quarta-feira, novembro 17, 2010

ISO 26000 incluirá bem-estar animal!

Razão Social - Blog O Globo
12.11.2010 - 17h39m

ISO 26000 incluirá bem-estar animal

A Organização Internacional para a Padronização (ISO), maior desenvolvedora de normas internacionais do mundo, incluiu o bem-estar animal no recém-lançado certificado ISO 26000, que relaciona normas para responsabilidade social a serem seguidas por organizações públicas, privadas ou do terceiro setor. Embora a aquisição do selo seja voluntária, ela traz o reconhecimento de que uma corporação opera de forma socialmente responsável.

A inclusão está sendo vista como um marco histórico, porque reconhece o bem-estar animal no contexto da responsabilidade sociel. A WSPA se juntou a cerca de 400 especialistas de 99 países – inclusive o Brasil – que estavam desde 2005 envolvidos na discussão da ISO 26000. O texto do certificado institui "o respeito ao bem-estar dos animais quando suas vidas e existência são afetadas, incluindo o fornecimento de condições dignas para a manutenção, criação, produção, transporte e uso de animais", além de mencionar também o bem-estar psicológico dos animais em diversos capítulos.

quinta-feira, outubro 07, 2010

Expo de fotos ambientais e workshop gratuito na Oscar Freire, em São Paulo - dia 16/10


Meio ambiente e responsabilidade socioambiental pelas lentes de fotógrafos amadores e profissionais

O coletivo de fotógrafos amadores e profissionais de São Paulo – APSP realizará no dia 16 de outubro seu primeiro evento aberto ao público. No coração da rua Oscar Freire, em São Paulo, 29 fotógrafos irão expor material inspirado nos temas meio ambiente e responsabilidade socioambiental no 1º Varal Fotográfico APSP - Meio Ambiente e Responsabilidade Socioambiental pelas nossas lentes. O evento terá entrada gratuita.



Fotos: Adriana Libini e Kassa

“Nosso objetivo é fazer o público se inspirar, e pensar sobre a questão ambiental e tudo que a envolve”, diz a fotógrafa Sandra Pagano, organizadora do evento. “Queremos uma exposição fotográfica que crie conscientização sobre assuntos sociais e ambientais. Alertar, educar, criar responsabilidade perante a sociedade através da fotografia.”

O 1º Varal do APSP terá 140 fotografias de fauna e flora, além de ações do homem sobre o meio em que vive e exemplos de atitudes ambientalmente responsáveis e sustentáveis. A ideia do grupo, que se reúne na rede social Flickr, é realizar exposições itinerantes e temáticas em outras cidades, em parceria com fotógrafos locais.

Workshop: O Varal também oferecerá aos visitantes um workshop com Helio Hilarão, fotógrafo e professor da Escola FullFrame, sobre o uso dos recursos das câmeras digitais compactas nesse tipo de foto. Para participar é necessário se inscrever previamente postando um comentário no blog do coletivo - http://fotoapsp.wordpress.com/ - com nome completo e e-mail.

1o VARAL FOTOGRÁFICO APSP

Meio Ambiente e Responsabilidade Socioambiental pelas nossas lentes

Quando: 16/10/2010, sábado

Onde: Travessa das Estrelas, Pagú Design – Rua Oscar Freire, nº 129, Jardim Paulista – São Paulo

Horário: 10h às 18h

Workshop com Helio Hilarião às 14h

Evento gratuito. Todo o material exposto estará à venda.


