sexta-feira, agosto 22, 2008
quinta-feira, agosto 07, 2008
Na lente do satélite, crônica da Amazôniaquinta-feira, julho 31, 2008

No dia 4 de novembro, uma audiência pública no Congresso Nacional definirá, em grande parte, o fim ou não do uso de animais em circos no Brasil. Para discutir a questão estarão presentes organizações de proteção animal, por um lado, e donos de circos com animais, por outro.
Atualmente, o PL 7291/2006 está sob análise da Comissão de Educação e Cultura (CEC) da Câmara dos Deputados, que o votará em breve. O relator do projeto, deputado Antônio Carlos Biffi (PT-MS), já apresentou parecer favorável à proibição, na forma do substitutivo (pág 17 à 20). Entretanto, a pressão dos proprietários de circos pela manutenção da prática é grande e tem influenciado muitos políticos.
Abaixo Assinado pelo fim dos animais em circos - assine aqui. Os estados de SP, RJ, RS, PE e PB e várias outras cidades já têm leis que proíbem circos com animais. Uma lei federal acabará por vez com a prática em todo o país.
O apoio de toda a população através do abaixo-assinado é muito importante para aprovação do PL 7291/2006. A alma do circo é o artista!
Mais informações:
WSPA - http://www.wspabrasil.org/circo-legal.html
Animais de Circo - http://www.animaisdecirco.org/edu_flash.html (apresentação em flash)
terça-feira, julho 29, 2008
por Jaqueline B. Ramos*
Destaque: “Nossa saúde é inseparável da saúde do mundo natural”
Às vésperas da 9ª Conferência das Partes da Convenção da Diversidade Biológica, ocorrida no final de maio na Alemanha, a IUCN (International Union for Conservation of Nature) anunciou o lançamento de um livro com informações que demonstram, de forma clara e objetiva, a ligação direta da saúde humana com a biodiversidade do planeta. “Sustentando a vida: como a saúde humana depende da biodiversidade” (‘Sustaining Life: How Human Health Depends on Biodiversity’, editado por Oxford University Press) consiste em um detalhado estudo assinado por especialistas que mostra que uma nova geração de antibióticos e novos remédios para tratamentos de doenças como a osteoporose, falência dos rins e câncer estão ameaçados caso o mundo não faça algo para reverter os crescentes números de destruição de animais e plantas nos ambientes naturais.
Aaron Bernstein é pesquisador da Escola de Medicina da Universidade de Harvard e um dos autores do livro. Ele deu esta pequena entrevista, por e-mail, para o Informativo do Instituto Ecológico Aqualung:
O livro demonstra cientificamente que muitos estudos para avanços na medicina podem ficar comprometidos devido às altas taxas de extinção de espécies registradas. Você poderia destacar as principais ameaças?
Aaron: Apresentamos sete estudos de caso com ursos, caranguejo-ferradura, anfíbios, tubarões, primatas não-humanos, plantas giminospérmicas (com sementes desprotegidas) e moluscos e todos reforçam o fato das espécies ameaçadas serem muito importantes para a medicina. No caso do gênero dos moluscos, por exemplo, dentro dos quais podemos pensar em cerca de 700 espécies que vivem nos recifes de corais, é comprovado que eles produzem provavelmente o maior número e diversidade de substâncias terapêuticas usadas em tratamentos médicos.
Considerando que o Brasil é um dos países mais ricos do mundo em termos de biodiversidade, qual seria o papel do país neste contexto?
Aaron: Há muitas espécies brasileiras, principalmente de sapos, nas quais vários novos peptideos antimicrobianos (pequenas proteínas que têm capacidade de matar bactérias) já foram identificados, inclusive alguns que ajudaram no desenvolvimento de remédios e avanços no tratamento de hipertensão no decorrer do último século. Felizmente, nenhuma dessas espécies se encontra ameaçada, mas o rápido crescimento do número de espécies brasileiras entrando na Red List alerta para o risco de não termos chance de conhecer animais e plantas antes deles desaparecerem.
Você afirmaria que o principal objetivo do livro é alertar os Governos sobre a importância da preservação da biodiversidade para questões de saúde pública?
Aaron: Sim, esperamos que o livro seja uma inspiração para mudanças políticas, mas também queremos ajudar todos a perceber que a nossa saúde é inseparável da saúde do mundo natural.
Origem da carne brasileira
O ex-beatle Paul McCartney tem feito um apelo, nos últimos meses, para as pessoas repensarem sua dieta em prol do meio ambiente. Mesmo não se tornando vegetarianas, ele afirma que a diminuição do consumo de carne, escolhendo dias específicos para cortá-la do cardápio, já seria de grande valia para a saúde do planeta. O argumento do músico inglês é embasado em pesquisas e dados que mostram o significativo impacto ambiental causado pela pecuária industrial, passando pela degradação de florestas para formação de pasto e pela grande quantidade de água utilizada para a criação dos animais.
Além do cenário internacional, a discussão sobre pecuária e problemas ambientais também vem ganhando manchetes de jornais no Brasil, pois o assunto está diretamente ligado à devastação da Amazônia. Visando descobrir se a carne vendida não provém de área de desmatamento ou de trabalho escravo e alertar o consumidor sobre a importância de conhecer a origem do produto comprado, o IDEC – Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor divulgou, no dia do meio ambiente (05/06), o resultado obtido depois de pedir informações detalhadas sobre a origem da carne vendida nas principais redes de supermercado do país. Infelizmente as informações passadas não foram muito convincentes ou esclarecedoras, segundo o instituto.
Em geral, as respostas das empresas afirmam que existe a preocupação sobre a origem da carne, sendo relatada a inclusão de cláusulas contratuais que garantem esse compromisso por parte dos fornecedores. As empresas também afirmaram realizar um controle da efetividade dessas cláusulas, para alguns aspectos, porém não especificaram como é feita essa verificação. Apenas o Carrefour e o grupo Pão de Açúcar detalharam alguns procedimentos de rastreabilidade, mas estes ficam restritos a programas de qualidade específicos que não englobam toda a carne comercializada.
Com o objetivo de incentivar a população a cobrar dos supermercados esse controle de rastreabilidade da carne, o IDEC disponibiliza nos sites www.idec.org.br e www.climaeconsumo.org.br um cartão postal eletrônico que pode ser redirecionado para as empresas. Além disso, o instituto aconselha o consumidor a buscar outros meios para fazer esse questionamento, como pessoalmente nos supermercados ou via Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC).
Alerta sobre aumento do nível do mar
Em abril um grupo de pesquisadores britânicos e finlandeses divulgou uma descoberta que tornam ainda mais sérias as previsões sobre os impactos do aquecimento global. Uma nova análise demonstra que o nível dos oceanos pode aumentar em 1,5 metro até o final deste século. Esta previsão funciona como um alerta se comparada aos números que foram divulgados oficialmente em 2007 pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês): o aumento previsto do nível do mar era de 28 a 43 centímetros até 2100.
Um metro e meio é três vezes mais do que o sugerido pelo IPCC e poderá representar um grande impacto em países mais baixos, como Bangladesh, que tem entre 80% e 90% do seu território dentro de um metro ou mais do nível do mar "Nos últimos 2 mil anos a média global foi muito estável, variou apenas cerca de 20 centímetros", afirmou Svetlana Jevrejeva, uma das cientistas autoras do estudo, à BBC. "Mas, no final do século, prevemos que o nível do mar deve subir entre 80 centímetros e 1,5 metro. O aumento rápido nos próximos anos está associado ao derretimento rápido das camadas de gelo.”
Etanol sustentável
"Uma solução climática no mundo não passa por abandonar um combustível por outro. Todos terão de estar envolvidos.” Com esta afirmação, Yvo de Boer, secretário-executivo da Convenção da ONU para Mudanças Climáticas, ressaltou para a imprensa mundial em junho que o etanol brasileiro não gera desmatamento e é sustentável, numa comparação ao biocombustível de óleo de palma e ao etanol do milho, e que muitas das críticas ao combustível vêm da indústria do petróleo.
O representante da ONU também alertou que os países emergentes e produtores de etanol devem estar abertos a debater com o setor do petróleo sobre alternativas de tecnologias limpas. "O que precisamos é que todos se sentem à mesa para discutir. A solução para a questão climática não será a de escolher entre um ou outro combustível. O debate sobre o futuro do etanol precisa ser mais sofisticado", disse. Segundo Boer, o critério de sustentabilidade será o que determinará se o etanol poderá ou não fazer parte da solução climática no mundo de redução das emissões de gás carbônico.
Oceanos “asfixiados”
No mês em que se comemorou o Dia Mundial dos Oceanos (08/06), a WWF (World Wide Foundation) divulgou dados nada animadores sobre a saúde dos mares. De acordo com relatório concluído pela ONG internacional, cerca de 200 mil km² do fundo do mar estão praticamente mortos, número quase quatro vezes maior do que o identificado em estudo similar feito há 13 anos. As principais ameaças para os oceanos são o descarte de lixo nas águas, a pesca predatória e as mudanças climáticas. Tudo isso leva a uma “asfixia das águas”, com a diminuição drástica dos níveis de oxigênio, e a graves conseqüências ecológicas e econômicas para os povos que dependem dos oceanos.
A pesca predatória também gera um outro efeito que indica sérios desequilíbrios nos ecossistemas marinhos: a dramática proliferação de medusas nos oceanos de todo o planeta. O Instituto Oceanográfico de Paris advertiu que as medusas, criaturas marinhas sem cérebro, compostas em sua maior parte por água, foram ocupando em silêncio o vazio deixado pelo voraz apetite humano por pescado. O veneno desses invertebrados, usado para defesa, é bastante forte e mata, por ano, mais pessoas do que ataques de tubarão.
