Aquecimento Global nunca foi tão falado e discutido pela mídia e, consequentemente, pelas pessoas de uma forma geral. Mas antes de afirmar que é assunto da moda ou “papo de ecologista”, reflita rapidamente: você tem estranhado as temperaturas das estações do ano? Tem tido a impressão que os dias e as noites estão cada vez mais quentes? Se surpreende com notícias de tsunamis, enchentes, secas repentinas e outras tragédias naturais que destroem por vezes cidades inteiras?

Caso tenha respondido positivamente a pelo menos uma dessas perguntas, o tão falado aquecimento global já está presente – e impactando direta e/ou indiretamente – o seu dia-a-dia. Portanto, o melhor a fazer é entender melhor o que são esses famosos processos de mudanças climáticas, que riscos eles trazem para o planeta e o que se planeja e/ou é necessário ser feito em prol do não agravamento do problema em médio e longo prazo.

Uma pergunta que já dividiu muitas opiniões sobre aquecimento global é a seguinte: as mudanças climáticas vividas pelo planeta consistem em fenômenos naturais, ciclos de temperaturas pelos quais a Terra passa de tempos em tempos, ou são frutos de ações insustentáveis do homem, que causam desequilíbrios ambientais por vezes irreversíveis?

Embora ainda existam algumas opiniões a favor da primeira afirmação, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês), que representa a posição da comunidade científica mundial sobre o assunto, divulgou em fevereiro uma informação que confirma (finalmente) a segunda parte da pergunta. O órgão adiantou o anúncio oficial a ser feito em um relatório no meio do ano que as alterações no clima do mundo são “muito provavelmente” causadas pela ação humana.
Pelo “muito provavelmente” entenda-se uma probabilidade acima de 90%. Em outras palavras, o aquecimento global que assistimos hoje não é simplesmente um fenômeno natural, mas sim resultado de intervenção no equilíbrio da temperatura do planeta causada por ações insustentáveis do homem, infelizmente.

Toda ação tem uma reação

Como qualquer outra problemática ambiental, os efeitos do aquecimento global recaem sobre o próprio homem, o causador das mudanças climáticas. A poluição atmosférica, gerada em sua maior parte por emissões de CO2 (dióxido de carbono, ou gás carbônico) e N2O (óxido nitroso) provenientes da queima de combustíveis fósseis (petróleo), é a principal vilã no processo de aquecimento global.

Ao lado da queima de combustíveis, outras atividades que causam concentração prejudicial de gases poluentes na atmosfera são a decomposição de matéria orgânica (geradora de CH4 - metano), atividades industriais, refrigeração, uso de propulsores, espumas expandidas e solventes (geradores de HFCs - hidrofluorcarbonos, PFCs - perfluorcarbonos e SF6 - hexafluoreto de enxofre) e o uso de fertilizantes (N2O). Todas estas substâncias são causadoras diretas do Efeito Estufa, fenômeno natural que é levado ao extremo e passa a ser prejudicial para o equilíbrio da temperatura do planeta (ver mais informações no box).

Assim, enquanto o mundo, globalmente como o aquecimento, não investir em projetos viáveis (economicamente falando) de geração de energia limpa, a terceira lei de Newton – “para cada ação há sempre uma reação oposta e de igual intensidade” – terá demonstrações práticas, com reações catastróficas da Natureza causadas por um aumento progressivo da temperatura do planeta.

Leia a matéria completa aqui.

*Matéria publicada na edição n. 72 (março/abril 2007) da revista do Instituto Ecológico Aqualung

quinta-feira, março 29, 2007


Lei para a Mata: mais força para a conservação da Floresta Atlântica Brasileira

Por Jaqueline B. Ramos*
A última semana do ano de 2006 teve momentos de boas e más notícias para a Mata Atlântica. A má foi que um estudo pioneiro divulgado pelo Ministério do Meio Ambiente intitulado “Mapas de Cobertura Vegetal Nativa dos Biomas Brasileiros” revelou que o último lugar da lista em termos de porcentagem de cobertura vegetal nativa intacta pertence à floresta costeira brasileira. Enquanto o Pantanal, o bioma mais preservado, tem 88,7% de vegetação nativa preservada, a Mata Atlântica tem apenas, segundo o estudo, 27,44%.

