domingo, junho 01, 2008

Curtas
Por Jaqueline B. Ramos*
Líder em desmatamento...

Recentemente o Brasil ganhou notoriedade mundial, mas com um dado que não é motivo nenhum para orgulho. Segundo o relatório Global Monitoring Report, realizado pelo Banco Mundial (Bird) e divulgado no início do mês de abril, a maior parte do desmatamento mundial vem se dando no Brasil e na Indonésia, nesta ordem. No ranking publicado no relatório, relativo ao período de 2000 a 2005, desmatou-se um total de 31 mil quilômetros de área florestal, seguido pela Indonésia, que somou 18,7 mil quilômetros, e o Sudão, que derrubou 5,9 mil quilômetros de sua área florestal.

Brasil e Indonésia são os dois países que detêm as maiores áreas florestais do mundo. De acordo com o relatório, em ambos os casos o desmatamento progressivo tem como causa a transformação das florestas em terras agrícolas. Aqui, a derrubada de florestas se dá por uma demanda específica por carne, soja e madeira. Já na Indonésia a demanda é por madeira e por terras para a obtenção do óleo de palma. Mas em um dado o Brasil ainda se mostrou numa situação mais delicada que a Indonésia: enquanto lá os índices de desmatamento se mostraram inalterados desde 1990, aqui os números cresceram de 2,7 milhões de hectares devastados na década de 90 para 3,1 milhões, segundo o levantamento do Bird.

... e Amazônia em risco (mesmo debaixo de chuva)

E em nível nacional as notícias sobre avanços no desmatamento também são delicadas. E envolvem nada mais nada menos do que a Amazônia. Segundo dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), o desmatamento na floresta continuou em alta em fevereiro, mês de chuva e, por isso, período no qual historicamente assiste-se a uma diminuição na derrubada da floresta. O sistema Deter do Inpe, que detecta a devastação em tempo real, mostrou que foram derrubados no mês de fevereiro 724 quilômetros quadrados de floresta, número 12% maior que os 639 quilômetros quadrados derrubados em janeiro. O primeiro semestre é considerado como “inverno” na Amazônia, por ser o período de estação chuvosa, e a época na qual o desmatamento tende a cair.

Tubarões em risco

A espécie de tubarão conhecida como “tubarão-martelo” entrará oficialmente na lista de animais ameaçados de extinção em 2008, conforme anunciado recentemente pela IUCN (World Conservation Society) na reunião anual da Associação Americana para o Avanço da Ciência. A causa maior, segundo a organização, é a caça indiscrimada dos animais para atender o mercado bilionário das barbatanas, além da pesca predatória nos oceanos, que fazem os animais como vítimas nas redes e armadilhas.

Estima-se que a população de várias espécies de tubarões, entre os quais o “tubarão-tigre”, o “tubarão-de-cabeça-chata” e o “tubarão-negro”, diminuiu cerca de 95% desde a década de 70. De acordo com a IUCN, o “tubarão-martelo”, que entrará na lista de ameaçados na categoria “globally endangered” (ameaçado globalmente), corre um risco maior pelo fato dos animais jovens habitarem águas rasas perto de costas, fazendo isso como uma forma de fugir de predadores naturais. “Muitos tubarões estão agora em risco de extinção como resultado de um processo de captura descontrolada que acontece há vários anos”, anunciou a IUCN. A atividade de pesca de tubarões em águas internacionais é feita sem qualquer tipo de restrição e uma resolução das Nações Unidas já propõe a regulamentação urgente de cotas de pesca e a proibição da caça para a prática (cruel e covarde) do corte das barbatanas.

Menos embalagens

Todo mundo já ouviu falar sobre a importância na redução do uso de embalagens e de sacolas plásticas. E uma campanha conduzida pelo Ministério do Meio Ambiente desde o mês de março tem como objetivo reforçar o conceito, incentivando os brasileiros a praticar o consumo sustentável. Com o slogan “A escolha é sua, o planeta é nosso”, a campanha Consumo Consciente de Embalagens consiste numa tentativa de despertar o consumidor a prestar atenção no que está em volta do produto que ele compra, levando em conta a variável ambiental. As embalagens consistem em um terço do lixo doméstico no país e a campanha orientará produtores, varejistas e consumidores sobre as vantagens na utilização de meios alternativos. Um dos focos é o incentivo da substituição de sacolinhas plásticas, usadas principalmente nos supermercados, por sacolas retornáveis, que são reutilizáveis.

“Rio de Janeiro” desintegrado

O processo de aquecimento global deu mais um sinal de seu avanço. E dessa vez no pólo sul, mais especificamente no mar do oeste da Antártica.
Um bloco gigantesco de gelo, que em tamanho se equipara à área da cidade do Rio de Janeiro, entrou em colapso e se desintegrou ao longo do mês de março, conforme divulgou o Centro Britânico de Pesquisas da Antártica. Segundo os cientistas, que acompanharam o fenômeno através de imagens de satélite e imagens feitas por cinegrafistas a partir de sobrevôos no local, a desintegração do imenso bloco de gelo, formado no local há 1,5 mil anos, é definitivamente resultado do aumento progressivo da temperatura no planeta.

Robôs cobaias

No lugar de animais, robôs sendo testados em experiências em laboratórios. Esse avanço importantíssimo para uma ciência mais ética dá seu primeiro passo com cientistas americanos fazendo testes preliminares com substâncias químicas em células criadas artificialmente. Segundo artigo publicado na revista Science, duas agências do governo americano estão estudando a possibilidade de usar robôs de alta-velocidade para a realização de testes de identificação de substâncias químicas com efeitos tóxicos.

O objetivo, em longo prazo é desenvolver métodos de testes que não dependam de animais e sejam rigorosos o suficiente para ser aprovados pelos reguladores. Embora os cientistas afirmem que ainda há muitos anos pela frente até que os testes sem o envolvimento de animais se tornem rotina, esse tipo de pesquisa demonstra que a era de robôs cobaias é uma realidade que se demonstra cada vez mais plausível.

Baterias ecológicas

Pesquisadores do Laboratório Nacional de Luz Sincroton, em Campinas (SP), estudam novos materiais visando tornar baterias de celular e de notebooks em materiais menos impactantes para o meio ambiente – e, também, mais eficientes. Atualmente essas baterias são um problema na hora do descarte, sendo consideradas como lixo eletrônico, cuja eliminação é muito complicada. De acordo com o laboratório, o caminho para baterias com melhor desempenho e mais ecológicas é o uso de materiais nanoestruturados, ou seja, materiais dispostos em partículas muito pequeninas (na ordem de 0,0000000001 metros). Através da nanotecnologia, a intercalação do lítio com o óxido de cobalto na composição das baterias se tornaria muito maior, e, conseqüentemente, mais eficiente e segura para o descarte na natureza.

Fim das queimadas em canaviais

O Governo do Estado de São Paulo e a Orplana (Organização de Plantadores de Cana da Região Centro-Sul do Brasil) assinaram no início de março um acordo que antecipa o prazo para se colocar fim na prática das queimadas nos canaviais e estipula a tomadas de ações de sustentabilidade ambiental no setor. De acordo com o Protocolo Agroambiental, lançado em abril do ano passado e assinado por representantes de 13 mil fornecedores do setor sucroalcooleiro, o prazo para a eliminação das queimadas era o ano 2021. Com este acordo o prazo foi antecipado para 2014, tendo ainda possibilidade, como dizem fontes do Governo, de ser adiantado em mais dois anos.

Segundo o Secretário do Meio Ambiente, Francisco Graziano Neto, até agora 141 das 170 indústrias do setor aderiram ao acordo, o que representaria uma redução da área queimada em 109 mil hectares no primeiro ano do funcionamento das diretrizes de conduta ambiental. Ainda de acordo com o secretário, o Estado hoje já colhe 47% da cana-de-açúcar de forma mecanizada, sem queimadas.

Aquecimento global no Brasil

O Jornal Diário de Pernambuco publicou em março o mapa da área do Brasil que mais vai sofrer o impacto do aquecimento global, localizada no semi-árido nordestino. A partir de análises elaboradas pelo cientista José Marengo, um dos principais estudiosos do aquecimento global e mudanças climáticas do Brasil, o aumento da temperatura agravará os problemas de uma região que já sofre com a seca e a miséria da população.

Segundo a reportagem, a área em questão tem 193 mil quilômetros quadrados e está localizada nos limites de três estados - sudeste do Piauí, oeste de Pernambuco e Norte da Bahia. Lá se encontram os piores indicadores sócio-econômicos do país. A reportagem diz que “a maioria das projeções de clima mostra que nesta mesma área a vegetação pode virar de caatinga para vegetação de tipo cactácea e os indicadores sociais são muito baixos, o que dificulta a adaptação das pessoas à alteração climática”. Ainda, segundo o trabalho, “em época de seca, por exemplo, a única alternativa que resta para parte da população é a emigração – tornando-se ‘flagelados’, no vocabulário tradicional, ou ‘refugiados ambientais’, no vocabulário da Era do Aquecimento”.

Velocidade limpa

Cientistas britânicos apresentaram na Feira de Automóveis realizada na Suíça, em março, um produto que seria o sonho de consumo dos apaixonados por velocidade que são conscientes dos impactos ambientais causados por veículos. O Lifecar, carro esporte que chega à velocidade de 150km/h e não emite dióxido de carbono, foi mostrado e comemorado na feira.

O carro, movido a hidrogênio, produz muito pouco barulho e apenas vapor d’água de seu exaustor. O uso de células de combustível avançadas e de um sistema de armazenamento de energia dá ao Lifecar autonomia de 400 km por tanque de hidrogênio. “O conceito básico era construir um carro esporte para lazer e divertimento, que funcionasse como uma vitrine da tecnologia e tivesse capacidade de correr 240 km por galão”, declarou na época da feira a fabricante de carros esportes clássicos Morgan, responsável pelas pesquisas que geraram o Lifecar. Por enquanto o carro de velocidade limpo ainda é um conceito, mas a fabricante não descarta a produção do automóvel para o mercado no futuro, caso ele tenha boa aceitação do público.