Mas o mais alarmante é que o aumento populacional das medusas tem devastado as espécies marinhas nativas dos mares. Quando atuns, tubarões e tartarugas se tornam mais raros, as medusas perdem seus predadores e, por sua vez, se alimentam de pequenos peixes e de zooplâncton através dos seus tentáculos venenosos. Por isso é difícil que os peixes voltem a habitar lugares colonizados por medusas, mesmo se a atividade pesqueira comercial for reduzida.
Não ao comércio de madeira ilegal
Os Estados Unidos deu um passo à frente no processo de combate à extração de madeira ilegal no mundo. No dia 19 de junho, o Congresso norte-americano aprovou legislação histórica que proíbe a importação de madeira ilegal, incluindo não apenas madeira em tora, mas também diversos produtos florestais, indo de móveis a papéis. Isto faz com que o país seja o primeiro no mundo a proibir comércio de madeira ilegal.
A nova legislação é uma emenda de um estatuto centenário que combate o tráfico de fauna e flora silvestre. Em 180 dias, prazo para a lei entrar em vigor, passa a ser uma violação à lei federal americana a "importação, exportação, transporte, venda, recebimento, aquisição ou compra" de qualquer planta que tiver sido "retirada, possuída, transportada ou vendida" em violação às leis estrangeiras, incluindo proibição ou autorização de exploração madeireira, medidas de proteção florestal e legislação tributária.
Os efeitos da nova lei americana serão importantes para o Brasil: os Estados Unidos são o maior importador individual de madeira amazônica, sendo responsáveis pela compra de 25% do total de madeira extraída na região."Como boa parte da madeira produzida na Amazônia é ilegal, a decisão do Congresso americano pode fechar uma parte importante do mercado para a madeira brasileira", declarou Marcelo Marquesini, coordenador do programa de madeira do Greenpeace na Amazônia.
Desperdício de água
A água desperdiçada nas capitais do Brasil daria para abastecer 38 milhões de pessoas, aproximadamente a população de países como a Argentina. A constatação é do Instituto Socioambiental (ISA), após realização de pesquisa concluída no final do ano passado. Averiguou-se que em várias cidades brasileiras os mananciais apresentam problemas de poluição e de desperdício de água nas redes de distribuição. “A gente perde por dia, antes de chegar à casa dos consumidores, uma quantidade de água muito grande”, disse Marússia Whately, coordenadora do ISA, em entrevista à Rádio Nacional.
Embora o Brasil seja um dos países com maior quantidade de água – cerca de 12% de água potável –, a distribuição no território nacional não é adequada. São Paulo, por exemplo, é uma cidade que já vive o chamado “estresse hídrico” (muita gente e pouca água). Já existe uma produção de água muito próxima do que se precisa tirar dos mananciais para consumo, mas o desperdício de água “pelo caminho” ainda é muito grande. Em São Paulo esse número chega a 30%, o equivalente ao abastecimento de 4 milhões de pessoas.
Aviação limpa
Durante a Cúpula de Aviação e Meio Ambiente, realizada em abril na Suíça, representantes dos principais nomes da indústria da aviação mundial - incluindo a brasileira Embraer - comprometeram-se a acelerar as medidas que diminuam seu impacto no meio ambiente, especialmente no que se refere ao aquecimento global. As empresas reconheceram suas "responsabilidades ambientais" e se comprometeram a fazer todo o possível para minimizar os efeitos causados pela indústria da aviação.
Organizações como a IATA (Associação Internacional de Transporte Aéreo, na sigla em inglês) expressaram a intenção de impulsionar o desenvolvimento e a aplicação de novas tecnologias, especialmente para viabilizar combustíveis mais limpos. As empresas também afirmaram estarem dispostas a otimizar a eficiência dos combustíveis de suas frotas e em melhorar a elaboração de rotas aéreas, a gestão do tráfego aéreo e as infra-estruturas aeroportuárias. Segundo dados da ONU, a aviação é responsável por 2% das emissões globais de gás carbônico e está previsto que passe a ser responsável por 3% até 2050.
Fontes: BBC Brasil, IUCN, Ambiente Brasil, Agência Envolverde, WWF e Rádio Nacional
*Publicado na edição n. 79 (maio/junho 2008) do Informativo do Instituto Ecológico Aqualung (acesse aqui).
Exemplo de construção sustentável: prédio Swiss Re Tower, em Londres, que consome 50% menos energia que edifícios de porte similarMas o que é Construção Sustentável? As primeiras citações do conceito foram feitas na década de 70, quando a humanidade se viu às voltas com a crise do petróleo. Mas o primeiro grande evento internacional que abordou especificamente o tema aconteceu em 1997, na cidade de Helsink, na Finlândia. Como todos os temas na área ambiental, o conceito de construção sustentável vem amadurecendo e ganhando novas prioridades desde então. De uma forma geral pode-se definir que consiste num sistema construtivo que promove alterações conscientes no entorno, de forma a atender as necessidades de edificação, habitação e uso do homem moderno, preservando o meio ambiente e os recursos naturais, garantindo qualidade de vida para as gerações atuais e futuras (conceito baseado na definição de desenvolvimento sustentável, do relatório Bruntland/ONU).
Ao longo dos anos e com a colocação das ações construtivas em prática, percebeu-se que a construção sustentável não consiste numa “receita de bolo” para resolução de problemas pontuais, mas sim numa forma de pensar a construção de forma multidisciplinar, aliando questões ambientais, sociais e econômicas e usando diferentes áreas de conhecimento para atingir os objetivos de sustentabilidade propostos.
Dentro do conceito de construção sustentável engloba-se desde o modelo mais antigo conhecido como Earthship – sistema arquitetônico de habitação autônoma criado nos anos 70 baseado no uso de resíduos como material de construção, economia e reaproveitamento de água e uso de energia alternativa e de fontes renováveis – até, por exemplo, a idéia de edificação saudável - preserva o meio ambiente e também protege seus ocupantes ou moradores da poluição dos grandes centros urbanos, não sendo uma fonte geradora de doenças, a exemplo do que é conhecido como SEE – Síndrome do Edifício Doente.
O fato é que a construção de uma casa verdadeiramente ecológica, com impactos ambientais minimizados ou eliminados ainda consiste em um desafio, conforme cita Vanderley M. John, Conselheiro e Diretor do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS) em entrevista concedida ao Informativo do Instituto Ecológico Aqualung. Segundo Dr. John, a formação de recursos humanos que permitam colocar em prática avanços já conhecidos em termos de uso eficiente de energia e de água, uso de materiais de alto durabilidade e renováveis e busca da qualidade ambiental interna e externa, preceitos da construção sustentável, é urgente no Brasil, pois o setor tem forte tendência para se desenvolver no país. Leia abaixo a entrevista:
Existem problemas universais, como mudança climática, emissão de CO2,preservação da natureza etc. Mas os problemas em cada localidade são diferentes. Por exemplo, para os americanos reduzirem a emissão de CO2 , é prioritário trabalhar a questão energética. No Brasil a prioridade talvez seja a questão amazônica, que, na construção, se traduz no uso de madeiras.
A construção sustentável não tem receitas. O desafio é buscar soluções que propiciem um ambiente construído com conforto e segurança, com menor impacto ambiental e maximizando os benefícios para sociedade como um todo (não apenas usuários diretos, mas também trabalhadores, vizinhos etc). Envolve questões diversas, como trabalhar exclusivamente dentro da formalidade ou legalidade (nada de material ou serviços sem nota ou com nota suspeita, respeito a toda a legislação etc), buscar soluções tecnológicas que reduzam o impacto da construção, uso e operação, manutenção e desmobilização do edifício. Temos uma necessidade de discutir sustentabilidade em habitações para classe média e baixa e habitações sociais também. Estas são responsáveis por boa parte dos materiais de construção.
No meio da Amazônia, um edifício em concreto exige o transporte de materiais por longas distâncias, e isso não é sustentável. Se não for economicamente viável não é sustentável. Em cada empreendimento pode se fazer muita coisa em prol da sustentabilidade. Basta a decisão e o desenvolvimento de soluções. Naturalmente soluções avançadas, mais radicais, como incorporação de painéis fotovoltaicos e vidros extremamente sofisticados, que melhoram muito a eco-eficiência, ainda são um investimento caro, em algumas situações. Se o objetivo for fazer uma obra que seja um marco na sustentabilidade, ela não vai sair barata. Mas, embora estas obras sejam inspiradoras, elas em si não são suficientes. Precisamos mudar a construção média.
Dr. John: O que se vê hoje são os 'edifícios verdes'. Duas metodologias estrangeiras começam a ser aplicadas no mercado brasileiro: a norte-americana LEED e a francesa HQE. Várias instituições de pesquisa brasileiras, dentre elas o Instituto de Pesquisas Tecnológicas, estão discutindo metodologias próprias.