Fotógrafos participantes:

Adriana Líbini (http://bit.ly/djVPtz)

Akira pS (http://bit.ly/alzpsN)

Alexandre Gabriely (http://bit.ly/cNQNfT )

Aline França (http://bit.ly/bFd4Lt)

Ana Caroline Lima (http://bit.ly/bNTNzx )

Angelo Sartori (http://bit.ly/aB3w2a)

Bruno Pini (http://bit.ly/baIdun)

Bruno Pires (http://bit.ly/9JdIJj)

Carol Oliveira (http://bit.ly/58WT1r)

Helio Hilarião (http://bit.ly/aJelgA)

J.Cheng (http://bit.ly/dl3twa )

Juan Carlos Arantes (http://bit.ly/drCX21 )

Julio Teixeira (http://bit.ly/5GHja)

Kassá (http://bit.ly/3iICVO)

Levi Bianco (http://bit.ly/bULusY )

Luiz Casimiro (http://bit.ly/bc837J)

Luiza Davoli (http://bit.ly/cYNLHq)

Maria Claudia Grangeiro (http://bit.ly/dpfHVL)

Marcos Pacheco (http://bit.ly/aFAdXq )

Melissa Rahal(http://bit.ly/cKsOMY)

Paulo Eduardo (http://bit.ly/aKcaDb )

Raphael Zanetti (http://bit.ly/cPXown )

Reinaldo Pereira Gomes (http://bit.ly/9KXTLW )

Renata Pancich (http://bit.ly/bawzUt )

Rodrigo Netto (http://bit.ly/aHeza0)

Roger DJ (http://bit.ly/dxqque)

Sandra Pagano (http://bit.ly/byx8Yk)

Thiago Albuquerque (http://bit.ly/abSVsH )

Wilson Otacilio (http://bit.ly/dCMp6f )


Informações para a imprensa:

Ambiente-se Comunicação Socioambiental

Jaqueline B. Ramos – ambientesecom@gmail.com

Tels.: (12) 3307 7004, (12) 8134 5465, (11) 7749 5320 Nextel: 100*14777

quarta-feira, outubro 06, 2010

A Ambiente-se Comunicação Socioambiental apóia

Foto: Adriana Libini

Meio ambiente é tema do I Varal Fotográfico

Marina Franco - 28/09/2010 - Planeta Sustentável


O coletivo de fotógrafos Amadores e Profissionais de São Paulo (APSP), formado por amantes da fotografia reunidos na rede social Flickr, realizará em 16 de outubro, em São Paulo, seu I Varal Fotográfico. O tema da exposição é meio ambiente e responsabilidade socioambiental.

A exposicao reunirá mais de 140 imagens de fauna e flora, além de ações do homem sobre o meio em que vive e exemplos de atitudes ambientalmente responsáveis. Todas as fotografias estarão à venda.

Um workshop com Helio Hilarião, fotógrafo e professor da Escola FullFrame, sobre o uso dos recursos das câmeras digitais compactas nesse tipo de foto, também integra o programa. Para se inscrever, é preciso postar um comentário no blog do coletivo Fotossp, com nome completo e e-mail.

I Varal Fotográfico APSP Data e horário: 16/10, 10h às 18h Workshop com Helio Hilarião às 14h Local: Pagú Design. Rua Oscar Freire, 129 – São Paulo Entrada Franca

http://planetasustentavel.abril.com.br/noticias/meio-ambiente-tema-i-varal-fotografico-600139.shtml

quarta-feira, agosto 18, 2010

RODEIOS

Em alguns Estados ele já é probido por lei. Conheça um pouco sobre os bastidores dessa infeliz e cruel atividade que ganhou aparência de entretenimento

Por Jaqueline B. Ramos*


Se você visse uma pessoa aflita, sofrendo deliberadamente por 8 segundos, você consideraria isso um abuso, um exemplo de maus-tratos? A resposta é quase óbvia. Pois o argumento ensaiado “eles se apresentam na arena apenas por 8 segundos” é o principal usado pelos participantes e defensores dos eventos conhecidos como rodeios, nos quais touros e cavalos – e, em alguns casos, até bezerros e novilhos - são montados e/ou laçados e submetidos a uma espécie de desafio para que um peão se exiba para o público demonstrando seu “domínio sobre o animal”.