Galápagos eólica

Em fevereiro o Governo do Equador deu o primeiro passo para pôr fim à dependência do petróleo do arquipélago de Galápagos. No dia 18 foi inaugurado um parque eólico de US$ 10,8 milhões na ilha de San Cristóbal, que foi celebrado com a declaração do Governo de que o arquipélago ficará livre de combustíveis fósseis até o ano de 2015. Atualmente Galápagos tem 30 mil habitantes e recebe mais de 120 mil turistas por ano. Entre os recursos que chegam do continente para abastecer as ilhas estão grandes quantidades de óleo combustível, usadas para transporte e geração de energia.

Em 2001, um navio-tanque bateu contra um recife exatamente em San Cristóbal e derramou cerca de 568 mil litros de combustível no oceano. Por sorte as correntes desviaram o óleo dos ecossistemas onde vivem milhares de espécies endêmicas do arquipélago e os impactos não foram tão grandes. Mesmo assim, o susto fez com que Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Rússia fizessem uma associação com o Equador, com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e com nove das maiores empresas hidrelétricas do mundo para construir o Projeto Eólico San Cristóbal. Cerca de 50% da energia da ilha agora procede das três turbinas eólicas de 800 quilowatts instaladas.

Chimpanzés não são entretenimento

Especialistas em grandes primatas de renome internacional lançaram um apelo em prol do respeito aos chimpanzés usando argumentos científicos. Em artigo publicado na revista Science no mês de março, nomes como Jane Goodall (primeira cientista a demonstrar que os chimpanzés selvagens também fabricam e usam ferramentas, como as pessoas) e Brian Hare (um dos maiores especialistas na vida mental e social da espécie) afirmam que é preciso parar o quanto antes com o uso de chimpanzés, os parentes mais próximos do homem no mundo animal, como garotos-propaganda e astros da TV ou do cinema.

Pesquisas realizadas nos Estados Unidos indicam que os macacos-artistas distorcem a percepção do público sobre a situação da espécie, levando as pessoas a acreditar que se trata de um animal que pode ser usado como bicho de estimação e que não está ameaçado de extinção. Segundo os cientistas-autores do estudo, o objetivo é mostrar que a representação inadequada dos chimpanzés tem conseqüências amplas na atitude do público, que por sua vez têm efeitos ligados à preservação da espécie. Estudos feitos com visitantes em zoológicos americanos mostraram que embora mais de 90% das pessoas soubessem que gorilas e orangotangos estão ameaçados de extinção, menos de 70% delas estavam cientes de que os chimpanzés também estão ameaçados.

Além disso, o estudo também aponta problemas de bem-estar enfrentados pelos chimpanzés “domesticados”: os animais criados por pessoas têm dificuldade para conviver com seus semelhantes e desenvolvem problemas comportamentais que vão da impotência à automutilação, sem contar os maus-tratos sofridos em resposta às atitudes selvagens e naturais dos bichos.

Fontes: BBC, ENN – Environmental News Network, jornal O Globo, Ambiente Brasil, EcoAgência de Notícias, Agência Envolverde
*Publicado no Informativo do Instituto Ecológico Aqualung n. 78 - março/abril 2008. Veja o informativo completo aqui.
Pelos homens e pelos animais...

Veterinários da WSPA têm acesso liberado para ajudar animais em Mianmar

Foto: divulgação WSPA
Uma equipe da WSPA que avalia as necessidades dos animais e presta ajuda em casos de desastre recebeu no dia 23 de maio permissão para entrar em Mianmar e começar a dar assistência aos animais dos quais as comunidades locais tanto dependem.

A equipe conta com cinco veterinários, que chegarão na segunda e na terça-feira, logo depois de a WSPA entregar 31 toneladas de ração para os animais. Essa ração será recebida em Mianmar pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), com quem iremos trabalhar.

O líder da equipe, Dr. Ian Dacre, disse hoje que a união das organizações contribui para se conseguir bons resultados:

– Mal podemos esperar para entrar e começar a ajudar os animais. Fazendo isso, nós também iremos melhorar a situação das pessoas que contam com esses animais como alimento e meio de vida. Nosso plano é trabalhar em conjunto com agências humanitárias e usar a logística de trabalho que elas já estabeleceram para prestar ajuda.

A WSPA é a primeira organização de bem-estar animal a receber acesso a Mianmar. Ela irá distribuir alimento, evitar a disseminação de doenças e aliviar o sofrimento dos animais sobreviventes, o que é de vital importância para a recuperação e a segurança alimentar das comunidades afetadas pelo Ciclone Nargis.

segunda-feira, abril 21, 2008



Matar não é a solução

Estado de SP proíbe a matança indiscriminada de animais em CCZs

No último dia 17 as pessoas que acreditam na necessidade do desenvolvimento de políticas públicas sérias para o controle populacional de animais de rua abandonados (principalmente cães e gatos) tiveram um motivo para comemorar. O Governador do Estado de São Paulo, José Serra, sancionou a Lei 12.916, de autoria do Deputado Feliciano Filho (PV), que institui que os centros de controle de zoonoses, canis municipais e congêneres não poderão mais matar os animais de como forma de controle populacional.

Na prática isso significa que a matança indiscriminada de cães e gatos nos CCZs do estado de SP será considerada crime a partir de agora. Trata-se de uma vitória para os animais e um alerta para um problema de saúde pública que é crescente em muitos centros urbanos. A implementação da lei deve ser comemorada, mas ao mesmo tempo é necessário que o Governo providencie mecanismos de controle e fiscalização da prática e que a população participe ativamente divulgando e aplicado no seu dia-a-dia os conceitos de posse (ou guarda) responsável e incentivando a adoção de animais.

Segue abaixo o relato do Deputado Feliciano sobre a lei.

Abs,
Jaqueline B. Ramos

VITÓRIA DOS ANIMAIS. RESPEITO À VIDA!

17/04/2008 - Por Deputado Feliciano Filho - PV

No dia 17 de abril de 2001 quando minha cachorrinha Aila me levou até o centro de zoonoses de Campinas fiquei tão horrorizado com o que vi, e naquele momento fiz uma promessa que daquele segundo em diante dedicaria a minha vida aos animais e lutaria para acabar com as mortes nos centros de controle de zoonoses. Exatamente no dia 17 de abril de 2008, ou seja, há exatos sete anos, consegui cumprir minha promessa.

Foi uma luta muito dura árdua, onde renunciei a minha vida pessoal, mas compensou, pois a partir de agora com a aprovação da Lei 12.916 de minha autoria, os centros de controle de zoonoses (carrocinhas), canis municipais e congêneres não poderão mais matar os animais indefesos, que não tem voz nem a quem recorrer, de forma indiscriminada, como forma de controle populacional, sendo apenas permitida a eutanásia em animais que apresentem males ou doenças incuráveis ou enfermidades infecto-contagiosas que coloquem em risco a saúde pública, devendo ser justificada por laudo técnico que ficará á disposição das entidades de Proteção Animal.

Esta nova Lei autoriza o Governo do estado a fazer convênios com os municípios no intuito de instituir políticas públicas corretas para os animais tais como: castração, identificação e conscientização da população.

Os cães comunitários também estão protegidos, vale lembrar que "Cão Comunitário" é aquele que estabelece com a comunidade laços de dependência e manutenção, embora não possua responsável único e definido, a partir de agora serão recolhidos para esterilização e registro, sendo posteriormente devolvidos aos locais de origem.

Quanto à questão dos cães com mordedura injustificada comprovada por laudo médico, estes serão encaminhados para programas especiais de adoção, podendo somente ser sacrificado após o prazo de 90 dias de seu recolhimento. São Paulo mais uma vez sai na frente dando exemplo, e não tenho dúvida que outros estados seguirão o mesmo caminho.

A APROVAÇÃO DESSA LEI CONFIGURA-SE EM UM ATO HISTÓRICO, DIVISOR DE ÁGUAS E MUDANÇA DE PARADIGMA, POIS ACABA COM UMA PRÁTICA ARCAICA, INEFICÁZ, CRUEL E DESUMANA, ALÉM DE ESTAR DE ACORDO COM O QUE É PRECONIZADO PELA ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE, ORGANIZAÇÃO PANAMERICANA DE SAÚDE E COM O PRÓPRIO BEPA (BOLETIM DA SECRETARIA DO ESTADO DE SÃO PAULO).

QUERO CUMPRIMENTAR O GOVERNADOR PELO SEU DISCERNIMENTO, LUCIDEZ, E RESPONSABILIDADE COM A COISA PÚBLICA, A PROBLEMÁTICA DOS ANIMAIS NÃO É SÓ UMA QUESTÃO HUMANITÁRIA, MAS TAMBÉM DE SAÚDE PÚBLICA, MEIO AMBIENTE E DE RESPEITO AO DINHEIRO PÚBLICO; POIS, AS PREFEITURAS, DE UMA FORMA GERAL, GASTAM TRÊS VEZES MAIS PARA PIORAR UMA SITUAÇÃO QUE CRESCE DE FORMA GEOMÉTRICA AO PASSO QUE PODERIAM GASTAR UM TERÇO TRABALHANDO NAS CAUSAS PARA RESOLVER O PROBLEMA.


Temos vagas
O crescimento da produção de biodiesel está puxando a oferta de empregos e os salários em toda a cadeia, mas treinamento e especialização fazem a diferença para empregados e patrões
Usina de biodiese Bsbios, no RS (divulgação)
Por Jaqueline B. Ramos, de São José dos Campos*
* Publicado na Revista BiodieselBR, ano 1, número 4, abril/maio 2008

O aumento na produção de biodiesel no Brasil, impulsionado nos últimos três anos pela Lei 11.097, traz uma série de vantagens ambientais, econômicas e sociais para o país. E uma demanda em específico é também muito importante quando se pensa nos benefícios da produção do combustível verde no longo prazo: a mão-de-obra qualificada para atuar no setor. Por ser uma área relativamente nova, a oferta de empregos na área de biodiesel – do suporte para produção de matéria-prima até o produto final – caminha em ritmo crescente. O resultado é a criação de um nicho de mercado promissor, que abrirá espaço para profissionais que estiverem dispostos a se especializar.