Para compensar a oficialização do dado negativo (infelizmente) já conhecido, a boa notícia se concretizou no fim vitorioso de uma batalha de negociações de mais de 14 anos no Congresso Nacional: no dia 22/12/2006, o presidente Lula finalmente sancionou a Lei 11.428, que trata da conservação, proteção e regeneração do bioma Mata Atlântica.

O Projeto de Lei que tratou pela primeira vez de ações mais específicas para proteção e conservação da Mata Atlântica, o mais ameaçado de todos os biomas brasileiros, foi o de número 3.285, apresentado ao Congresso Nacional em 1992 pelo então deputado federal Fábio Feldman. Para se transformar na Lei da Mata Atlântica, o projeto passou por inúmeras avaliações e negociações políticas até ser sancionado e publicado no Diário Oficial “aos 45 do segundo tempo” no ano de 2006.

“Não esperávamos uma resolução tão importante no finalzinho do ano, mas foi uma surpresa boa. Consideramos que acabou uma batalha e começou outra, que é a de fazer com que a lei seja conhecida e cumprida pela população do campo e da cidade”, diz Bruno de Amorim Maciel, secretário-executivo da Rede de ONGs da Mata Atlântica (RMA).
Depoimentos sobre a Lei da Mata Atlântica

"Para expandir a fronteira do futuro, para que o novo não seja a reiteração do antigo, é necessário renovar a compreensão sobre nós mesmos. Para tanto, é indispensável ouvir a voz da história. Nada poderia ser mais simbólico desse aprendizado humano do que encerrar o ano de 2006 sancionando uma lei que paga uma dívida com as nossas origens".
Presidente Lula (em discurso ensaiado), durante a cerimônia de sanção da lei realizada no Palácio do Planalto.

"Ele, como o senhor, presidente, foi enquadrado na Lei de Segurança Nacional por dizer que 'agora é a hora da onça beber água'. O que estamos celebrando aqui é parte da luta de Chico Mendes. Ele doou a vida pela Amazônia e por todos os biomas".
Marina Silva, Ministra do Meio Ambiente, lembrando ao Presidente Lula que a data da sanção da Lei da Mata Atlântica é a mesma da morte do seringueiro Chico Mendes, ocorrida há 18 anos (22/12/1988).

"A sanção da lei é motivo de festa. Mas agora começa um trabalho difícil, que é concretizá-la. Peço auxílio do presidente para que o país possa acabar com o preconceito "de que ambientalista é contra desenvolvimento".
Miriam Prochnow, coordenadora da Rede de ONGs da Mata Atlântica, que deu uma muda de pau-brasil a Lula na solenidade de sanção da lei, brincando que seria a última que havia sobrado dos últimos dois anos de manifestações pela aprovação do projeto.

"Os ambientalistas têm o reconhecimento do trabalho da ministra. Para nós, ela é um grande símbolo".
Ex-deputado Fábio Feldman, autor do projeto que deu origem à lei, elogiando o desempenho de Marina Silva no ministério.

“Realmente temos o que comemorar. Embora a demora tenha causado prejuízos incalculáveis, os 14 anos não foi tempo perdido. Nesse período houve um amadurecimento da lei, que está mais clara e foi atualizada pelas leis dos recursos hídricos, dos resíduos sólidos e dos crimes ambientais.”
Clayton Lino, coordenador do Conselho Nacional da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, afirmando que a Lei da Mata Atlântica é bem melhor do que a proposta original de 1992.
Leia a matéria completa aqui.
*Matéria publicada na edição n. 71 (janeiro/fevereiro 2007) da revista do Instituto Ecológico Aqualung

quarta-feira, março 07, 2007

“Minha missão na Terra é lutar pela libertação dos animais”