Segundo os sistemas de certificação que são referência na área de construção sustentável no mundo – BREEAM (Inglaterra), Green Star (Austrália), LEED (Estados Unidos) e HQE (França), existem nove princípios que norteiam as diretrizes de uma obra que se proponha a ser ambientalmente equilibrada. São eles:
Planejamento Sustentável da Obra
Aproveitamento passivo dos recursos naturais
Eficiência energética
Gestão e economia da água
Gestão dos resíduos na edificação
Qualidade do ar e do ambiente interior
Conforto termo-acústico
Uso racional de materiais
Uso de produtos e tecnologias ambientalmente amigáveis
Fonte: IDHEA – Instituto para o Desenvolvimento da Habitação Ecológica
BOX: Dicas de Construção e Habitação Sustentável
Uso eficiente de energia
1. Especificação de equipamentos com menor consumo e melhor eficiência possível na utilização do gás natural para todos os fins;
2. Iluminação de baixo consumo energético nas áreas comuns de uso contínuo, e iluminação “incandescente” com acionadores por sensor de presença nas áreas de uso esporádico ou intermitente. Este princípio, com maior tolerância, também é válido para as unidades privadas;
3. Planejamento do consumo energético e utilização de equipamentos para gerar energia em períodos de pico;
4. Melhor aproveitamento possível da iluminação natural, levando-se em conta a necessidade do seu controle;
5. Melhor condição de conforto térmico evitando a incidência da radiação solar direta através da adoção de soluções arquitetônicas tipo brises-soleil, venezianas, telas termo-screen externas, prateleiras de luz, vidros especiais que dispensam o uso de brises etc.;
6. Implementação e otimização de ventilação natural;
7. Adoção preferencial de acabamentos claros nas áreas de grande incidência de luz solar;
8. Tratamento das coberturas do edifício analisando a possibilidade de implementação de áreas verdes ou, caso esta solução não seja possível, utilizar pinturas reflexivas para diminuir a absorção de calor para o edifício;
9. Uso de soluções alternativas de produção de energia como a eólica ou a solar, de acordo com as condições locais. A indústria brasileira está se tornando cada vez mais forte na produção de equipamentos para estes fins, tornando viáveis estes projetos.
Uso eficiente de água
1. Captação, armazenamento e tratamento de águas pluviais para reutilização na irrigação, limpeza, refrigeração, sistema de combate a incêndio e demais usos permitidos para água não potável;
2. Utilização de bacias acopladas e válvulas especiais com o fluxo opcional por descarga, ou de sistemas a vácuo;
3. Reaproveitamento das águas de lavagem, com tratamento local, para utilização sanitária;
4. Utilização de torneiras com acionamento eletrônico ou temporizador por pressão em todas as aplicações passíveis.
Uso de materiais certificados e renováveis
1. Maximização na especificação de materiais sustentáveis objetivando o maior volume possível de utilização de materiais certificados, de manejo sustentável e recicláveis;
2. Planejamento para maior durabilidade possível nas especificações visando alta performance e evitando obsolescência prematura;
3. Utilização de materiais cujos processos de extração de matérias primas, beneficiamento, produção, armazenamento e transporte causem menor índice de danos ao meio ambiente e não estejam baseados em condições de trabalho indignas para os operários.
Qualidade ambiental interna e externa
1- Projetar utilizando técnicas que permitam uma construção mais econômica, menos poluente e que impacte de forma menos agressiva o meio ambiente;
2- Evitar ao máximo a impermeabilização do solo;
3- Evitar danos à fauna, flora, eco-sistema local e ao meio ambiente;
4- Planejar toda a obra e futura operação do edifício procurando minimizar a geração de lixo e resíduos;
5- Evitar todo e qualquer tipo de contaminação, degradação e poluição de qualquer natureza, visual, sonora, ar, luminosa etc;
6- Promover a segurança interna e externa do edifício e seus usuários;
7- Implantação e otimização de todos os recursos para a correta coleta seletiva do lixo, visando a reciclagem de materiais e a menor geração de resíduos descartáveis;
8- Evitar grandes movimentos de terra, preservando sempre que possível a conformação original do terreno;
9- Elaborar um plano eficiente de drenagem do solo para durante e após a execução das obras, evitando-se danos como erosão ou rebaixamento de lençol freático.
Fonte: ASBEA – Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura
quarta-feira, junho 18, 2008

Por Jaqueline B. Ramos*

*Publicado originalmente no Informativo do Instituto Ecológico Aqualung (n. 78 - março/abril 2008) e posteriormente na Agência Envolverde.
sábado, junho 14, 2008
Negócios vegetarianos Por Jaqueline B. Ramos*
“Nosso público é crescente e podemos dizer que o negócio é lucrativo. Mas também trabalhamos muito. A gente respira isso aqui e somos essencialmente cozinheiros, criando cardápios diferentes todos os dias e primando pela qualidade. E a maior compensação é ver como ajudamos a transformar as pessoas. Muitos se tornam vegetarianos depois de freqüentarem o restaurante”, conta o carioca José Roberto Machado, que junto com sua esposa, Maria Lúcia Moreira Machado, comanda, há três anos, o restaurante Caminho do Mar, localizado no Recreio, no melhor estilo entre mar e montanhas na cidade do Rio de Janeiro.
Zé Roberto e Maria Lucia são casados há 18 anos e veganos há pelo menos uns 15. Empreendedores natos, anteriormente ao restaurante situado a uma quadra da praia tiveram outros restaurantes, uma lanchonete e até uma padaria vegana em diferentes bairros cariocas. E segundo Zé Roberto, todos os estabelecimentos “bombaram”. O casal resolveu partir para o novo negócio porque não resistiu à oportunidade de montar um restaurante justamente tão próximo do mar e da montanha.
“Nosso público é bastante diversificado, de surfistas a artistas, inclusive muita gente de fora do Rio, que está na cidade a passeio ou a trabalho. Abrimos de domingo a domingo, faça chuva ou faça sol, e isso é uma marca da casa. Na verdade nossa melhor propaganda sempre foi o boca-a-boca. Aliás, essa é a melhor maneira de disseminar o vegetarianismo”, diz Zé Roberto, que também dá cursos de culinária na casa de pessoas que desejam adequar seus cardápios diários para uma dieta mais saudável.
O atendimento a um número significativo de onívoros e a oportunidade de passar a mensagem do vegetarianismo e demonstrar, na prática, o quanto os pratos sem ingredientes animais são saborosos e acessíveis são pontos comuns citados por donos de restaurantes vegetarianos. “Posso afirmar que 80% das pessoas que freqüentam o restaurante no horário de almoço não são vegetarianas. Nossa idéia é servir as refeições, ensinar as pessoas sobre veganismo e, acima de tudo, oferecer um ambiente onde elas se sintam bem. A força motriz do nosso negócio é a compaixão pelos animais e isso é o que nos impulsiona e dá prazer”, explica Paulo César Alves Nakashima, proprietário do badalado Lar Vegetariano Vegan, localizado no bairro da Lapa, em São Paulo.
O Lar Vegetariano Vegan já é conhecido do público vegano paulistano pelas noites especiais de sexta e sábado (vegan party e pizza vegana) e pela entrega a domicílio de pizzas veganas nos finais de semana. Para conseguir entrar na casa na noite de sábado, por exemplo, só é possível com reserva, o que demonstra o sucesso do negócio. Paulo e a esposa, Ivonete do Amaral Diaz Nakashima, abriram o restaurante na Lapa em setembro de 2005. Veganos há oito anos, tiveram experiências anteriormente com um outro restaurante vegetariano e com a produção de congelados.
“Abrimos o Lar a partir do que vivenciamos e de conversas com muitas pessoas que conhecemos, priorizando sempre pela qualidade e o oferecimento de serviços e produtos diferenciados. Felizmente o retorno tem sido muito bom, o que mostra que o público é crescente, o negócio é próspero. No momento estamos quitando as últimas dívidas, pois acabamos abrindo o restaurante praticamente sem capital de giro, o que foi extremamente difícil. Aliás, se puder dar um conselho para um futuro empreendedor, diria que separar a reserva é essencial na abertura do negócio”, ressalta Paulo.
Negócio e militância
O planejamento financeiro ressaltado por Paulo é, sem sombra de dúvidas, um ponto importantíssimo a ser considerado para abertura de qualquer novo estabelecimento por um pequeno empresário. E para o “empreendedor vegetariano”, soma-se a isso o dever moral de aliar negócios e militância, oferecendo, como uma espécie de brinde, informação diferenciada que agregue valor ao produto vendido ou serviço prestado. A história e o conceito por trás de “O TAO Natural”, um serviço de delivery de produtos vegetarianos, integrais e orgânicos em São Paulo, demonstra bem essa idéia.
“A nossa maior motivação é a possibilidade de ganhar dinheiro e o nosso sustento com algo que beneficia as pessoas. O TAO certamente é um comércio, mas também é uma militância, pois nos colocamos à disposição dos clientes e interessados para enviar receitas e esclarecer, dentro das nossas possibilidades, dúvidas sobre alimentação vegetariana. Principalmente aquele questionamento básico sobre reposição de proteína e ferro para quem está no momento de transição de dieta”, conta Adriana Gomes Guimarães, que toca o serviço de entregas dos produtos juntamente com o marido, Emerson Marinheiro, ambos ovo-lacto vegetarianos há seis anos.
“O TAO Natural” funciona há nove meses e já tem um público formado por vegetarianos, naturalistas, pessoas com problemas de saúde que precisam mudar a dieta, pais e mães preocupados com a saúde dos filhos e atletas – estes, aliás, formam um novo segmento muito importante para o negócio, segundo Adriana. O serviço de entregas a domicílio consiste na primeira experiência de empreendedorismo do casal – ela é profissional da área de Relações Públicas e ele, professor de Educação Física - e foi elaborado e implementado de maneira bastante cuidadosa e gradual. Tanto que os dois continuam com seus trabalhos originais e estão aos poucos, de acordo com o crescimento do negócio, migrando parte do seu tempo para o serviço.
“Estudamos apostilas do Sebrae, fizemos pesquisas de mercado e decidimos abrir algo que não requereu grande investimento, até porque não dispúnhamos de grande capital. Hoje já temos um lucro que faz o negócio valer a pena, apesar de ainda não podermos deixar nossos trabalhos paralelos. Mas acreditamos que conseguiremos fazer com que o TAO seja uma das nossas duas principais fontes de renda, com dedicação integral minha ou do meu marido, no prazo de 18 a 24 meses”, prevê Adriana.