Em outras palavras, quando se fala em empregos no setor de biodiesel, o maior desafio hoje é adequar a oferta de profissionais à pronta demanda por parte das usinas. “Para trabalhar com biodiesel, o ideal é que o profissional tenha conhecimento da área de extração de óleos vegetais e/ou da área petroquímica. A produção de biodiesel é justamente a junção dessas duas áreas. Até achamos profissionais experientes e com este perfil no mercado, mas mesmo assim ainda é necessário treinamento para adequação às novas tecnologias”, explica Erasmo Carlos Batistella, diretor de operações da Bsbios, usina instalada na cidade de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul.

O treinamento específico oferecido pelas próprias empresas é uma realidade comum para qualificação da mão-de-obra no setor. A Bsbios, por exemplo, montou um curso junto com a escola local do Senai (Serviço Nacional da Indústria) e com a Intecnial, empresa representante da tecnologia norte-americana importada pela usina, para os 70 funcionários que contratou para dar início à operação da usina há cerca de um ano.

Num panorama geral os empregos se concentram nas áreas de química, biologia, engenharia mecânica e engenharia química, formações de nível superior ligadas às atividades de processo. As usinas também empregam profissionais de formação técnica especializados em mecatrônica, elétrica e química, que geralmente atuam nas atividades de laboratório e operacional. E pensando na cadeia produtiva como um todo, o mercado também gerou um número significativo de empregos para engenheiros agrônomos e técnicos agrícolas, por conta dos trabalhos de pesquisa e desenvolvimento de novas culturas em pequenas propriedades rurais incentivados por programas de geração de renda no campo do Governo Federal.

Formação especializada

A formação de pós-graduação tem uma grade que leva o aluno ao conhecimento técnico de todos os elos da cadeia do biodiesel, da agricultura à certificação, passando pela produção, co-produtos e armazenamento. Mas uma das características mais importantes para a formação de um bom profissional na área é a aplicação de uma visão ambiental, que perpassa todas as etapas da cadeia produtiva.

“Os profissionais da área de biocombustíveis, obrigatoriamente, devem ter uma formação mais ecológica. A cadeia produtiva do biodiesel apresenta tanto entraves tecnológicos como ambientais e de gestão”, afirma Iracema Andrade Nascimento, diretora de Pesquisa e Pós-graduação da Faculdade de Tecnologia e Ciências (FCT), na Bahia, e coordenadora do Mestrado Profissional em Bioenergia oferecido pela instituição.

O mercado formal de biodiesel é novo e exige formação adequada, mas esta deve ser combinada com pioneirismo e inovação. “Os problemas só são vencidos com um planejamento que tenha como uma de suas metas a formação de pessoal qualificado e a atuação de especialistas com uma visão mais eclética” aponta a diretora da FCT.

O diferencial está na implementação de inovações em termos de melhorias tecnológicas e ajustes gerenciais que venham dar competitividade aos custos de produção. “As usinas sentem falta de gestores. Muitas mudanças vão acontecer no mercado diante da necessidade das empresas honrarem o compromisso de adição de biodiesel ao óleo diesel”, explica Osmar de Carvalho Bueno, coordenador do curso de Gestão da Cadeia Produtiva de Biocombustíveis, com ênfase em biodiesel, especialização oferecida pela Universidade do Estado de São Paulo (Unesp).

Salários em alta

Mesmo com o aumento de preço das principais matérias-primas, a tendência para o biodiesel é de forte crescimento, estimulando a oferta de empregos e valorizando as profissões. “É muito provável que a Bsbios contrate mais profissionais a cada ano, e isso vai aquecer ainda mais o mercado.” constata Batistella.

“No geral, os salários pagos aos profissionais da área ainda estão dentro da média de mercado, mas, com base no crescimento projetado para a atividade e na escassez de profissionais prontamente capacitados, a tendência atual é de crescimento dos salários no curto prazo”, ressalta Iracema.

A usina gaúcha já sente os reflexos desse crescimento. "Podemos afirmar que os salários de nossos empregados já têm valores um pouco mais altos do que a média da região”, constata o diretor de operações.

A perspectiva de bons salários aliados à atuação num setor comumente associado a equilíbrio ambiental e desenvolvimento sustentável pode ser a base para uma carreira dos sonhos. E a especialização é um passo importantíssimo para um emprego movido a diesel limpo, mas é a visão ambiental, multidisciplinar e integrada, que faz o especialista ser um profissional do futuro na área de biodiesel.

BOX: Cursos de qualificação

Latu-sensu (especialização)

Gestão da cadeia produtiva de biocombustíveis, com ênfase em biodiesel (Faculdade de Ciências Agrárias, UNESP – Botucatu, SP)
www.fca.unesp.br/pos_graduacao/latosensu/index.php

Pós-Graduação em biodiesel (Centro Federal de Educação Tecnológica de Rio Verde - Cefet-RV, Goiás)
http://www.cefetrv.edu.br/

Strict-sensu (mestrados profissionais)

Mestrado profissional em Agroenergia (Escola de Economia, Fundação Getúlio Vargas – São Paulo, SP)
http://www.eesp.fgv.br/

Mestrado profissional em Bionergia (Faculdade de Tecnologia e Ciências - Salvador, BA)
www.ftc.br/ftc/bioenergia/apresentacao.php

BOX: Desenvolvimento local

Não há dúvidas em relação ao potencial da indústria do biodiesel no incremento do desenvolvimento local nos municípios onde as usinas se instalam. E representantes do próprio poder público das cidades beneficiadas fazem questão de exaltar as vantagens que o biodiesel traz para o seu município e região.

“A construção da indústria da Agrenco na nossa cidade só trouxe benefícios. As obras geraram um aumento muito grande na oferta de empregos na área de construção civil, tanto que profissionais da região tiveram que migrar para a cidade, para atender os serviços que não demos conta sozinhos.” conta Mateus Palmas de Farias, prefeito da cidade de Caarapó, no sudoeste do Mato Grosso do Sul”. Com isso os profissionais se valorizaram e agora recebem salários melhores. “Um pedreiro que trabalhava por R$ 700 por mês, hoje não faz serviços por menos de R$ 1.200”, confirma o prefeito.

A usina da Agrenco em Caarapó já começa a operar este mês (abril) e as obras duraram cerca de três anos. Neste período foram 15 empreiteiras com canteiros de obras que empregaram aproximadamente 15 mil pessoas (1000 contratados por empresa). O crescimento significativo da população flutuante no município aqueceu o mercado imobiliário e agora a cidade tem seus imóveis mais valorizados, sem contar o aumento no volume de vendas por parte de fornecedores locais de materiais de construção. Com a expectativa de que muitos trabalhadores permaneçam na cidade para trabalhar na usina, a previsão é que a economia local continue em plena expansão.

Compromisso social

Mas entre tantos benefícios, o prefeito da cidade sul matogrossense faz questão de ressaltar duas questões que considera vitais para a cidade com a chegada da Agrenco: o incentivo à agricultura familiar e o compromisso social da empresa com o município. “Desde a sua chegada na cidade, a Agrenco vem realizando um trabalho muito importante com os pequenos produtores locais, investindo no desenvolvimento das culturas de mamona, girassol e pinhão-manso. A empresa também patrocinou a reforma e ampliação de uma creche municipal que atende cerca de 200 crianças, o que é extremamente significativo para nós”, conta Mateus.

Em relação à arrecadação de impostos, o prefeito de Caarapó explica que o aumento no valor de tributos recolhidos ainda não foi sentido porque o próprio município ofereceu incentivos de isenção para que a usina se instalasse na cidade. Mas, com o iminente início da operação, a previsão é de aumento substancial na arrecadação.

domingo, abril 13, 2008

Lâmpadas de Água

quinta-feira, abril 03, 2008

Vender ou não animais silvestres, eis a questão...

por Jaqueline B. Ramos*

Mesmo sendo ameaçada de extinção, a ararajuba é uma das espécies que constam na proposta de lista do Ibama de animais silvestres que poderão ser comercializados oficialmente como pets. Proposta gera polêmica e reacende debate ético sobre "pets selvagens"

Há pouco menos de um mês deu-se início uma batalha no campo da comercialização de animais silvestres no Brasil. De um lado o Ibama, que lançou uma consulta pública, que será finalizada neste próximo dia 6 de abril, sobre a lista que define 54 espécies nativas como as únicas que poderão ser vendidas como pets. Do outro os criadores comerciais, dizendo que a lista é muito restritiva e consiste numa ameaça aos trabalhos de conservação que poderiam ser feitos com os investimentos na reprodução dos bichos criados em cativeiro. E no meio disso tudo estão os animais, vivendo em cativeiro ou correndo riscos na natureza, o tráfico a todo vapor e os questionamentos éticos sobre a aquisição de uma espécie selvagem como animal de companhia.

Das 54 espécies listadas pelo Ibama, 51 são aves (a maior parte psitacídeos, como os papagaios) e três são répteis (iguana e dois lagartos). E pára por aí. Se esta lista for aprovada, nenhum primata ou outro mamífero brasileiro, por exemplo, poderá mais ser vendido como animal de companhia. Mas porque uma mudança como essa depois de tanto tempo de comércio legalizado? Segundo a COEFA, Coordenação de Gestão do Uso de Espécies de Fauna do Ibama em Brasília, setor que liderou o trabalho de definição das espécies, os objetivos da lista são combater o tráfico, problema antigo e crescente no Brasil, e aprimorar o trabalho de controle dos técnicos do instituto, que passariam a ter um documento oficial como base para consulta no processo de fiscalização.

Leia a reportagem completa no site O ECO aqui.