Entrevista: Lindy Greene, assessora de imprensa da Animal Liberation Front (ALF)

Por Jaqueline B. Ramos*


A ALF (Animal Liberation Front) é uma das organizações de defesa de direitos dos animais mais controversas do mundo. Seus ativistas agem clandestinamente libertando animais de laboratórios e fazendas de produção ou interceptando e destruindo instalações de empresas que conhecidamente usam animais em experimentos ou na fabricação de seus produtos. Enquanto os ativistas, cujas identidades são anônimas até para suas famílias, são procurados pela polícia e arriscam sua liberdade pela causa animal, um outro grupo se dedica a divulgar abertamente os ideais por trás da ALF e informar sobre as últimas ações em prol dos animais que levam a marca da organização. A professora norte-americana Lindy Greene é uma dessas ativistas e integra o grupo NAALPO (North American Animal Liberation Press Office), assessoria de imprensa oficial – e não clandestina - da ALF.

Lindy atua em movimentos de defesa dos direitos dos animais e de luta contra abusos há 18 anos, já tendo trabalhado para ONGs como Earth First!, Rainforest Action Network, Greenpeace, Last Chance for Animals e Animal Defense League. Na cidade de Los Angeles, onde mora, participa ativamente de campanhas contra instituições locais que fazem experiências com animais vivosimais, inclusive a UCLA (Universidade da Califórnia), que, segundo Lindy, recebe por ano US$ 200 mi em fundos de pesquisa para experiências que viciam macacos fem metanfetamina, por exemplo.

Vegana há 15 anos, Lindy deu esta entrevista por e-mail à Revista dos Vegetarianos, na qual explica os objetivos de divulgar os ideais defendidos pela ALF, o trabalho desenvolvido pela NAALPO e comenta sobre a recente resolução do Governo dos EUA de considerar ativistas dos direitos dos animais como terroristas. “Minha missão na Terra é lutar pela libertação dos animais, livrando-os de sofrimento e assassinatos sistemáticos. Seja escrevendo uma carta ou participando de ações mais radicais, todos têm um papel muito importante no movimento de libertação animal.”

Como surgiu a ALF?
Tudo começou no início dos anos 70, quando o ativista Ronnie Lee fundou na Inglaterra o Band of Mercy. Este grupo acreditava que era necessária uma tática mais agressiva para fazer com que pessoas e empresas que abusavam de animais mudassem suas práticas, e acordar alguns políticos para as atrocidades que estavam acontecendo. Liderados por Lee, os ativistas então começaram a invadir laboratórios e fazendas de produção de peles com o intuito de resgatar os animais e danificar as instalações utilizadas para os maus-tratos. Lee chegou a ser preso e passou anos na prisão, mas a filosofia de seu movimento se espalhou e se transformou no Movimento de Libertação Animal (Animal Liberation Front).

A ALF tem células em todo o mundo, inclusive no Brasil, mas ninguém sabe a identidade dos integrantes ou a localização das mesmas. Ativistas montam os grupos com amigos-ativistas de confiança e por questão se segurança, uma célula não sabe da existência da outra. Os detalhes das ações clandestinas não são revelados para ninguém, dificultando uma possível coerção por parte das autoridades.

Como a NAALPO trabalha neste contexto?
A Assessoria de Imprensa Norte-Americana da ALF é uma organização constituída legalmente. Seu objetivo é publicar e divulgar para a mídia e quem mais estiver interessado os comunicados enviados anonimamente pelos ativistas que atuam em defesa dos nossos irmãos não-humanos que são torturados e assassinados pela ganância que o homem tem por dinheiro. As ações clandestinas constituem-se em soltura de animais presos em laboratórios e fazendas de produção e sabotagem nas instalações desses estabelecimentos, causando prejuízos econômicos para as pessoas e/ou empresas que abusam e maltratam os animais.