A migração de um trabalho formal para um “empreendedorismo vegetariano” perseguida pelos donos de “O TAO Natural” é a base da história da Vegmatula, um serviço de entregas de marmitas veganas na área do bairro Vila Mariana, em São Paulo. André Cantu sempre fez suas experimentações na cozinha, mesmo antes de se tornar vegetariano, em 1999 (é vegano há dois anos). Forças do destino o levaram a trabalhar durante 16 anos na Eletropaulo e ao longo do tempo a motivação por fazer o que realmente gostava foi crescendo. O emprego público deu condições de André investir na montagem de uma cozinha industrial e em um curso técnico de nutrição na Fundação Getúlio Vargas. Até que em dezembro de 2007 ele se desligou da empresa e em janeiro deu início às atividades da Vegmatula com a esposa, Maria Del Pilar.
“É uma responsabilidade muito grande fazer comida vegetariana de qualidade, principalmente para atender o público onívoro. Atendemos muita gente que está em transição de dieta, que quer se alimentar melhor ou que está preocupada com o meio ambiente. E aí busca respostas no vegetarianismo”, conta André. “Nosso desafio maior é preparar um cardápio variado e saboroso, com pratos diferentes a cada dia. Para tal variamos nos temperos, usamos nossa receita de massa caseira vegana e “queimamos” os miolos para ser criativos. No final do dia estamos extremamente cansados, mas também extremamente gratos.”
Outro motivo de satisfação para os donos da Vegmatula é o sistema de entrega adotado: bicicletas. Dois entregadores – um vegano e um em vias de se tornar – pedalam das 11h às 13h levando as delícias veganas pela Vila Mariana e arredores de segunda à sexta de forma ambientalmente correta. “Por experiência própria e conversando com amigos percebi que existia demanda por marmitas veganas. E nesses poucos meses de trabalho já atestamos que há mesmo, que o negócio é viável. Tanto que não damos conta de entregar para todos que gostariam de receber. Fica aí o recado: há mercado para todo mundo e a concorrência é muito bem-vinda, principalmente para o vegetarianismo”, conclui André.
Sem CNPJ
Há também histórias que podemos chamar de “empreendedorismo sem CNPJ”, de vegetarianos que desenvolviam seus talentos como ativistas e que, com o passar do tempo, transformaram esse dom também na base de seu sustento através de trabalhos autônomos. É o caso da paulistana Luisa Pereira Santos, conhecida por suas camisetas e adesivos com mensagens e pelos sabonetes artesanais 100% vegetais. Luisa, vegetariana há nove anos e vegana há seis, começou a fazer camisetas como fonte de arrecadação de fundos para atividades sociais e de divulgação do veganismo.
“Com o tempo as pessoas começaram a encomendar os produtos e me dei conta que poderia fazer dessa atividade também a minha fonte de renda. Passei então a dedicar mais tempo ao veganismo, unindo o útil ao agradável. Faço minhas coisas em casa e a maior parte das vendas é pela internet e em eventos, além de alguns restaurantes e uma loja em São Paulo. Não tenho planos de abrir uma empresa ou coisa do gênero”, afirma Luisa, que criou a marca Bhumi (em sânscrito, a personificação do Planeta Terra) para batizar seus produtos – 25 tipos de camisetas, 15 de adesivos e 12 sabonetes de diferentes aromas, que produz e vende desde 2003.
Os planos de Luisa é investir mais na divulgação dos produtos pelo site e desenvolver novas estampas para camisetas. Num estilo parecido de trabalho autônomo, o também paulistano Lila Prasada é pau para toda obra quando o assunto é buffets e serviços de comida vegetariana para festas e eventos. Lacto-vegetariano há 15 anos, Lila começou a cozinhar há 11 em um templo Hare Krishna. E não parou mais. Descobriu que sua praia era alimentação sem carne e ao longo da última década já cozinhou em eventos diversos, indo da Verdurada e raves até encontros como o Fórum Social Mundial e almoços beneficentes, passando também pela produção de marmitas, congelados e até uma lanchonete vegana bem popular que teve no bairro do Braz, em São Paulo.
“A demanda por esse tipo de serviço é muito grande e é um mercado muito promissor. Sou bastante flexível e vou atendendo os clientes de acordo com o que precisam. Já cheguei a fazer três mil refeições por dia”, conta Lila, ressaltando que é uma atividade muito gratificante, mas também muito trabalhosa. “É importante que quem se interessa em trabalhar nesse ramo se informe, pesquise e estude. Como eu mesmo administro a prestação de serviços e coordeno um perfil de equipe para me ajudar dependendo de trabalho encomendado, já fiz curso de gestão na área de alimentação e, sempre que posso, vou a feira de alimentos para me atualizar das novidades”.
Da moda urbana ao campo
Pegando o gancho em raves e no público jovem, outra vegana coloca suas idéias em prática no seu negócio. Só que na área de moda. Ana Carolina Caliman, vegana há 12 anos, é uma das proprietárias da grife paulistana King 55, que tem três lojas na cidade e multimarcas que revendem suas peças no Brasil inteiro. O estilo é jovem com uma atitude rock e atual e uma linguagem mais street. A filosofia: o respeito aos animais e ao meio ambiente.
“Estamos sempre tentando inovar e procurando mais opções para substituir matérias-primas de origem animal. Às vezes deixamos de produzir e vender alguns produtos pela falta de materiais alternativos de qualidade, mas nem por isso deixamos de seguir nossos princípios. Nossos vendedores são treinados e no atendimento ao cliente sempre explicamos a filosofia da marca e o porquê do desenvolvimento de produtos sem crueldade”, revela Ana Carolina dando também como exemplo de diferencial da King 55 o fato da lavanderia onde se lavam os jeans e produtos diferenciados ser totalmente ecológica (com captação de água de chuva e reutilização).
Ana toca a King 55 desde meados de 2001 e a loja consiste na sua primeira experiência como empreendedora. Ela divide a sociedade do negócio com seu irmão, também vegano, o pai, que têm experiência de 20 anos no ramo de confecção, e a madrasta. Por ser dona da marca, já passou pela área financeira, de vendas e de gerenciamento de pedidos e hoje se dedica mais ao desenvolvimento de produtos. “Nossos clientes são pessoas que gostam de produtos diferenciados. A preocupação com meio ambiente e com os animais é algo natural e faz parte do DNA da marca. A empresa tem um formato pequeno e não tem intenção de crescer muito, para não perder a autenticidade e a personalidade que tem hoje”, conta.
Dando um salto de cenários, da moda urbana paulistana para os campos sulinos, um outro estilo de negócio também trabalha, entre outras idéias, com a crença de que o homem não deve causar sofrimento aos animais se não quer sentir dor. Trata-se da produção agroecológica de frutas, legumes e verduras e a empreendedora é a engenheira agrônoma Silvana Beatriz Boher, proprietária do Sítio Capororoca, localizado na área rural da cidade de Porto Alegre.
Vegetariana há quatro anos e agroecologista há 10, Silvana desenvolve as atividades no sítio desde 2001. Além do cultivo dos vegetais, com destaque para o de plantas comestíveis não convencionais, também tem uma agroindústria caseira para produção de geléias, compotas, conservas e pães, que são comercializados nas feiras ecológicas da cidade. “Além disso, trabalhamos com turismo rural, recebendo estudantes universitários para estagiar e turistas que desejam conhecer o funcionamento de uma propriedade agroecológica”, conta. “Apesar de ser uma atividade recente, a aceitação é muito boa. Ficamos surpresos com o grande número de pessoas não vegetarianas que nos visitam e expressam muita satisfação ao descobrir que é possível ter uma boa e saborosa refeição sem carne.”
Silvana explica que não houve uma preparação específica para o desenvolvimento de suas atividades e que tudo foi acontecendo como uma reação em cadeia. A maior motivação foi poder trabalhar com produtos mais saudáveis sem agredir o meio ambiente e respeitando os animais, morar no próprio local de trabalho e ter uma melhor qualidade de vida. E qualidade de vida, para um empreendedor vegetariano, está diretamente ligada à possibilidade de combinar trabalho, sustento e prazer de educar, disponibilizar informação e ser exemplo para uma conduta mais ética em relação aos seus semelhantes.
“Quando nos tornamos vegetarianos, direta e indiretamente mostramos a outras pessoas as vantagens da nossa conduta, tanto no que se refere ao consumo de alimentos mais saudáveis quanto à questão ética de não causar dor e sofrimento aos animais. O trabalho com plantas não convencionais abre um leque de alternativas alimentares baratas, de fácil obtenção, nutritivas e saborosas. Os grupos que vêm ao sítio passam a ter uma outra idéia sobre a natureza, a forma de preservá-la e a possibilidade de usufruí-la com o menor impacto possível”, conclui Silvana.
Dicas na hora de montar seu negócio
Gustavo Carrer, consultor de marketing do Sebrae-SP, tem mais de 10 anos de experiência com empresas de pequeno porte que atendem nichos específicos do mercado. Sobre o “empreendedorismo vegetariano”, o consultor tem algumas dicas aplicáveis aos que já são ou pensam em ser empresários focando em produtos ou serviços especializados.
Primeiramente, segundo o consultor, o empresário do ramo vegetariano deve ter como objetivo o atendimento do público que já é consciente e adepto da dieta. “É importante focar em atender bem quem já é vegetariano, o seu público-alvo. Pode-se fazer alguma campanha e passar informações visando a conscientização de outras pessoas, mas isso não pode ser mais importante do que a prestação do serviço ou a venda do produto, do contrário pode se perder o foco e o negócio se tornar insustentável”, diz.