*Publicado no site O ECO em 03/04/2008

quarta-feira, março 19, 2008


Uso racional de água: a importância da conservação dos recursos hídricos

Rio Solimões, Amazonas (foto: Jaqueline B. Ramos)

Por Jaqueline B. Ramos*


Você ouve falar todo dia que é importante não desperdiçar água, do contrário ela um dia pode acabar e levar países a guerras no futuro. Mas aí você lembra das aulas na escola onde a professora explicava o ciclo de renovação da água, da evaporação e o retorno em forma de chuva, e se pergunta: se a água é um recurso renovável, qual é o motivo de tanta preocupação? E a resposta é: o impacto, pela ação desenfreada do homem, no ciclo de renovação natural dos recursos hídricos. Em outras palavras: a água vem sendo consumida de forma tão rápida e intensa que não dá tempo de ser renovada (ou de ser tratada de forma viável para sua reutilização ou devolução à natureza).

Além do consumo desenfreado, o desmatamento de áreas naturais e a poluição de rios e mananciais são outros agravantes da conservação dos recursos hídricos. A Organização das Nações Unidas pra Agricultura e Alimentação (FAO) estima que 30% das grandes bacias hidrográficas em todo o planeta já tenham perdido mais da metade de sua cobertura vegetal original, resultando numa redução significativa da quantidade de água disponível.

Outro dado alarmante é que se calcula que 50% dos rios do mundo já estão tão poluídos por esgotos, dejetos industriais e agrotóxicos a ponto de existirem casos irreversíveis, nos quais as fontes de água ficam impossibilitadas de se recuperar e serem utilizadas novamente. É o exemplo do rio Huangpu, maior fonte de água da capital chinesa Xangai. Ele está tão contaminado por poluentes industriais e agrícolas que não registra vida aquática há mais de 20 anos. Aliás, a China, país que mais cresce no mundo e detentor de 20% da população mundial, é um dos que apresentam os problemas mais graves de escassez de água.

Em relação ao consumo progressivo, estima-se que, enquanto a população mundial duplicou no último século (hoje somos mais de seis bilhões de pessoas), o consumo por água aumentou em sete vezes. Os motivos são o crescimento das atividades agrícolas e industriais e da urbanização e a intensificação da ocupação do homem nas bacias hidrográficas. Considerando o fato de que a quantidade de água existente não mudou – 97% consistem em água salgada, 2% correspondem ao gelo nos pólos e topo de montanhas e apenas 1% é água doce disponível para consumo humano -, não é difícil de prever problemas de demanda maior que oferta.

Segundo o Conselho Internacional “World Water”, no ano de 2015 cerca de 3,5 milhões de pessoas viverão em lugares com problemas de escassez de água. A previsão de especialistas é que os maiores problemas de acesso à água de qualidade se dêem em grandes cidades, principalmente naquelas dos “países em desenvolvimento”, que devem assistir a um crescimento maior de sua população. Calcula-se, por exemplo, que toda a água subterrânea da China desapareça em 2030 e que pelo menos 40% da população dos países africanos e 20% dos latino-americanos não terão acesso à água adequada para consumo já nas próximas décadas.

E no Brasil, como estamos?

O Brasil detém 14% da água doce do mundo e 30% dos mananciais subterrâneos (tendo inclusive a maior parte do aqüífero Guarani, o segundo maior reservatório subterrâneo contínuo do mundo). Cerca de 60% da bacia amazônica, que escoa cerca de 1/5 do volume de água doce no planeta, estão em território brasileiro. Analisando esses números pode-se arriscar afirmar que estamos numa situação privilegiada. No entanto, tal privilégio não justifica que devamos relaxar em relação ao uso racional de água e sua conservação.

O patrimônio hídrico do Brasil é um dos mais importantes do planeta, o que nos dá uma imensa responsabilidade em relação à gestão estratégica das nossas águas. Além disso, mesmo diante de tanta abundância também temos nossos paradoxos: no mesmo país que tem exuberante disponibilidade hídrica há áreas críticas de escassez, como é o caso da região semi-árida dos estados de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte. Um dos planos do Governo para atendimento das cerca de 12 milhões de pessoas que já sofrem pela dificuldade de acesso à água é a integração do rio São Francisco com as bacias hidrográficas do Nordeste Setentrional, a chamada Transposição do São Francisco, um projeto com controvérsias técnicas e cujas obras, já iniciadas, são comumente objeto de protesto principalmente por parte de ambientalistas.

Outro paradoxo da nossa imensa riqueza hídrica é o desperdício da água que temos o privilégio de acessar. Em novembro de 2007, o Instituto Socioambiental (ISA) divulgou dados alarmantes a respeito da situação do abastecimento público e saneamento básico nas 27 capitais brasileiras. Em linhas gerais, o estudo revelou que quase a metade – 45% - da água retirada dos mananciais destas cidades é desperdiçada em vazamentos, fraudes e sub-medições. Isso leva a um número de 6,14 bilhões de litros de água jogados fora por dia, ou 2.457 piscinas olímpicas. Esse volume de água é suficiente para abastecer 38 milhões de pessoas durante um dia, o equivalente a população de um país como a Argentina. Porto Velho joga fora mais de 70% da água captada, detendo a liderança desse tipo de problema.

Se não bastasse o desperdício, o consumo per capita, ainda segundo o estudo do ISA, também é maior que o recomendado pela ONU – 110 litros por dia. A média de consumo mensurada nas capitais é de 150 litros e São Paulo, Rio de Janeiro e Vitória chegam a consumir mais de 220 litros/habitante/dia. Dados de saneamento básico não são menos desanimadores: quase metade da população das capitais, o equivalente a 19 milhões de pessoas, tem seus esgotos despejados nos rios e no mar sem qualquer tratamento. E cerca de 70% dessas pessoas não têm sequer a coleta e o afastamento dos resíduos, convivendo de perto com a água contaminada. Um dos resultados é um grande número de internações na rede pública de saúde ocasionadas por doenças transmitidas pela água.

Numa breve análise sobre a situação dos recursos hídricos no Brasil e no mundo, já é possível entender melhor porque o ciclo natural da água que aprendemos na escola não está mais conseguindo cumprir sua função de renovação como deveria. E os atuais eventos climáticos resultantes do aquecimento global tornam a probabilidade de uma escassez generalizada de água ainda mais iminente. O impacto na distribuição de chuvas pode gerar secas intensas em determinadas regiões, agravando o cenário de que nem sempre a Natureza oferece a água no lugar, momento e quantidade que precisamos.

Portanto, no próximo dia 22 de Março, o Dia Mundial da Água, lembre-se que há mais motivos de alerta do que comemoração. Fique atento, se informe e faça o que puder para mudar hábitos individuais e coletivos de consumo, de forma a colaborar com o uso racional da água, a conservação dos recursos hídricos e a sua própria qualidade de vida em médio e longo prazos. A água é um recurso insubstituível e não há fontes alternativas para assegurar a saúde das pessoas e do planeta.

Fontes:
ANA – Agência Nacional de Águas: http://www.ana.gov.br/
Instituto Socioambiental (ISA) – Campanha “De Olho nos Mananciais”: http://www.mananciais.org.br/
World Water Council: http://www.worldwatercouncil.org/

Saiba mais:
Water Footprint: http://www.waterfootprint.org/

BOX: Dicas de economia de água em casa

De acordo com a Organização das Nações Unidas, cada pessoa necessita de 110 litros de água por dia para atender as necessidades de consumo e higiene. No entanto, no Brasil este consumo pode chegar a mais de 200 litros/dia, o que significa desperdício de recursos naturais e dinheiro. Veja abaixo algumas dicas de como economizar água sem prejudicar a saúde, a higiene e a limpeza da casa – elas já são bem conhecidas, mas sempre é válido reforçar:

· Tome banhos menos demorados e feche o registro na hora de se ensaboar.
· Reaproveite a água que cai do chuveiro e dos ciclos da máquina de lavar para molhar plantas e outras atividades de limpeza da casa.
· Escove os dentes também com o registro fechado e enxágüe a boca com um copo de água.
· Nunca use a privada como lixeira ou cinzeiro e nunca acione a descarga à toa, pois ela gasta muita água. Mantenha a válvula da descarga sempre regulada e conserte os vazamentos assim que eles forem notados.
· Ao lavar louça, primeiro limpe os restos de comida dos pratos e panelas com esponja e sabão e só depois abra a torneira para molhá-los. Ensaboe tudo que tem que ser lavado e, então, abra a torneira novamente para novo enxágüe. Só ligue a máquina de lavar louça quando ela estiver cheia.
· Junte bastante roupa suja antes de ligar a máquina ou usar o tanque. Não lave uma peça por vez. Caso use lavadora de roupa, procure utilizá-la cheia e ligá-la no máximo três vezes por semana.
· Use um regador para molhar as plantas ao invés de utilizar a mangueira. Para economizar, a rega durante o verão deve ser feita de manhãzinha ou à noite, o que reduz a perda por evaporação.
· Uma piscina de tamanho médio exposta ao sol e à ação do vento perde aproximadamente 3.785 litros de água por mês por evaporação. Com uma cobertura, a perda é reduzida em 90%.
· Adote o hábito de usar a vassoura, e não a mangueira, para limpar a calçada e o pátio da sua casa.