A NAALPO não participa dessas ações nem conhece a identidade dos ativistas. Nossa função é divulgar os comunicados e também fazer palestras, participar de conferências, publicar artigos etc, com o intuito de esclarecer as condições de maus-tratos enfrentadas por animais em laboratórios, fazendas de produção, circos, rodeios, zoológicos, abrigos públicos, entre outros. Eu acredito que a NAALPO funciona como uma voz inspiradora para os animais e seus defensores. Por isso não deve ser censurada ou repreendida. Todos os pontos de vista, inclusive aqueles mais delicados, que criticam fortes paradigmas políticos e econômicos mundialmente instituídos, devem ser discutidos abertamente.

Por preconceito, falta de informação ou simplesmente por diferentes pontos de vista, muitas pessoas acabam achando que a ALF simplesmente espalha violência nas suas ações. Qual é o maior desafio na desmistificação desta idéia e no processo de fortalecimento do movimento e suas ideologias?
Uma das razões da existência da NAALPO é revogar a noção de que a defesa de seres inocentes é sinônimo de violência ou terrorismo. As pessoas que torturam e assassinam os animais, seres sencientes e indefesos, pelos motivos mais insignificantes e ardilosos, são os verdadeiros fomentadores da violência e do terrorismo. Em geral a opinião pública não crucifica ações violentas a favor dos homens. Os ativistas da libertação animal acreditam que os animais não-humanos também têm o direito de serem defendidos, por compaixão e motivos morais.

Como as ações da ALF impactam diretamente nos custos e lucros de empresas, algumas bem grandes, há uma reação crítica muita forte por parte do Governo e representantes de interesses corporativos, o que acaba influenciando a opinião dos cidadãos. É por isso que a NAALPO faz também um trabalho educativo, esclarecendo para o público em geral a realidade por trás das atrocidades com animais perpetuadas ao longo de séculos, atrocidades estas que moralmente justificam ações mais diretas, imediatistas e por vezes até violentas, consideradas clandestinas.

A recente resolução do Governo dos Estados Unidos de considerar ativistas dos direitos dos animais como perigosos terroristas foi recebida com estranheza e está sendo criticada. Como a NAALPO está reagindo a esta declaração?
O Governo dos Estados Unidos anunciou oficialmente em 2006 que considera ativistas de direitos dos animais como a ameaça número 1 em termos de terrorismo no país. A afirmação refere-se diretamente à ALF, mas mesmo assim eu a considero uma afronta a mim mesma e a todos os outros ativistas e defensores que adotam outras estratégias de trabalho. Nos anos 90, a linha de ativismo animal se baseava em protestos pacíficos, panfletagem, vigílias, abaixo-assinados e alguns atos de ocupação de propriedades. Apesar de algumas conquistas, com o tempo assistiu-se a um retrocesso, com o público em geral ficando cada vez mais indiferente aos abusos cometidos contra animais. Sem contar que esta tática não funcionava com as grandes corporações, que influenciavam o governo e a legislação a seu favor.

Com a mudança para uma tática mais agressiva, que impacta em lucros e custos, os resultados se tornaram mais efetivos. Mas como esperado, junto com eles cresce um movimento repressor das autoridades, cujo objetivo é calar e punir aqueles que têm coragem e audácia suficiente de bater de frente no paradigma social e político dominante. Assim, ativistas de direitos dos animais passaram a ser perseguidos pela polícia, têm seus computadores confiscados e suas linhas telefônicas grampeadas, como se fossem criminosos. Alguns chegam a ser detidos e até julgados por atitudes simplórias como liderar piquetes ou fazer muito barulho em protestos não-violentos, sendo acusados por intimidação, molestamento e autoria de ameaças. Um ativista certa vez respondeu a um vizinho que a acusava de ser terrorista: “Se ficar do lado e defender seres inocentes faz de uma pessoa um terrorista, aceito o rótulo com muito orgulho”. Essa declaração foi interpretada como um depoimento no qual ela estaria admitindo ser uma terrorista.