Outra questão ressaltada por Gustavo é não ser radical a ponto de não atender não-vegetarianos – felizmente já vemos que isso não acontece, visto as histórias contadas na matéria. “Entender a natureza e os anseios do público, do vegetariano ao onívoro simpatizante, um comprador sazonal, é essencial para o sucesso do negócio. Aliás, uma das vantagens de um pequeno negócio direcionado a um nicho é o fato do empresário poder estar muito próximo do consumidor, entendendo suas demandas e adequando sua gestão para melhor atendê-lo”.
Outra vantagem ressaltada pelo consultor é a possibilidade de concentração de esforço – leia-se tempo e dinheiro – num mix de produtos e serviços com perfil específico, evitando gasto de energia que seria necessário para atender um público muito diversificado. “Mesmo assim é importante crescer com cuidado. A atividade que é de nicho exige que o empresário tenha um ciclo de atenção maior com os clientes. Como o público, em número de pessoas, tende a ser menor, uma falha pode colocar a perder todo o negócio. A tolerância do público é muito menor com as empresas menores”, completa.
Serviço
• Restaurante Caminho do Mar
Tel.: (21) 3413 0483
• Restaurante Lar Vegetariano Vegan
www.larvegetarianovegan.com.br
Tel.: (11) 3835 2490
• O TAO Natural (entrega de produtos vegetarianos e naturais)
www.otaonatural.com.br
Tel.: (11) 9825 6298
• Vegmatula (marmitas e congelados)
http://acantu.sites.uol.com.br
Tel.: (11) 5579 2273
• Bhumi (camisetas, adesivos e sabonetes 100% vegetais)
www.colchaderetalhos.net
Tels.: (11) 3205 4914, 9466 6806
• Buffets e Festas vegetarianos/veganos
Lilá Prasada
(11) 9530 9561
• King 55 (roupas / moda)
www.king55.com.br
Tels.: (11) 3083 1151, 3045 2654
• Sítio Capororoca (produtos agroecológicos)
www.caminhosrurais.tur.br
Tel.: (51) 3258 5607
domingo, junho 01, 2008

Por Jaqueline B. Ramos*
A passagem do estado nômade para a fixação na terra marcou o início do que chamamos “desenvolvimento da humanidade”. Com o passar dos séculos, o homem foi criando novas formas de manejo do solo e as populações concentradas nas cidades cresceram em ritmo progressivo, aumentando a demanda por alimentos. Até que a chegada da Era Industrial, no final do século XVIII, intensificou a aglomeração de pessoas no ambiente urbano, colocando fim, definitivamente, na ligação direta que o ser humano tinha com a natureza para a obtenção de alimentos. O resultado disso tudo é uma agricultura transformada em indústria que passou a utilizar métodos artificiais, como fertilizantes e pesticidas químicos, irrigação, manipulação genética e uso de hormônios em animais, visando sempre o aumento da produção (e o lucro). Sem contar a dependência por combustíveis fósseis, inclusive no transporte, por longas distâncias, dos alimentos. É a cadeia alimentar industrial.
Se por um lado todo esse advento é considerado positivo, sendo denominado como desenvolvimento ou modernidade, por outro é fato que o modelo de alimentação industrializado é um forte candidato a causar sérios danos à conservação do meio ambiente e também à saúde do homem. E por incrível que pareça, a maior parte das pessoas atualmente não se dá conta disso. A origem dos alimentos que consome simplesmente não faz parte da sua lista de prioridades e a alimentação, o ato mais corriqueiro e básico do dia-a-dia, não é visto sob a perspectiva ambiental ou da sustentabilidade.
“Comer é um ato agrícola, disse, numa frase famosa, Wendell Berry (fazendeiro e economista americano). É também um ato ecológico, além de um ato político. Ainda que muito tenha sido feito para obscurecer esse fato bastante simples, o que e como comemos determinam, em grande parte, o que fazemos do nosso mundo – e o que vai acontecer com ele. (...) Muita gente hoje parece totalmente satisfeita comendo na extremidade da cadeia alimentar industrial sem parar para pensar no assunto”, escreve o jornalista norte-americano Michael Pollan, no seu livro “Dilema do Onívoro”. O jornalista passou cinco anos investigando os bastidores da cadeia industrial alimentícia nos Estados Unidos, reconstituindo o trajeto dos pratos mais consumidos e analisando o caminho percorrido pelo alimento da origem à mesa.
Insumos químicos, agrotóxicos, erosão do solo...
Como afirma o jornalista norte-americano, comer é um ato ecológico, o que faz com que todo cidadão deva, idealmente, ficar atento à origem do alimento que consome e analisar criticamente as técnicas empregadas no sistema de produção. A qualidade e pureza dos alimentos, a sustentabilidade (social e ecológica) dos métodos de produção e os problemas e desigualdades existentes na sua distribuição são algumas das questões que devemos analisar em busca de uma alimentação mais sustentável. Em tempo: é fato que se produz alimento em quantidade suficiente para atender 100% da população mundial. Dificuldades de acesso aos alimentos pela parcela mais carente da sociedade decorrem de problemas sociais e econômicos, que por sua vez causam desequilíbrios na distribuição.
Destacando algumas problemáticas da agricultura moderna para o meio ambiente, uma primeira questão a ser analisada é o uso de insumos químicos. Visando melhorar a produtividade e assegurar índices de produção, agricultores costumam utilizar adubo e fertilizantes em suas plantações. O adubo mais simples, natural e antigo é o esterco, que misturado a restos de vegetais e fermentado de forma correta resulta no composto orgânico. Mas para ser empregado em larga escala, o processo do fertilizante natural se tornou inviável, economicamente falando. Para os empresários do agrobusiness, passou a ser mais rentável o uso de agroquímicos (agrotóxicos e fertilizantes, principalmente), inclusive para viabilizar o cultivo intensivo de uma única cultura em uma área (as monoculturas, principais vilãs da qualidade do solo).
Os fertilizantes industriais contêm altas concentrações de nitrogênio, fósforo, potássio e metais pesados. O nitrogênio, por exemplo, pode se acumular no solo e ser transformado, por processos químicos, em nitrato. Além de ser um composto cancerígeno, o nitrato pode contaminar o solo e também ser conduzido aos lençóis subterrâneos, contaminando a água.
Outro problema gerado neste cenário é o desequilíbrio ecológico causado pela própria prática da monocultura regada por fertilizantes químicos. Entre os principais indicadores do desequilíbrio está o aparecimento de pragas, doenças e ervas daninhas, que por sua vez são combatidas com agrotóxicos - inseticidas, herbicidas e fungicidas. Ou seja, mais uma carga de substâncias químicas tóxicas bombardeando o meio ambiente e a saúde de quem consome os alimentos, pois estes acabam guardando resíduos dos agrotóxicos e têm alta probabilidade de ficarem contaminados.
Como mais um remediador para o desequilíbrio ecológico conduzido pelo próprio homem e visando, sempre, produtos finais comercialmente mais lucrativos, entram em cena os alimentos transgênicos. Tratam-se de organismos geneticamente modificados (OGMs) desenvolvidos em laboratório. Entre os objetivos da manipulação genética está o de criar plantas mais resistentes a pragas ou até mais resistentes a determinados agrotóxicos. Alimentos transgênicos já são comercializados em vários países – entre eles o Brasil – e ainda há muitas controvérsias em relação aos prós e contras da manipulação genética para a saúde das pessoas e os impactos no meio ambiente. Enquanto os debates e as pesquisas avançam, o importante é o consumidor se informar e exigir a rotulagem dos alimentos transgênicos, de forma a ter condições de decidir por consumir ou não um OGM.
Erosão e o impacto do bife
Uma questão importante decorrente da agricultura moderna é o fenômeno chamado de “erosão genética”. A interferência do homem nas variedades tradicionais com a manipulação de plantas e animais pode consistir em uma ameaça para a diversidade genética, a principal responsável pela capacidade de resistência, imunidade e sobrevivência das espécies.
Quando falamos em erosão é importante também lembrar do processo de degradação do solo decorrente do uso de práticas agrícolas inadequadas e da monocultura combinada com a mecanização, o corte de espécies nativas, a queima da vegetação e a pecuária intensiva. Aliás, esta última rende um capítulo à parte na discussão sobre alimentação sustentável, visto que o aumento no consumo de carne e de seus derivados sobrepôs formas naturais (e mais éticas) de criação dos animais, sem contar os problemas ambientais decorrentes da pecuária.
Numa sociedade majoritariamente onívora, o “impacto do bife” passa por questões de ordem moral – não é à toa a afirmação de que se os abatedouros tivessem paredes de vidro, muita gente se tornaria vegetariana - e também de ordem ambiental. Um relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, em inglês) em 2006 alertou para o fato de que “estoques de animais vivos” mantidos para alimentação são responsáveis por 18% da emissão de todos os gases causadores do aquecimento global, porcentagem que supera, por exemplo, as emissões causadas por todos os veículos automotores do mundo somados.
O levantamento da FAO inclui as emissões de metano provocadas pelo sistema digestivo dos animais, as emissões de CO2 geradas pelas queimadas para a formação de pastos, a energia – quase sempre à base de queima de combustíveis fósseis – usada na fabricação de insumos agrícolas, a energia gasta na produção de ração e no bombeamento de água, a energia dos procedimentos de abate e processamento das carcaças, o combustível usado no transporte de animais vivos e de produtos processados de carne, entre outras questões relacionadas à pecuária.