Saiba mais: Programa de Uso Racional da Água/Sabesp – http://www.sabesp.com.br/

BOX: Cobrança pelo uso dos recursos hídricos no Brasil deve gerar R$ 27 milhões em 2008

A Agência Nacional de Águas (ANA) espera arrecadar R$ 27,4 milhões nas bacias do rio Paraíba do Sul e dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) ao longo de 2008. O montante será proveniente da cobrança pelo uso da água de 347 usuários. O dinheiro arrecadado será totalmente transferido para as agências de água das bacias de origem para investimentos em ações de recuperação dos rios, conforme decisão dos respectivos comitês.O valor estimado para este ano supera o de 2007, quando ficou em torno de R$ 22 milhões. Só na bacia PCJ devem ser arrecadados R$ 17,7 milhões – os quais serão cobrados de 97 usuários de recursos hídricos: 50 da indústria; 24 de saneamento, 14 de irrigação, entre outros. Já a bacia do Paraíba do Sul conta com 250 usuários sujeitos à cobrança: são 84 da indústria; 74 de saneamento; 44 de mineração; 32 de irrigação etc. Estima-se que, juntos, eles contribuirão com R$ 9,7 milhões.
Fonte: Revista Digital Água on Line: http://www.aguaonline.com.br/

BOX: Números sobre o uso da água no mundo

Ao contrário do que muitos pensam, o setor que mais utiliza água no mundo não é o industrial, mas o da Agricultura. Estima-se que as atividades agropecuárias – irrigação, tratamento de animais e lavagem de instalações e máquinas – usem cerca de 67% dos recursos hídricos disponíveis, sendo de longe o que mais gasta e o que mais precisa de esforços para o não-desperdício e conservação.

Em segundo lugar estão as Indústrias, utilizando cerca de 23% da água do mundo como matéria-prima para produção de alimentos, papel, tecidos etc. Por último está o que se chama de Abastecimento Público, com aproximadamente 10%, que engloba o uso doméstico (distribuição à residências, hospitais, escolas, parques públicos, combate a incêndios etc) e o uso comercial (escritórios, shopping centers, bares, restaurantes etc).


Fonte: Livro “Como Cuidar do seu Meio Ambiente” (BEI)

*Publicado originalmente no informativo n. 77 (janeiro/fevereiro 2008) do Instituto Ecológico Aqualung. Versão em PDF aqui.

*Publicado também na EcoAgência de Noticias.

Curtas

por Jaqueline B. Ramos*

Últimas da Amazônia 1

Apesar de anunciar oficialmente um possível ritmo de diminuição nos índices de desmatamento da Amazônia, dados relativos à expansão da pecuária na floresta mostram que a tendência não é bem de conservação. Segundo recente reportagem do jornal Folha de São Paulo, entre os anos de 2004 e 2007, somente o estado do Pará aumentou a exportação de carne proveniente da Amazônia Legal em 7.800%.

O crescimento, tão alto que chega a ser incomensurável, tem ligação direta com o aumento do desmatamento, que por sua vez é incentivado por terras baratas e crédito oficial a juros subsidiados. Ou seja, graças a um empurrãozinho do Governo, sai muito mais barato desmatar que investir na recuperação de pastos. Juntando isso ao preço elevado dos produtos agrícolas no mercado mundial, agropecuaristas se vêem num cenário perfeito para avançar sobre a Amazônia em busca de terras baratas e desocupadas para colocar seu gado e plantar suas monoculturas de soja.

Últimas da Amazônia 2


Numa espécie de resposta aos dados alarmantes de desmatamento da floresta que vem sendo divulgados, o Governo anunciou um pacote que visa dar anistia a quem derrubou ilegalmente áreas na Amazônia Legal. De acordo com o plano, que ainda está em estudo pelos Ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente, empresas e agricultores poderão manter 50% das fazendas desmatadas, voltar à legalidade e ter direito ao crédito agrícola oficial se aceitarem recuperar e repor a floresta da outra metade de suas propriedades.

Fazendo as contas, se o plano for aprovado isso significa que o Governo vai legalizar 220 mil quilômetros quadrados de Amazônia desmatada ilegalmente, uma área correspondente à soma dos estados do Paraná e Sergipe. Detalhe: a obrigatoriedade estabelecida no Código Florestal define uma reserva legal correspondente a 80% do tamanho do imóvel, podendo desmatar e produzir nos demais 20%. Felizmente, a idéia é que o código continue valendo para que não derrubou floresta e para novos proprietários.

Mesmo defendendo o raciocínio que é melhor 50% da mata recuperada do que zero, o Governo abriu espaço para discussões e críticas em relação à "anistia dos desmatadores". "Se a decisão não vier acompanhada de outras medidas, como o controle do crédito e a punição para os que agem na clandestinidade, não resolverá nada", disse à imprensa Adalberto Veríssimo, diretor e pesquisador sênior do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), ao ser perguntado sobre o pacote do Governo.

Baleias em perigo...

Se não bastasse a abertura da temporada de caça às baleias na Antártica, liderada pelos japoneses, do outro lado do mundo, mas precisamente na costa atlântica da Patagônia argentina, especialistas estão tentando descobrir a causa de uma mortandade atípica dos animais. De acordo com o Programa de Monitoramento Sanitário da Baleia-Franca, realizado há cinco anos por três entidades não-governamentais no sul do país, a média anual de mortes saltou de 40 para 85 entre os meses de outubro e novembro.

Com cerca de 5,3 mil exemplares, a colônia de baleias-franca que chega todos os anos à costa Argentina para o período de reprodução é uma das maiores do mundo e atrai milhares de turistas. No entanto, a mortalidade em 2007 foi a maior registrada desde 1971. A grande maioria dos animais mortos é de filhotes e os cientistas trabalham com diversas hipóteses para a causa das mortes, entre elas (e a mais provável) a contaminação causada pelas toxinas das microalgas que dão origem à maré vermelha.

Enquanto isso, na Antártica, as baleias não são vítimas da maré vermelha, mas continuam na mira dos navios japoneses. Neste verão protestos em campo lideradas pelo governo da Austrália e pelas ONGs Sea Shepherd e Greenpeace conseguiram deter algumas ações dos baleeiros, mas mesmo assim algumas capturas aconteceram. E para a situação ficar ainda pior, o grupo conservacionista Humane Society International denunciou que mais da metade das baleias assassinadas em águas da Antártica nos últimos meses estavam grávidas. Das 505 baleias minke capturadas, 262 eram fêmeas grávidas. “São horríveis estatísticas que o governo japonês disfarça como ciência”, declarou Nicola Beynon, porta-voz do grupo na Austrália.

... nos mares ameaçados

Ao que tudo indica, o homem não vêm dando trégua para as baleias e nem para os oceanos. Pelo menos é o que mostra um recente estudo internacional divulgado em fevereiro cujo resultado principal foi a verificação de que nada mais nada menos do que 40% das águas do planeta estão severamente afetadas devido aos impactos antrópicos sobre os mares. Ainda segundo o estudo, apenas 4% de toda a superfície aquática se encontra em níveis aceitáveis de preservação.

Pesquisadores analisaram 17 tipos de impactos humanos nos ecossistemas marinhos, entre eles a pesca predatória, a poluição e o aquecimento, e montaram um mapa, com o objetivo de que o documento auxilie os governos e ONGs no planejamento de novas ações de conservação. Embora a costa brasileira não se encontre entre as regiões mais críticas, o litoral do sudeste, em específico, foi considerado uma área sob alto impacto, devido ao lançamento indiscriminado de esgoto e lixos doméstico e industrial.

Bem-estar aquático

No meio de tantas notícias desanimadoras, uma decisão de uma corte distrital da Califórnia, nos Estados Unidos, pode ser considerada uma luz no fim do túnel. A corte direcionou à Marina norte-americana uma proibição preliminar do uso de sonares de baixa freqüência - Low Frequency Active (LFA) – durante testes e treinamentos em áreas identificadas como habitats de mamíferos aquáticos em situação de risco. Sinais de baixa freqüência dos sonares alcançam grandes profundidades e reverberam nos oceanos em níveis que podem impactar signficativamente o sistema de comunicação, baseado em som, de vários seres marinhos (reprodução, busca por comida etc).

A decisão da Justiça californiana, feita no início do ano, foi celebrada por instituições que desenvolvem trabalhos de conservação e proteção animal. "Esta decisão representa uma nova esperança para a vida de baleias e outros mamíferos aquáticos", declarou Jeffrey Flocken, diretor em Washington do Fundo Internacional para o Bem-Estar Animal (IFAW, em inglês).

Hamburguers mais conscientes

E falando em bem-estar animal, um dos maiores inimigos dos defensores dos direitos dos animais, o MacDonald's, está anunciando medidas que visam melhorar as condições de bem-estar dos animais que dão origem à matéria-prima dos sanduíches. Pelo menos foi o que anunciou a rede britânica da lanchonete no início do ano, afirmando que bem-estar animal está se tornando um assunto muito discutido e considerado pelo consumidor nos dias atuais.

O MacDonald's na Grã-Bretanha vem servindo ovos de galinhas criadas fora de confinamento há 10 anos e recentemente anunciou que está estudando mecanismos de uma criação ainda mais livre das aves. A rede também estaria estudando formas de criar porcos de forma a que eles possam praticar seu comportamento natural, uma vez que no confinamento o estresse faz que um animal morda o rabo do outro, causando sérios ferimentos (e fazendo com que os criadores optem por uma amputação do rabo como medida preventiva para o problema). Em declaração oficial, a rede britânica da marca teria afirmado que "não se importa em pagar um preço justo por um padrão maior de bem-estar dos animais, porque acredita que isso agrega valor aos produtos e é reconhecido pelos clientes."

Como construir uma casa sustentável

Cada vez vai ficando mais difícil afirmar que a construção de uma casa sustentável não é possível por falta de informação ou conhecimento técnico. A Finep - Financiadora de Estudos e Projetos, empresa ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, disponibilizou para download gratuito o livro "Habitações de baixo custo mais sustentáveis: a Casa Alvorada e o Centro Experimental de Tecnologias Habitacionais Sustentáveis." A obra, resultado do Programa de Tecnologia de Habitação (Habitare), reúne o histórico e os princípios norteadores dos estudos sobre construções e projetos mais sustentáveis desenvolvidos por integrantes do Núcleo Orientado para a Inovação na Edificação (Norie), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Além de apresentar princípios gerais e diretrizes da sustentabilidade, a publicação descreve detalhadamente estratégias específicas adotadas na busca de conforto ambiental e eficiência energética, aproveitamento e reuso de recursos naturais, gestão da água da chuva e de águas residuais, paisagismo sustentável, escolha de materiais e sistemas construtivos, entre inúmeros outros aspectos priorizados pela construção sustentável. Mais informações no site do programa Habitare - www.habitare.org.br.