Este ataque ao Movimento de Defesa dos Animais do Congresso, patrocinado pessoalmente pelo Presidente George W. Bush, é mais dirigido aos ativistas que agem clandestinamente. Porém o maior temor é que, além de exagerado e tendencioso, ele possa ser mal interpretado de uma forma que enfraqueça o direito à liberdade de expressão e atividades de protestos legais, prejudicando tudo o que os idealistas da causa animal já conquistaram ao longo dos anos. Na teoria, a decisão do Governo define multas e penas para os ativistas que causam prejuízos econômicos para instituições, ou seja, não estaria impactando o trabalho de ativistas não clandestinos. No entanto pode-se se assistir um efeito paradoxo: novos ativistas que estão se engajando na causa podem pensar que é mais seguro atuar de forma marginal do que se expor a perseguição ou ao julgamento da lei.

Voltando à linha de atuação da ALF, o que é feito com os animais que são libertados? Existem lugares que os mantém seguros?
Quando os ativistas libertam os animais, normalmente eles são devolvidos para o seu habitat, onde terão a chance de se recuperar e ter sua vida natural. No caso de pets usados em laboratórios, como gatos, cachorros, ratinhos e coelhos, estes ganham a chance de viver com o respeito que merecem como animais de companhia. O movimento identifica novos lares e donos para esses animais antes da ação propriamente dita e geralmente estes se localizam em outras cidades e estados.

Alguns críticos do movimento argumentam que animais selvagens reintroduzidos na natureza correm um risco maior de acabar perecendo sendo predados ou sofrendo acidentes perto de áreas mais urbanas. O contra-argumento é que animais selvagens já enfrentam naturalmente dificuldades e, por isso, têm seus mecanismos de defesa. Além disso, ao serem soltos, têm mais chance de viver dignamente, uma vez que presos numa fazenda de produção, por exemplo, todos estariam fadados a morrer de forma sofrida simplesmente para atender a vaidade de algumas pessoas. Outra crítica é a de que as libertações só abririam espaço para mais animais serem levados para laboratórios e fazendas e passarem pelo mesmo sofrimento. Exatamente por isso muitas ações combinam libertação com intercepção e até destruição de algumas instalações, com o objetivo de gerar prejuízo e inviabilizar, ou pelo menos adiar, as experiências e matanças.

O filme/documentário Behind the Mask, lançado em março do ano passado nos Estados Unidos, mostra abertamente a linha de ação da ALF? Ele será lançado no Brasil?
O filme Behind the Mask é um documentário bem completo sobre a ALF e seus esforços para libertar os animais das torturas causadas pelos homens. Ele foi dirigido e produzido por Shannon Keith, uma advogada de direito dos animais muito atuante nos Estados Unidos que trabalha na linha de resgatar animais de rua e promover informação e educação para o público em geral e também para a imprensa. Aliás, o documentário foi produzido como resposta a uma tendência percebida por parte da mídia de fazer relatos parciais contra movimentos de direitos dos animais.

Através de depoimentos e imagens, o filme é conduzido de uma forma que é difícil não se sensibilizar e apoiar as atitudes dos ativistas da “milícia da noite”, que arriscam sua liberdade e até sua vida infringindo a lei em prol da libertação animal. Ele também relata claramente a verdade cruel por trás da indústria da vivissecção, mostrando que os verdadeiros terroristas são aqueles que exploram e abusam dos animais objetivando apenas lucro. A NAALPO e a própria Shannon acreditam que o filme irá correr o mundo, mas o tempo para isso depende de cada país. Esperamos que no Brasil tenha distribuidores interessados em exibi-lo, para que o público conheça melhor os ideais da ação da ALF e a necessidade de proteção de nossos irmãos animais.

Para saber mais:
ALF - http://www.animalliberationfront.com/
NAALPO - http://www.animalliberationpressoffice.org/
*entrevista publicada na Revista dos Vegetarianos - ano1, n.5 - dezembro 2006

domingo, janeiro 21, 2007







Mais fotos do Santuário dos Chimpanzés - Projeto GAP Brasil







Santuário de Chimpanzés - Projeto GAP Brasil

Visita e reunião de voluntários em janeiro de 2007

Maiores informações: http://www.projetogap.com.br/