Seja analisando as técnicas industriais agrícolas ou o modelo intensivo da pecuária, o fato é que a humanidade atingiu um limite perigoso na história de uma relação insustentável com a natureza para obtenção de fontes de alimentos. E nesse momento é importante que cada um, como consumidor, pare para pensar mais criticamente e faça escolhas mais criteriosas e cuidadosas. Como afirma o autor de “Dilema do Onívoro” em um dos trechos do livro, “a insensatez demonstrada na busca por alimentos não é um fenômeno novo. No entanto, os novos atos de insensatez que estamos cometendo na nossa cadeia alimentar industrial hoje são de um tipo diferente. Ao substituir a energia solar pelo combustível fóssil, ao criar milhões de animais em rígidas condições de confinamento, ao alimentar esses animais com comida para a qual sua evolução não os adaptou, e ao nos alimentarmos com comidas que são muito mais insólitas do que imaginamos, estamos pondo em grave risco nossa saúde e a saúde do mundo natural.”
Fontes: Cartilha Alimentos IDEC, livro “Dilema do Onívoro” (editora Intrínseca) e Sociedade Vegeteriana Brasileira (SVB).
Saiba mais: Livro “Dilema do Onívoro”, de Michael Pollan (editora Intrínseca); “Pequeno Guia de Alimentação Saudável e Consumo Responsável”, de Eduardo Guagliardi e Jane Broch (editora Coluna do Saber)
O que o consumidor pode fazer em prol de uma alimentação sustentável
# Informar-se sobre a importância da agricultura sustentável e seus benefícios para a produção de alimentos, inclusive em relação à saúde dos indivíduos e ambientes.
# Apoiar propostas de produção regional, especialmente a familiar e a associada, com o objetivo de fortalecer a segurança alimentar local e reduzir o desperdício de energia no transporte.
# Exigir que os produtores respeitem as leis ambientais, assim como a legislação trabalhista, e que utilizem métodos menos impactantes ao meio ambiente, adquirindo produtos elaborados com este diferencial.
# Demandar que os vendedores de alimentos estimulem a produção ecológica, inclusive solicitando a certificação dos produtores por um organismo independente, para que possa ter certeza de que os mesmos cumprem todas as exigências ambientais.
# Organizar-se em cooperativas de consumo que estimulem a produção sustentável local e regional.
Fonte: Cartilha Alimentos (IDEC)
*Publicado no informativo do Instituto Ecológico Aqualung n. 78 -março/abril 2008. Veja o informativo completo aqui.
Brasil e Indonésia são os dois países que detêm as maiores áreas florestais do mundo. De acordo com o relatório, em ambos os casos o desmatamento progressivo tem como causa a transformação das florestas em terras agrícolas. Aqui, a derrubada de florestas se dá por uma demanda específica por carne, soja e madeira. Já na Indonésia a demanda é por madeira e por terras para a obtenção do óleo de palma. Mas em um dado o Brasil ainda se mostrou numa situação mais delicada que a Indonésia: enquanto lá os índices de desmatamento se mostraram inalterados desde 1990, aqui os números cresceram de 2,7 milhões de hectares devastados na década de 90 para 3,1 milhões, segundo o levantamento do Bird.
... e Amazônia em risco (mesmo debaixo de chuva)
E em nível nacional as notícias sobre avanços no desmatamento também são delicadas. E envolvem nada mais nada menos do que a Amazônia. Segundo dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), o desmatamento na floresta continuou em alta em fevereiro, mês de chuva e, por isso, período no qual historicamente assiste-se a uma diminuição na derrubada da floresta. O sistema Deter do Inpe, que detecta a devastação em tempo real, mostrou que foram derrubados no mês de fevereiro 724 quilômetros quadrados de floresta, número 12% maior que os 639 quilômetros quadrados derrubados em janeiro. O primeiro semestre é considerado como “inverno” na Amazônia, por ser o período de estação chuvosa, e a época na qual o desmatamento tende a cair.
Tubarões em risco
A espécie de tubarão conhecida como “tubarão-martelo” entrará oficialmente na lista de animais ameaçados de extinção em 2008, conforme anunciado recentemente pela IUCN (World Conservation Society) na reunião anual da Associação Americana para o Avanço da Ciência. A causa maior, segundo a organização, é a caça indiscrimada dos animais para atender o mercado bilionário das barbatanas, além da pesca predatória nos oceanos, que fazem os animais como vítimas nas redes e armadilhas.
Estima-se que a população de várias espécies de tubarões, entre os quais o “tubarão-tigre”, o “tubarão-de-cabeça-chata” e o “tubarão-negro”, diminuiu cerca de 95% desde a década de 70. De acordo com a IUCN, o “tubarão-martelo”, que entrará na lista de ameaçados na categoria “globally endangered” (ameaçado globalmente), corre um risco maior pelo fato dos animais jovens habitarem águas rasas perto de costas, fazendo isso como uma forma de fugir de predadores naturais. “Muitos tubarões estão agora em risco de extinção como resultado de um processo de captura descontrolada que acontece há vários anos”, anunciou a IUCN. A atividade de pesca de tubarões em águas internacionais é feita sem qualquer tipo de restrição e uma resolução das Nações Unidas já propõe a regulamentação urgente de cotas de pesca e a proibição da caça para a prática (cruel e covarde) do corte das barbatanas.
Menos embalagens
Todo mundo já ouviu falar sobre a importância na redução do uso de embalagens e de sacolas plásticas. E uma campanha conduzida pelo Ministério do Meio Ambiente desde o mês de março tem como objetivo reforçar o conceito, incentivando os brasileiros a praticar o consumo sustentável. Com o slogan “A escolha é sua, o planeta é nosso”, a campanha Consumo Consciente de Embalagens consiste numa tentativa de despertar o consumidor a prestar atenção no que está em volta do produto que ele compra, levando em conta a variável ambiental. As embalagens consistem em um terço do lixo doméstico no país e a campanha orientará produtores, varejistas e consumidores sobre as vantagens na utilização de meios alternativos. Um dos focos é o incentivo da substituição de sacolinhas plásticas, usadas principalmente nos supermercados, por sacolas retornáveis, que são reutilizáveis.
“Rio de Janeiro” desintegrado
O processo de aquecimento global deu mais um sinal de seu avanço. E dessa vez no pólo sul, mais especificamente no mar do oeste da Antártica. Um bloco gigantesco de gelo, que em tamanho se equipara à área da cidade do Rio de Janeiro, entrou em colapso e se desintegrou ao longo do mês de março, conforme divulgou o Centro Britânico de Pesquisas da Antártica. Segundo os cientistas, que acompanharam o fenômeno através de imagens de satélite e imagens feitas por cinegrafistas a partir de sobrevôos no local, a desintegração do imenso bloco de gelo, formado no local há 1,5 mil anos, é definitivamente resultado do aumento progressivo da temperatura no planeta.
Robôs cobaias
No lugar de animais, robôs sendo testados em experiências em laboratórios. Esse avanço importantíssimo para uma ciência mais ética dá seu primeiro passo com cientistas americanos fazendo testes preliminares com substâncias químicas em células criadas artificialmente. Segundo artigo publicado na revista Science, duas agências do governo americano estão estudando a possibilidade de usar robôs de alta-velocidade para a realização de testes de identificação de substâncias químicas com efeitos tóxicos.
O objetivo, em longo prazo é desenvolver métodos de testes que não dependam de animais e sejam rigorosos o suficiente para ser aprovados pelos reguladores. Embora os cientistas afirmem que ainda há muitos anos pela frente até que os testes sem o envolvimento de animais se tornem rotina, esse tipo de pesquisa demonstra que a era de robôs cobaias é uma realidade que se demonstra cada vez mais plausível.
Baterias ecológicas
Pesquisadores do Laboratório Nacional de Luz Sincroton, em Campinas (SP), estudam novos materiais visando tornar baterias de celular e de notebooks em materiais menos impactantes para o meio ambiente – e, também, mais eficientes. Atualmente essas baterias são um problema na hora do descarte, sendo consideradas como lixo eletrônico, cuja eliminação é muito complicada. De acordo com o laboratório, o caminho para baterias com melhor desempenho e mais ecológicas é o uso de materiais nanoestruturados, ou seja, materiais dispostos em partículas muito pequeninas (na ordem de 0,0000000001 metros). Através da nanotecnologia, a intercalação do lítio com o óxido de cobalto na composição das baterias se tornaria muito maior, e, conseqüentemente, mais eficiente e segura para o descarte na natureza.
Fim das queimadas em canaviais
O Governo do Estado de São Paulo e a Orplana (Organização de Plantadores de Cana da Região Centro-Sul do Brasil) assinaram no início de março um acordo que antecipa o prazo para se colocar fim na prática das queimadas nos canaviais e estipula a tomadas de ações de sustentabilidade ambiental no setor. De acordo com o Protocolo Agroambiental, lançado em abril do ano passado e assinado por representantes de 13 mil fornecedores do setor sucroalcooleiro, o prazo para a eliminação das queimadas era o ano 2021. Com este acordo o prazo foi antecipado para 2014, tendo ainda possibilidade, como dizem fontes do Governo, de ser adiantado em mais dois anos.
Segundo o Secretário do Meio Ambiente, Francisco Graziano Neto, até agora 141 das 170 indústrias do setor aderiram ao acordo, o que representaria uma redução da área queimada em 109 mil hectares no primeiro ano do funcionamento das diretrizes de conduta ambiental. Ainda de acordo com o secretário, o Estado hoje já colhe 47% da cana-de-açúcar de forma mecanizada, sem queimadas.