Shark oil-free

Uma boa notícia para a conservação de tubarões no mundo foi divulgada recentemente pela ONG Oceana. Depois de se engajar em uma grande campanha mundial contra o uso de óleo de fígado de tubarão - conhecido como squalene, em inglês - em cosméticos, a organização recebeu um comunicado oficial da multinacional Unilever anunciando que a empresa decidiu parar com o uso da substância na produção de suas linhas de cosméticos, entre as quais as famosas Pond's e Dove. A empresa declarou que fará a substituição por uma versão vegetal do óleo e que a nova linha de produção shark oil-free deve levar os primeiros produtos ao mercado já em abril desse ano.

O óleo squalene é encontrado em grandes quantidades em fígados de tubarões, principalmente dos que vivem em maior profundidade. Devido ao valor comercial da substância, usado como emoliente em vários produtos, a captura dos animais especificamente para extração do óleo alcançou níveis alarmantes. Isso contribuiu para a diminuição significativa da população de algumas espécies e levou alguns tubarões para a lista vermelha de ameaçados de extinção. A Europa é o continente que mais extrai e comercializa o óleo de tubarão.

Transgênicos liberados

Na contra-mão sobre os questionamentos e dúvidas acerca dos alimentos transgênicos, o Governo Brasileiro liberou, no início de fevereiro, o plantio e comercialização de duas variedades de milhos transgênicos: um da Bayer (Liberty Link) e um da Monsanto (MON810). Segundo o Greenpeace Brasil, sete dos 11 ministros do Conselho Nacional de Biossegurança (CNBS) ignoraram a documentação fornecida que apresentava evidências contra os milhos geneticamente modificados. Votaram a favor da liberação dos milhos transgênicos os ministros da Agricultura, Ciência e Tecnologia, Relações Exteriores, Desenvolvimento, Defesa, Justiça e Casa Civil. E contra, os representantes das pastas de Saúde, Meio Ambiente, Desenvolvimento Agrário e Aqüicultura e Pesca.

“Infelizmente os ministros do Conselho cometeram o mesmo erro de cientistas da CTNBio ao ignorarem tantos documentos importantes que colocam em dúvida a segurança desses milhos. Alguns países europeus proibiram nos últimos meses a comercialização desses produtos justamente por conta dos problemas apontados por essa documentação”, aponta Gabriela Vuolo, coordenadora da campanha de Engenharia Genética do Greenpeace Brasil. A ONG declarou que agora vai iniciar campanha para alertar a população brasileira sobre os riscos desses produtos e que também pretende cobrar das autoridades e empresas o respeito à lei de rotulagem, que exige a identificação de todos os produtos fabricados no país com 1% ou mais de matéria-prima transgênica. Esta lei está em vigor desde 2004, mas só começou a ser cumprida este ano, e, mesmo assim, apenas por duas empresa (Cargill e Bunge) para um único produto (óleo de soja).

Soluções em energia

Investimentos de R$ 220 milhões em processos de geração de energia que não agridam o meio ambiente. Trata-se de um centro de desenvolvimento montado pela Vale do Rio Doce e o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) que leva o nome "CDTE - Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Energia". A sede da nova empresa será no Rio de Janeiro, mas o centro de desenvolvimento das tecnologias e processos funcionará no Parque Tecnológico da cidade de São José dos Campos, no interior de São Paulo. Sendo uma das maiores consumidoras de energia do país, a Vale do Rio Doce está buscando diversificar e otimizar sua matriz energética utilizando mais carvão térmico, combustíveis renováveis e gás natural.

Lixeira flutuante


A maior lixeira do mundo equivale a duas vezes o tamanho dos Estados Unidos e (pasmem!) está no mar. Oceanógrafos norte-americanos chamam as 100 milhões de toneladas de resíduos que flutuam no Oceano Pacífico do Japão ao Havaí de "sopa de plástico". A lixeira flutuante vem sendo acompanhada desde 1997 e, infelizmente, não tem parado de crescer. Charles Moore, oceanógrafo que descobriu o fenômeno, afirma que os resíduos não biodegradáveis mantêm-se concentrados devido às correntes oceânicas, a 500 milhas náuticas da costa da Califórnia.

Cerca de um quinto dos resíduos seriam provenientes de descargas de navios e de plataformas petrolíferas e o restante teria origem no continente.
Por isso, o alerta de Moore é que, a menos que os consumidores reduzam os seus resíduos plásticos, a lixeira pode duplicar de tamanho nos próximos dez anos. Em tempo: segundo a ONU, os resíduos de plástico são responsáveis pela morte de mais de um milhão de aves marinhas e mais de cem mil mamíferos marinhos por ano.

Fontes: BBC Brasil, O ECO, ENN (Environmental News Network), Greenpeace Brasil, Folha de SP, Agência Fapesp

*Publicado no informatino n. 77 (janeiro/fevereiro 2008) do Instituto Ecológico Aqualung. Versão em PDF aqui.

terça-feira, março 11, 2008

Incentivo negativo

por Jaqueline B. Ramos*

O sagui-de-duas-cores, animal brasileiro ameaçado de extinção, é um dos que não necessitam mais de licença para serem pets no Reino Unido (foto: Dominic Wormell/BBC)
Em outubro de 2007, o Governo Britânico divulgou uma notícia que pode minar os esforços de combate ao tráfico de animais silvestres nos países que “abastecem” o comércio ilegal. Após avaliação e consultas técnicas, definiu-se que 33 animais silvestres, totalizando 120 diferentes espécies, não seriam perigosos o suficiente a ponto de necessitarem de licença para serem comprados como animais de estimação pelo público em geral. A decisão levou a uma mudança na lei de Animais Silvestres Perigosos (Dangerous Wild Animals – DWA Act, em inglês) e levantou questionamentos no próprio país.
Na prática, esta mudança significa que qualquer cidadão britânico pode ir a uma pet shop e comprar sagüis, micos, lemurs, pequenos felinos selvagens e até bichos-preguiça sem qualquer espécie de controle. O Departamento para Assuntos de Meio Ambiente, Alimentação e Rurais (DEFRA, em inglês), órgão governamental responsável pela aplicação da lei DWA, se defende das críticas afirmando que o critério seguido foi apenas o do quanto os animais são perigosos para o homem.

Leia a reportagem completa no site O ECO aqui.

* Publicado no site O ECO em 10/03/2008

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Transporte os animais com cuidado, por favor...

Por Jaqueline B. Ramos

Imagine uma viagem de horas, dias e até mesmo semanas em um ambiente lotado e sujo e em temperaturas extremas. O que para nós é cenário de pesadelo, para alguns animais (infelizmente) é realidade. Esta situação é vivida por milhares de bois, vacas, porcos, ovelhas, cavalos, entre outros animais, que são transportados freqüentemente por milhares de quilômetros, por estradas ou pelo mar, e em condições desumanas para chegar num destino final que definitivamente não paga a viagem: o abate.

O questionamento sobre esta dura realidade vivida pelos animais de produção está sendo feito pela campanha Trate com Cuidado, lançada mundialmente no dia 12 de fevereiro pela Sociedade Mundial de Proteção Animal (World Society for the Protection of Animals - WSPA) juntamente com outras organizações internacionais de bem-estar animal. A campanha está divulgando vídeos feitos com câmeras escondidas ao longo de dois anos. A investigação mostra a brutalidade desnecessária com que os animais são tratados e revela que muitos acabam adoecendo ou até mesmo morrendo, devido às péssimas condições a que são submetidos.

A campanha visa alertar os Governos dos países que exportam os animais sobre a crueldade e maus-tratos por trás do transporte, mostrando que é uma escolha ruim tanto para os animais como para os países. “O sofrimento por que esses animais passam é inaceitável no século 21. E não só isso: o transporte de animais vivos faz os países exportadores deixarem de arrecadar tributos e gerar empregos. É preciso substituir essa atividade pelo comércio de carne industrializada somente e pôr fim a esse transporte que não faz mais sentido”, declarou, no lançamento da campanha, Antonio Augusto Silva, Diretor Regional da WSPA Brasil.

Em tempo: o transporte de carne resfriada e congelada é possível, viável e acontece há mais de 125 anos. Por que não levar os animais para um abatedouro próximo da criação e optar pelo risco de espalhar doenças pelo mundo com o transporte dos animais é uma pergunta que não quer calar...

Rotas cruéis: Cada nação exporta determinados tipos de animais, mas as rotas destacadas pela campanha são: Brasil para Líbano, com 183 mil bois por ano que viajam por 3 semanas; Austrália para Oriente Médio, com 4 milhões de ovelhas, 600 mil bois e 57 mil gansos por ano sendo transportados por 3 semanas, podendo chegar até 32 dias para as ovelhas; Canadá para o Havaí, com 15 mil suínos por ano viajando por 7 dias; e Espanha para Itália, com 10 mil cavalos por ano transportados por 36 horas.

Entre as condições desumanas destacadas, segue um relato do modo como os bois são levados do Brasil para o Líbano: a viagem começa no porto amazônico de Belém, onde o gado é comprimido em caminhões sob o abrasador calor amazônico. Durante quatro dias são incapazes de se mover ou deitar e não recebem nem alimento nem água. Os que caem são esmagados ou feridos. No navio, a utilização de ferrões elétricos para carregá-los aumenta ainda mais o estresse do gado enfraquecido. Esmagados contra animais estranhos, os animais se ferem uns aos outros na sua agitação. Insolações, traumas e doenças respiratórias serão dizimadores numa jornada de 17 dias.