Aquecimento global no Brasil
O Jornal Diário de Pernambuco publicou em março o mapa da área do Brasil que mais vai sofrer o impacto do aquecimento global, localizada no semi-árido nordestino. A partir de análises elaboradas pelo cientista José Marengo, um dos principais estudiosos do aquecimento global e mudanças climáticas do Brasil, o aumento da temperatura agravará os problemas de uma região que já sofre com a seca e a miséria da população.
Segundo a reportagem, a área em questão tem 193 mil quilômetros quadrados e está localizada nos limites de três estados - sudeste do Piauí, oeste de Pernambuco e Norte da Bahia. Lá se encontram os piores indicadores sócio-econômicos do país. A reportagem diz que “a maioria das projeções de clima mostra que nesta mesma área a vegetação pode virar de caatinga para vegetação de tipo cactácea e os indicadores sociais são muito baixos, o que dificulta a adaptação das pessoas à alteração climática”. Ainda, segundo o trabalho, “em época de seca, por exemplo, a única alternativa que resta para parte da população é a emigração – tornando-se ‘flagelados’, no vocabulário tradicional, ou ‘refugiados ambientais’, no vocabulário da Era do Aquecimento”.
Velocidade limpa
Cientistas britânicos apresentaram na Feira de Automóveis realizada na Suíça, em março, um produto que seria o sonho de consumo dos apaixonados por velocidade que são conscientes dos impactos ambientais causados por veículos. O Lifecar, carro esporte que chega à velocidade de 150km/h e não emite dióxido de carbono, foi mostrado e comemorado na feira.
O carro, movido a hidrogênio, produz muito pouco barulho e apenas vapor d’água de seu exaustor. O uso de células de combustível avançadas e de um sistema de armazenamento de energia dá ao Lifecar autonomia de 400 km por tanque de hidrogênio. “O conceito básico era construir um carro esporte para lazer e divertimento, que funcionasse como uma vitrine da tecnologia e tivesse capacidade de correr 240 km por galão”, declarou na época da feira a fabricante de carros esportes clássicos Morgan, responsável pelas pesquisas que geraram o Lifecar. Por enquanto o carro de velocidade limpo ainda é um conceito, mas a fabricante não descarta a produção do automóvel para o mercado no futuro, caso ele tenha boa aceitação do público.
Galápagos eólica
Em fevereiro o Governo do Equador deu o primeiro passo para pôr fim à dependência do petróleo do arquipélago de Galápagos. No dia 18 foi inaugurado um parque eólico de US$ 10,8 milhões na ilha de San Cristóbal, que foi celebrado com a declaração do Governo de que o arquipélago ficará livre de combustíveis fósseis até o ano de 2015. Atualmente Galápagos tem 30 mil habitantes e recebe mais de 120 mil turistas por ano. Entre os recursos que chegam do continente para abastecer as ilhas estão grandes quantidades de óleo combustível, usadas para transporte e geração de energia.
Em 2001, um navio-tanque bateu contra um recife exatamente em San Cristóbal e derramou cerca de 568 mil litros de combustível no oceano. Por sorte as correntes desviaram o óleo dos ecossistemas onde vivem milhares de espécies endêmicas do arquipélago e os impactos não foram tão grandes. Mesmo assim, o susto fez com que Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Rússia fizessem uma associação com o Equador, com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e com nove das maiores empresas hidrelétricas do mundo para construir o Projeto Eólico San Cristóbal. Cerca de 50% da energia da ilha agora procede das três turbinas eólicas de 800 quilowatts instaladas.
Chimpanzés não são entretenimento
Especialistas em grandes primatas de renome internacional lançaram um apelo em prol do respeito aos chimpanzés usando argumentos científicos. Em artigo publicado na revista Science no mês de março, nomes como Jane Goodall (primeira cientista a demonstrar que os chimpanzés selvagens também fabricam e usam ferramentas, como as pessoas) e Brian Hare (um dos maiores especialistas na vida mental e social da espécie) afirmam que é preciso parar o quanto antes com o uso de chimpanzés, os parentes mais próximos do homem no mundo animal, como garotos-propaganda e astros da TV ou do cinema.
Pesquisas realizadas nos Estados Unidos indicam que os macacos-artistas distorcem a percepção do público sobre a situação da espécie, levando as pessoas a acreditar que se trata de um animal que pode ser usado como bicho de estimação e que não está ameaçado de extinção. Segundo os cientistas-autores do estudo, o objetivo é mostrar que a representação inadequada dos chimpanzés tem conseqüências amplas na atitude do público, que por sua vez têm efeitos ligados à preservação da espécie. Estudos feitos com visitantes em zoológicos americanos mostraram que embora mais de 90% das pessoas soubessem que gorilas e orangotangos estão ameaçados de extinção, menos de 70% delas estavam cientes de que os chimpanzés também estão ameaçados.
Além disso, o estudo também aponta problemas de bem-estar enfrentados pelos chimpanzés “domesticados”: os animais criados por pessoas têm dificuldade para conviver com seus semelhantes e desenvolvem problemas comportamentais que vão da impotência à automutilação, sem contar os maus-tratos sofridos em resposta às atitudes selvagens e naturais dos bichos.
Fontes: BBC, ENN – Environmental News Network, jornal O Globo, Ambiente Brasil, EcoAgência de Notícias, Agência Envolverde
Pelos homens e pelos animais...Veterinários da WSPA têm acesso liberado para ajudar animais em Mianmar
Foto: divulgação WSPA
A equipe conta com cinco veterinários, que chegarão na segunda e na terça-feira, logo depois de a WSPA entregar 31 toneladas de ração para os animais. Essa ração será recebida em Mianmar pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), com quem iremos trabalhar.
O líder da equipe, Dr. Ian Dacre, disse hoje que a união das organizações contribui para se conseguir bons resultados:
– Mal podemos esperar para entrar e começar a ajudar os animais. Fazendo isso, nós também iremos melhorar a situação das pessoas que contam com esses animais como alimento e meio de vida. Nosso plano é trabalhar em conjunto com agências humanitárias e usar a logística de trabalho que elas já estabeleceram para prestar ajuda.
A WSPA é a primeira organização de bem-estar animal a receber acesso a Mianmar. Ela irá distribuir alimento, evitar a disseminação de doenças e aliviar o sofrimento dos animais sobreviventes, o que é de vital importância para a recuperação e a segurança alimentar das comunidades afetadas pelo Ciclone Nargis.
segunda-feira, abril 21, 2008
No último dia 17 as pessoas que acreditam na necessidade do desenvolvimento de políticas públicas sérias para o controle populacional de animais de rua abandonados (principalmente cães e gatos) tiveram um motivo para comemorar. O Governador do Estado de São Paulo, José Serra, sancionou a Lei 12.916, de autoria do Deputado Feliciano Filho (PV), que institui que os centros de controle de zoonoses, canis municipais e congêneres não poderão mais matar os animais de como forma de controle populacional.
Na prática isso significa que a matança indiscriminada de cães e gatos nos CCZs do estado de SP será considerada crime a partir de agora. Trata-se de uma vitória para os animais e um alerta para um problema de saúde pública que é crescente em muitos centros urbanos. A implementação da lei deve ser comemorada, mas ao mesmo tempo é necessário que o Governo providencie mecanismos de controle e fiscalização da prática e que a população participe ativamente divulgando e aplicado no seu dia-a-dia os conceitos de posse (ou guarda) responsável e incentivando a adoção de animais.
Segue abaixo o relato do Deputado Feliciano sobre a lei.
Abs,
Jaqueline B. Ramos
17/04/2008 - Por Deputado Feliciano Filho - PV
No dia 17 de abril de 2001 quando minha cachorrinha Aila me levou até o centro de zoonoses de Campinas fiquei tão horrorizado com o que vi, e naquele momento fiz uma promessa que daquele segundo em diante dedicaria a minha vida aos animais e lutaria para acabar com as mortes nos centros de controle de zoonoses. Exatamente no dia 17 de abril de 2008, ou seja, há exatos sete anos, consegui cumprir minha promessa.
Foi uma luta muito dura árdua, onde renunciei a minha vida pessoal, mas compensou, pois a partir de agora com a aprovação da Lei 12.916 de minha autoria, os centros de controle de zoonoses (carrocinhas), canis municipais e congêneres não poderão mais matar os animais indefesos, que não tem voz nem a quem recorrer, de forma indiscriminada, como forma de controle populacional, sendo apenas permitida a eutanásia em animais que apresentem males ou doenças incuráveis ou enfermidades infecto-contagiosas que coloquem em risco a saúde pública, devendo ser justificada por laudo técnico que ficará á disposição das entidades de Proteção Animal.
Esta nova Lei autoriza o Governo do estado a fazer convênios com os municípios no intuito de instituir políticas públicas corretas para os animais tais como: castração, identificação e conscientização da população.
Os cães comunitários também estão protegidos, vale lembrar que "Cão Comunitário" é aquele que estabelece com a comunidade laços de dependência e manutenção, embora não possua responsável único e definido, a partir de agora serão recolhidos para esterilização e registro, sendo posteriormente devolvidos aos locais de origem.
Quanto à questão dos cães com mordedura injustificada comprovada por laudo médico, estes serão encaminhados para programas especiais de adoção, podendo somente ser sacrificado após o prazo de 90 dias de seu recolhimento. São Paulo mais uma vez sai na frente dando exemplo, e não tenho dúvida que outros estados seguirão o mesmo caminho.
A APROVAÇÃO DESSA LEI CONFIGURA-SE EM UM ATO HISTÓRICO, DIVISOR DE ÁGUAS E MUDANÇA DE PARADIGMA, POIS ACABA COM UMA PRÁTICA ARCAICA, INEFICÁZ, CRUEL E DESUMANA, ALÉM DE ESTAR DE ACORDO COM O QUE É PRECONIZADO PELA ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE, ORGANIZAÇÃO PANAMERICANA DE SAÚDE E COM O PRÓPRIO BEPA (BOLETIM DA SECRETARIA DO ESTADO DE SÃO PAULO).
QUERO CUMPRIMENTAR O GOVERNADOR PELO SEU DISCERNIMENTO, LUCIDEZ, E RESPONSABILIDADE COM A COISA PÚBLICA, A PROBLEMÁTICA DOS ANIMAIS NÃO É SÓ UMA QUESTÃO HUMANITÁRIA, MAS TAMBÉM DE SAÚDE PÚBLICA, MEIO AMBIENTE E DE RESPEITO AO DINHEIRO PÚBLICO; POIS, AS PREFEITURAS, DE UMA FORMA GERAL, GASTAM TRÊS VEZES MAIS PARA PIORAR UMA SITUAÇÃO QUE CRESCE DE FORMA GEOMÉTRICA AO PASSO QUE PODERIAM GASTAR UM TERÇO TRABALHANDO NAS CAUSAS PARA RESOLVER O PROBLEMA.

Temos vagasUsina de biodiese Bsbios, no RS (divulgação)
* Publicado na Revista BiodieselBR, ano 1, número 4, abril/maio 2008
O aumento na produção de biodiesel no Brasil, impulsionado nos últimos três anos pela Lei 11.097, traz uma série de vantagens ambientais, econômicas e sociais para o país. E uma demanda em específico é também muito importante quando se pensa nos benefícios da produção do combustível verde no longo prazo: a mão-de-obra qualificada para atuar no setor. Por ser uma área relativamente nova, a oferta de empregos na área de biodiesel – do suporte para produção de matéria-prima até o produto final – caminha em ritmo crescente. O resultado é a criação de um nicho de mercado promissor, que abrirá espaço para profissionais que estiverem dispostos a se especializar.
Em outras palavras, quando se fala em empregos no setor de biodiesel, o maior desafio hoje é adequar a oferta de profissionais à pronta demanda por parte das usinas. “Para trabalhar com biodiesel, o ideal é que o profissional tenha conhecimento da área de extração de óleos vegetais e/ou da área petroquímica. A produção de biodiesel é justamente a junção dessas duas áreas. Até achamos profissionais experientes e com este perfil no mercado, mas mesmo assim ainda é necessário treinamento para adequação às novas tecnologias”, explica Erasmo Carlos Batistella, diretor de operações da Bsbios, usina instalada na cidade de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul.
O treinamento específico oferecido pelas próprias empresas é uma realidade comum para qualificação da mão-de-obra no setor. A Bsbios, por exemplo, montou um curso junto com a escola local do Senai (Serviço Nacional da Indústria) e com a Intecnial, empresa representante da tecnologia norte-americana importada pela usina, para os 70 funcionários que contratou para dar início à operação da usina há cerca de um ano.
Num panorama geral os empregos se concentram nas áreas de química, biologia, engenharia mecânica e engenharia química, formações de nível superior ligadas às atividades de processo. As usinas também empregam profissionais de formação técnica especializados em mecatrônica, elétrica e química, que geralmente atuam nas atividades de laboratório e operacional. E pensando na cadeia produtiva como um todo, o mercado também gerou um número significativo de empregos para engenheiros agrônomos e técnicos agrícolas, por conta dos trabalhos de pesquisa e desenvolvimento de novas culturas em pequenas propriedades rurais incentivados por programas de geração de renda no campo do Governo Federal.
Formação especializada
A formação de pós-graduação tem uma grade que leva o aluno ao conhecimento técnico de todos os elos da cadeia do biodiesel, da agricultura à certificação, passando pela produção, co-produtos e armazenamento. Mas uma das características mais importantes para a formação de um bom profissional na área é a aplicação de uma visão ambiental, que perpassa todas as etapas da cadeia produtiva.
“Os profissionais da área de biocombustíveis, obrigatoriamente, devem ter uma formação mais ecológica. A cadeia produtiva do biodiesel apresenta tanto entraves tecnológicos como ambientais e de gestão”, afirma Iracema Andrade Nascimento, diretora de Pesquisa e Pós-graduação da Faculdade de Tecnologia e Ciências (FCT), na Bahia, e coordenadora do Mestrado Profissional em Bioenergia oferecido pela instituição.
O mercado formal de biodiesel é novo e exige formação adequada, mas esta deve ser combinada com pioneirismo e inovação. “Os problemas só são vencidos com um planejamento que tenha como uma de suas metas a formação de pessoal qualificado e a atuação de especialistas com uma visão mais eclética” aponta a diretora da FCT.
O diferencial está na implementação de inovações em termos de melhorias tecnológicas e ajustes gerenciais que venham dar competitividade aos custos de produção. “As usinas sentem falta de gestores. Muitas mudanças vão acontecer no mercado diante da necessidade das empresas honrarem o compromisso de adição de biodiesel ao óleo diesel”, explica Osmar de Carvalho Bueno, coordenador do curso de Gestão da Cadeia Produtiva de Biocombustíveis, com ênfase em biodiesel, especialização oferecida pela Universidade do Estado de São Paulo (Unesp).
Salários em alta
Mesmo com o aumento de preço das principais matérias-primas, a tendência para o biodiesel é de forte crescimento, estimulando a oferta de empregos e valorizando as profissões. “É muito provável que a Bsbios contrate mais profissionais a cada ano, e isso vai aquecer ainda mais o mercado.” constata Batistella.
“No geral, os salários pagos aos profissionais da área ainda estão dentro da média de mercado, mas, com base no crescimento projetado para a atividade e na escassez de profissionais prontamente capacitados, a tendência atual é de crescimento dos salários no curto prazo”, ressalta Iracema.
A usina gaúcha já sente os reflexos desse crescimento. "Podemos afirmar que os salários de nossos empregados já têm valores um pouco mais altos do que a média da região”, constata o diretor de operações.
A perspectiva de bons salários aliados à atuação num setor comumente associado a equilíbrio ambiental e desenvolvimento sustentável pode ser a base para uma carreira dos sonhos. E a especialização é um passo importantíssimo para um emprego movido a diesel limpo, mas é a visão ambiental, multidisciplinar e integrada, que faz o especialista ser um profissional do futuro na área de biodiesel.
BOX: Cursos de qualificação
Latu-sensu (especialização)
Gestão da cadeia produtiva de biocombustíveis, com ênfase em biodiesel (Faculdade de Ciências Agrárias, UNESP – Botucatu, SP)
www.fca.unesp.br/pos_graduacao/latosensu/index.php
Pós-Graduação em biodiesel (Centro Federal de Educação Tecnológica de Rio Verde - Cefet-RV, Goiás)
http://www.cefetrv.edu.br/
Strict-sensu (mestrados profissionais)
Mestrado profissional em Agroenergia (Escola de Economia, Fundação Getúlio Vargas – São Paulo, SP)
http://www.eesp.fgv.br/
Mestrado profissional em Bionergia (Faculdade de Tecnologia e Ciências - Salvador, BA)
www.ftc.br/ftc/bioenergia/apresentacao.php
BOX: Desenvolvimento local
Não há dúvidas em relação ao potencial da indústria do biodiesel no incremento do desenvolvimento local nos municípios onde as usinas se instalam. E representantes do próprio poder público das cidades beneficiadas fazem questão de exaltar as vantagens que o biodiesel traz para o seu município e região.
“A construção da indústria da Agrenco na nossa cidade só trouxe benefícios. As obras geraram um aumento muito grande na oferta de empregos na área de construção civil, tanto que profissionais da região tiveram que migrar para a cidade, para atender os serviços que não demos conta sozinhos.” conta Mateus Palmas de Farias, prefeito da cidade de Caarapó, no sudoeste do Mato Grosso do Sul”. Com isso os profissionais se valorizaram e agora recebem salários melhores. “Um pedreiro que trabalhava por R$ 700 por mês, hoje não faz serviços por menos de R$ 1.200”, confirma o prefeito.
A usina da Agrenco em Caarapó já começa a operar este mês (abril) e as obras duraram cerca de três anos. Neste período foram 15 empreiteiras com canteiros de obras que empregaram aproximadamente 15 mil pessoas (1000 contratados por empresa). O crescimento significativo da população flutuante no município aqueceu o mercado imobiliário e agora a cidade tem seus imóveis mais valorizados, sem contar o aumento no volume de vendas por parte de fornecedores locais de materiais de construção. Com a expectativa de que muitos trabalhadores permaneçam na cidade para trabalhar na usina, a previsão é que a economia local continue em plena expansão.
Compromisso social
Mas entre tantos benefícios, o prefeito da cidade sul matogrossense faz questão de ressaltar duas questões que considera vitais para a cidade com a chegada da Agrenco: o incentivo à agricultura familiar e o compromisso social da empresa com o município. “Desde a sua chegada na cidade, a Agrenco vem realizando um trabalho muito importante com os pequenos produtores locais, investindo no desenvolvimento das culturas de mamona, girassol e pinhão-manso. A empresa também patrocinou a reforma e ampliação de uma creche municipal que atende cerca de 200 crianças, o que é extremamente significativo para nós”, conta Mateus.
Em relação à arrecadação de impostos, o prefeito de Caarapó explica que o aumento no valor de tributos recolhidos ainda não foi sentido porque o próprio município ofereceu incentivos de isenção para que a usina se instalasse na cidade. Mas, com o iminente início da operação, a previsão é de aumento substancial na arrecadação.