Brasil: A campanha enfatiza o comércio internacional, mas o transporte inadequado de animais dentro de um país de dimensão continental como o Brasil também é uma questão delicada. Basta olhar nas rodovias e estradas e perceber as condições de transporte de grande parte dos caminhões de “carga viva” para fazer um flagrante. É caso destes suínos sendo transportados no interior do Estado de São Paulo (fotos tiradas em setembro de 2006). Não precisa ser nenhum especialista para ver que não é a forma mais adequada de transportar os animais.













Fotos: Jaqueline B. Ramos

Outro dado alarmante, fornecido pela WSPA Brasil: em 2007, 1750 animais brasileiros se afogaram quando um navio de transporte de animais vivos afundou parcialmente num porto da Venezuela. Os seus restos em decomposição contaminaram as praias e a linha costeira.

Para se informar melhor sobre a problemática do Transporte de Animais e ver como pode ajudar, veja os vídeos (atenção, as imagens são fortes) e assine a carta a ser encaminhada para o Governo brasileiro no site http://www.handlewithcare.tv/br/. Divulgue a campanha para familiares e amigos e quando ver animais sendo transportados em condições inadequadas, denuncie ao órgão ambiental mais próximo.

Curtas


Recall de bifes

No dia 18 de fevereiro o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos anunciou o maior recall de carne da história do país – 64,9 milhões de quilos. Uma empresa da Califórnia está sendo acusada de ter abatido animais que estavam em condições de saúde adversas. A empresa também está sendo investigada por crueldade contra animais. Vídeos feitos com câmeras escondidas pelo próprio Departamento mostram animais doentes sendo maltratados e cenas como caminhões empurrando gado e animais levando choques elétricos.

O Governo americano acredita que a maior parte da carne determinada a ser retornada já foi consumida, mas garante que há uma possibilidade remota da mesma causar problemas de saúde para os consumidores. O Secretário de Agricultura, Ed Shafer, declarou que ficou espantado com um manejo tão desumano dos animais, que resulta em violações no regulamento de segurança alimentar.

Leia a matéria completa (em inglês) em http://news.bbc.co.uk/go/em/fr/-/1/hi/world/americas/7249911.stm

Por dentro da mente dos animais


Fotos: Vince Musi, National Geographic

A revista National Geographic do mês de março traz uma foto-reportagem que vai agradar a todos que acreditam que os animais são muito mais inteligentes do que o Ser Humano pensa. O fotógrafo Vince Musi apresenta fotos extremamente expressivas e histórias de animais cujo comportamento e cognição são estudados até hoje e ajudam o próprio homem a entender como se dá o nosso processo de aprendizagem. Entre esse animais estão bonobos, border colliers, roedores e até abelhas.

Segundo o fotógrafo, o trabalho não foi só de fotografar os animais, mas tentar captar o que passa por dentro de suas mentes. A conclusão é que animais são muito mais espertos do que você pode imaginar... As fotos acima são só uma palhinha do trabalho de Musi. Veja mais fotos da reportagem e um vídeo do fotógrafo no site da National Geographic.

segunda-feira, fevereiro 18, 2008















Rafting no Rio Paraíba do Sul

No dia 16 de fevereiro, o projeto Rio Vivo, da rede Band Vale, em conjunto com a Cia do Rafting, empresa de ecoturismo, promoveu uma atividade de educação ambiental muito interessante em São José dos Campos (SP). Um grupo de 40 pessoas, entre os quais representantes do governo local, ambientalistas e jornalistas, foi convidado a fazer um rafting num trecho do rio Paraíba do Sul na cidade. Detalhe: diferentemente dos rios em parques e reservas onde se costuma praticar o esporte, esta descida foi feita num ambiente poluído.

O objetivo deste rafting foi justamente mostrar a situação atual do Paraíba do Sul, que tem entre as maiores causas da sua poluição o crescimento progressivo da ocupação humana na sua área de influência e o desenvolvimento de atividades exploratórias, como a extração de areia, nas áreas de várzea e no entorno do rio.

André Miragaia, Secretário de Meio Ambiente de São José dos Campos, participou do rafting e deu o que pode ser considerada como uma boa notícia: a Prefeitura da cidade está renovando seu contrato com a Sabesp e prevê que até 2011 pelo menos 80% do esgoto da cidade passem a ser tratados. E a meta é que até 2015 se consiga tratar todo o esgoto que chega ao Paraíba através de seus afluentes. Em tempo: a maior parte das cidades do Vale do Paraíba tratam 0% do seu esgoto, refletindo a triste tendência nacional de que quase metade da população das capitais, o equivalente a 19 milhões de pessoas, tem seus esgotos despejados nos rios e no mar sem qualquer tipo de tratamento.

domingo, fevereiro 17, 2008



Revista dos Vegetarianos n. 16 (fevereiro 2008) - Link para a revista: http://www.europanet.com.br/revistadigital/?modulo=exibe_produto&id_produto=9946016
Moda consciente
Por Jaqueline B. Ramos

É bem provável que todo vegetariano concorde que a decisão de cortar carne e ingredientes animais da dieta alimentar é apenas o ponto de partida de um estilo de vida diferenciado. Quando nos tornamos herbívoros queremos que a ideologia perpasse todo o nosso cotidiano. Inclusive o das roupas que vestimos. Couro, pele, lã, seda, penas e outros materiais que impõem sofrimento a animais para serem obtidos saem definitivamente de moda. Entram em cena materiais sintéticos e derivados de fibras naturais num estilo que é chamado veg fashion, ou moda sem crueldade, um novo olhar sobre o que realmente é ser chic.

Como o próprio nome deixa bem claro, veg fashion é um conceito baseado nos preceitos de não exploração dos animais por capricho e acomodação do bicho-homem. Não restam dúvidas de que não precisamos de peles de animais como roupas, visto o grande número de recursos sintéticos e naturais, como algodão, bambu e cânhamo, só para citar alguns exemplos, já encontrados no mercado. No entanto, vestir roupas ou usar acessórios feitos de peles genuínas e outras matérias-primas animais ainda é categorizado como luxuoso, ou “glamouroso”, na linguagem da moda.

O resultado de tamanha futilidade (com perdão da palavra) é o sofrimento e morte de milhares de animais todos os dias. Segundo estimativas da Fur-Free Alliance, uma coalização internacional formada por cerca de 30 organizações de proteção animal, a indústria da pele mata por ano cerca de 50 milhões de animais para o mercado da moda, de lobos a esquilos (e o levantamento nem inclui coelhos, por falta de números oficiais). E para piorar a situação, uma investigação da ONG Humane Society, dos Estados Unidos, no final da década de 90 divulgou a matança indiscriminada de gatos e cachorros na China e outros países asiáticos. Os animais, alguns de raça e outros de rua, são abatidos covardemente depois de semanas de confinamento e sua pele abastece a indústria de roupas, acessórios, e bugigangas em geral que são exportadas para todo o mundo.

“Minha maior crítica é que milhares de animais são criados em cativeiro somente para este fim, muitas vezes de forma clandestina. Sem contar os problemas do mercado ilegal com a caça, armadilhas e o tráfico. E mesmo assim ainda existe um glamour que sustenta esta crueldade. Grifes internacionais como Prada, Yves Saint-Laurent e Vogue América, por exemplo, ainda valorizam peças de pele real, propagando a idéia de que usá-las é elegante. O maior desafio é mudar a mente das pessoas em relação a este conceito”, diz Danielle Ferraz, jornalista de moda e vegetariana, autora de artigos sobre crueldade com animais na moda e diretora das duas edições do desfile “Veg Fashion”, ocorridos em 2004 e 2006 nas cidades de Florianópolis e São Paulo durante congressos vegetarianos.

Novas tendências

Mas apesar dos absurdos de exploração de animais cometidos em nome da moda, o cenário aponta algumas boas notícias em prol da veg fashion. A estilista inglesa e vegetariana Stella MacCartney lidera campanhas internacionais anti-pele e apresenta para o mundo todos os anos coleções de roupas livres de crueldade admiradas pelos maiores especialistas do mundo fashion. Acompanhando a tendência, nos últimos dois anos estilistas renomados como Ralph Lauren, Calvin Klein, Kenneth Cole e Tommy Hilfiger declararam publicamente a resolução de não usar mais peles e materiais de origem animal em suas criações. E o melhor: puramente pela questão ética.

Enquanto isso a organização PETA (People for the Ethical Treatment of Animals) continua a todo vapor com seus protestos em parceria com celebridades usando o slogan “prefiro ficar nu a usar peles”. Com destaque para a campanha “Voguesucks.com”, que critica explicitamente Anna Wintour, editora da revista Vogue norte-americana, pela promoção e uso de casacos, vestidos e outras peças de peles genuínas e conscientização zero em torno do sofrimento e morte dos animais. “Nós sempre estamos procurando por novos jeitos de conscientização sobre o sofrimento extremo pelo qual os animais passam nas fazendas onde se tiram suas peles e nas armadilhas cruéis que o homem espalha na natureza”, declarou Ingrid Newkirk, presidente da PETA em julho do ano passado na ocasião de uma campanha em conjunto com Stela MacCartney na comunidade virtual Second Life.

No Brasil, os desfiles “Veg Fashion”, idealizados pela Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB), foram precursores no objetivo de mostrar os bastidores da moda que não se preocupa com os materiais que utiliza e valorizar as novas grifes conscientes que oferecem peças livres de crueldade. A presidente da SVB, Marly Winckler, que criou o conceito do desfile, acredita que cada vez mais se alastra essa consciência sobre as atrocidades cometidas contra os animais, seres indefesos e sensíveis, para se obter materiais utilizados nas roupas. “Neste último Carnaval a SVB participou de um desfile da escola de samba Imperador do Ipiranga, de São Paulo, cujo tema foi “a salvação do planeta é o bicho”. Abordamos a questão e não permitimos o uso de nenhum material de origem animal nas fantasias”, conta Marly.

Ético e mais barato

Moda sem crueldade é um conceito amplo que alia questões éticas, sociais e ambientais. Não se pode (nem se deve) pensar em acabar com a exploração de animais sem considerar o contexto mais holístico de destruição de ambientes naturais e hábitos insustentáveis praticados pelo homem nos dias atuais. “A questão básica é o consumo ético e consciente, respeitando os animais e o meio ambiente. Não faz o menor sentido a utilização de peles e couros em roupas. Tanto pelo sofrimento dos animais como pelos graves impactos ambientais associados à criação intensiva ou captura ilegal dos animais para este fim”, afirma a presidente da SVB.

Quando se fala do contexto que alia conservação ambiental e respeito aos animais, há até pessoas que argumentam que materiais de origem animal seriam mais naturais e ambientalmente mais corretos do que os sintéticos. No entanto, pode ser demonstrado que é justamente o contrário. “O couro, como a pele de qualquer ser vivo, irá se deteriorar e se decompor caso não seja curtido. E o processo de curtume é um dos mais impactantes existentes, pois envolve muitas substâncias químicas pesadas que são extremamente prejudiciais ao meio ambiente e para as pessoas que as estão manuseando”, explica Josh Hooten, fundador da Herbivore Clothing Company, loja virtual de roupas e acessórios criada em 2002 na cidade de Portland, nos Estados Unidos.

O conceito da Herbivore Clothing Company nasceu da necessidade de seus donos, o casal Josh e Michelle Schwegmann, usarem roupas pelas quais pudessem expressar com estilo suas idéias sobre veganismo e direitos animais. Há cinco anos eles não achavam opções no mercado e começaram a produzir e desenvolver as idéias por conta própria. Hoje os estilistas e empresários têm em mente que o foco de sua marca é direitos animais, mas sabem que este conceito leva à discussão e análise de outras questões extremamente relevantes, como impactos ambientais, não respeito a direitos humanos e danos à saúde.

“Não fazemos as estampas de nossas camisetas em lojas que exploram seus empregados e já usamos em algumas peças malha de algodão orgânico, o que pretendemos expandir para toda a coleção no futuro. Tudo isso faz parte da mensagem passada pela roupa. E há muitas opções de materiais para isso. Eu mesmo não uso couro, lã, seda e outros materiais do tipo por quase uma década e nunca senti falta ou deixei de achar uma opção que não tivesse origem animal”, ressalta Josh.

Reforçando a opinião do norte-americano, a jornalista Danielle Ferraz explica que a indústria têxtil se desenvolveu o suficiente para oferecer opções sintéticas alternativas (e ambientalmente mais equilibradas) que substituem praticamente todos os materiais de origem animal. E isso tudo com uma grande vantagem: o custo de produção do material sintético é mais barato que o de produção de material de origem animal. “Os sintéticos e os materiais naturais geralmente saem mais em conta para o consumidor. E poderiam ser ainda mais baratos se a procura por estas opções fosse maior”, explica Danielle.

Como em qualquer atividade econômica, na veg fashion também vale a lei da oferta e procura. Quanto maior a demanda, as opções de oferta crescem, refletindo num preço final mais competitivo e menor. Portanto, para a moda sem crueldade não sair de moda, basta uma procura maior por parte dos consumidores em geral.

“O papel do consumidor é parar e pensar de onde estão vindo suas roupas. Todo mundo concorda que é errado abusar e torturar animais e não deseja sustentar um processo desses, ainda mais com várias alternativas mais conscientes que podem ser usadas”, diz Josh. “O consumidor ético se informa e se preocupa com a procedência do que consome, vendo todos os ângulos da questão. Hoje começa a haver reação às barbaridades cometidas no campo do consumo e campanhas e organizações estão chamando a atenção para o comércio justo. Esse é o caminho”, opina Marly.

Marcas no mesmo estilo da Herbivore são mais comuns nos Estados Unidos e Europa (veja box com dicas e opções de compras de roupas cruelty-free / livres de crueldade). No Brasil o conceito é mais novo, porém a consciência é crescente e as opções de veg fashion vão surgindo e se estabelecendo. A questão é que algumas grifes brasileiras estão bem avançadas no campo ambiental, usando materiais orgânicos e/ou reciclados, mas nem sempre são tão criteriosas com o não uso de materiais de origem animal. A última Fashion Week de São Paulo, por exemplo, incorporou o conceito de meio ambiente a partir dos materiais utilizados, o que já pode ser considerado um grande avanço. A expectativa agora é que esta tendência avance e se aprofunde, eliminando também os materiais provenientes de peles, couros e outros derivados de animais.

O mais importante é saber que uma moda livre de crueldade é possível e é feita com informação. Se você já conhece a realidade por trás da exploração animal para roupas, sapatos e acessórios, procure usar o conhecimento que têm para incorporar novos hábitos. Questione a origem do material de suas roupas e seja mais criterioso nas compras. Se já sabe como se vestir com estilo sem a carga da crueldade, passe a idéia para seus amigos e familiares mostrando-lhes opções práticas de compras mais conscientes. Afinal de contas, como bem resume o slogan do desfile “Veg Fashion”, chic é ser consciente. E ninguém em sã consciência quer ser cúmplice de exploração, covardia e maus-tratos a qualquer ser vivo.

Saiba mais:

Fur Free Alliance - http://infurmation.com/
PETA - http://www.peta.org/actioncenter/clothing.asp e http://http://www.voguesucks.com/
Fur-Free Campaign - http://www.hsus.org/furfree/campaigns/legislation.html

A crueldade no guarda-roupa

Couro: Milhares de vacas, porcos, ovelhas, cabras, entre outros animais, são abatidos todos os anos para utilização de sua carne e também de sua pele, que se torna couro, camurça, nobuk etc. Alguns outros animais, como raposas, esquilos e até lobos, são criados em cativeiro e fazendas especificamente para este fim, tendo às vezes a pele retirada quando ainda estão vivos. Mais recentemente se descobriu que até gatos e cachorros são vítimas da indústria da pele.

Para a pele do animal se tornar couro ela precisa passar pelo processo de curtume, no qual são usadas várias substâncias químicas perigosas, tanto para o meio ambiente como para o homem. Levantamentos oficiais comprovam que pessoas que trabalharam ou que moraram próximas a plantas de curtume são comumente vítimas de câncer, devido à exposição às toxinas.

Lã: A tosa de carneiros e ovelhas para retirada da lã não é um processo natural e compromete o bem-estar dos animais, que precisam de sua pelagem para se proteger do frio. Além disso, como o material é pago por volume, a tosa é feita sem cuidado e de forma exagerada, machucando os animais. A indústria da lã, através da criação intensiva dos animais, também é responsável por impactos no meio ambiente através da poluição de água e emissão de uma grande quantidade de gás metano na atmosfera.

Seda: A seda é um material resultante dos fios produzidos pelo bicho-da-seda para tecer o seu casulo, onde de lagarta o inseto se transforma em mariposa, atingindo sua idade adulta para reprodução. Para obtenção da seda os insetos foram domesticados pelo homem em ambientais artificiais e são mortos dentro do casulo, do qual são retirados os fios.


Algumas dicas na hora das compras

A primeira dica é sempre olhar etiquetas para saber o material utilizado nas roupas que pretende comprar. Você vai se surpreender que é muito mais fácil achar opções de sintéticos e fibras naturais do que podia imaginar.

Para artigos de couro, como sapatos, cintos e jaquetas, procure sempre o que diz na etiqueta. Se a informação não for clara em relação a ser sintético, pergunte ao vendedor. E uma boa dica para evitar couro é observar e comparar os preços. Geralmente o sintético é pelo menos metade do preço mais barato que o couro de animal. No caso de lãs, fique atento, pois nem sempre elas estão muito aparentes nas peças. Algumas calças e casacos, por exemplo, podem ser feitos de lãs em combinação com outros materiais, o que também sempre poderá ser descoberto pela etiqueta. Substitua pashminas e cashmeres por lãs de polyester ou algodão ou tecidos térmicos sintéticos, desenvolvidos a partir de materiais alternativos e mais resistentes a frio e vento do que a lã.

A seda por ser substituída por tecidos alternativos como nylon, polyester e o rayon, uma espécie de seda artificial. E até para quem gosta de roupas e acessórios “de pele”, o mercado já oferece variadas opções de peças de pele falsa confeccionadas a partir de materiais sintéticos. Uma boa forma de verificar se uma peça é de pele verdadeira ou falsa é fazer um teste simples e rápido. Esfregue um pouco de pêlo entre o polegar e o dedo indicador. Se você sentir o pêlo macio e fácil de manusear entre os dedos, provavelmente é pele genuína. Caso sinta o contrário, o pêlo mais áspero, a pele é sintética.

Onde comprar roupas livres de crueldade

Brasil


· Vegan Pride (Acessórios, camisetas e produtos livres de crueldade)
Av. São João, 439, loja 424 Centro, São Paulo – SP Tel.: (11) 3362 0897
Vendas pela Internet e entregas em todo o país
http://
http://www.veganpride.com/

· King 55 (Camisetas e jeans. Sustentabilidade e luta contra a exploração animal)
Rua Harmonia, 452 Vila Madalena São Paulo – SP Tel.: (11) 3032 1838
http://www.king55.com.br/

· XBloodlineX Clothing (produtos livres de crueldade animal)
Vendas pela Internet e entregas em todo o país
http://www.xbloodlinex.com.br/inicio.html

· Maria Simone (Bordado manual e customização. Parceria com ONGs Adote um Gatinho, Arca Brasil e Bicho no Parque)
Rua Wisard, 287 Vila Madalena, São Paulo – SP Tel.: (11) 3815 5392/ 3811 9335
http://
http://www.mariasimone.net/

· Vista-se (Camisetas vegetarianas)
http://www.vista-se.com.br/

· Tree Tap (Couro vegetal da Amazônia)
http://www.treetap.com.br/

Exterior (compras pela Internet)

· Herbivore Clothing Company
http://herbivoreclothing.com/

· Alternative Outfitters
http://www.alternativeoutfitters.com/

· Moo shoes
http://www.mooshoes.com/

· Vegetarian shoes
http://www.vegetarian-shoes.co.uk/