A origem dos rodeios data do final do século XIX nos Estados Unidos, quando cowboys começaram a competir entre si para ver quem tinha mais habilidade e coragem para dominar os “animais ferozes do Velho Oeste”. Com o tempo a atividade ganhou a roupagem de entretenimento sob o argumento de que consistia em uma manifestação cultural. Cultura e países a parte, o fato é que é uma prática marcada pela subjugação dos animais e movida atualmente por grandes grupos econômicos que visam o lucro do “show” da montaria na arena, geralmente atrelado a grandes espetáculos musicais e venda de comida e bebida.


“É impossível pensar que as provas dos rodeios são realizadas sem causar nenhum incômodo ou impacto negativo para os animais. A situação de maus-tratos é inerente a qualquer tipo de rodeio, seja os com grande produção ou os com menos estrutura. No Brasil, dependendo da região, pode mudar um pouco a roupagem, mas o comprometimento do bem-estar e integridade dos animais se dá da mesma forma”, explica a médica veterinária Vânia Plaza Nunes, que acompanha a problemática dos rodeios há vários anos.


Vânia foi diretora do Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, que no ano de 2006 conduziu um estudo técnico a pedido da Promotoria de Justiça de Barretos (SP) no famoso rodeio da cidade. Como já era de se esperar, o estudo apontou com dados e fatos todas as questões que comprometiam a integridade física e mental dos animais de uma forma bem abrangente, analisando desde a fase de treinamento e condições de alojamento até os riscos da atividade para as pessoas envolvidas.


“Entre os inúmeros problemas que detectamos pode-se destacar as condições inadequadas dos alojamentos, o condicionamento para suportar barulho, conviver com outros animais, ficar acordado por várias horas e suportar mudanças térmicas e uma alimentação exageradamente rica em carboidrato. Tudo isso vai contra a natureza dos animais e causa, no mínimo, stress, sem contar outras várias questões, como lesões pelo uso de equipamentos e pelas brigas entre animais”, conta a médica veterinária, ressaltando os problemas vão muito além do momento do evento em si.


O trabalho em Barretos contou com a vitória de a Justiça proibir a prova de laço de bezerro no evento, que não acontece desde 2007. Hoje a meta é lutar para proibir a prova conhecida como bulldog (ver mais detalhes no boxe).


Crueldade além da arena: Retomando o argumento mais famoso dos cowboys brasileiros, mesmo que o sofrimento dos animais fosse por apenas 8 segundos, isso por si só isso já justificaria as condições de maus-tratos a que são submetidos nas provas de rodeios. E quando nos damos conta de que a crueldade ocorre por muito mais que 8 segundos, fica mais fácil ainda concluir porque os rodeios consistem numa prática, no mínimo, ultrapassada.


“A verdade é que não existe rodeio sem crueldade. Os maus-tratos não se limitam ao momento que o animal adentra a arena. Normalmente eles são alugados ou pertencem a companhias de rodeios, são transportados por horas em más condições e, ao chegarem ao destino, aguardam mais longas horas até o início do espetáculo. Muitas vezes são provocados, açoitados e expostos a volumes sonoros altíssimos”, alerta o deputado federal Ricardo Trípoli (PSDB-SP), que sempre trabalhou com causas ambientais e de defesa dos animais. “O suplício não cessa, se estende da criação, transporte e espera, ao corredor, ao brete e à arena. E o pior é que no outro dia tudo se repete.”


Trípoli é muito crítico à legislação vigente que regulamenta os rodeios e os instrumentos que podem ser utilizados nos animais (Lei Estadual 10359/99 – SP e Lei Federal 10519/02). Segundo o deputado, elas foram elaboradas pelo setor no intuito de garantir o negócio e tentar minimizar as severas críticas da sociedade. Como os maus-tratos vão muito além dos instrumentos utilizados e da “performance” na arena, é necessária a incidência de outras normas, principalmente a própria Constituição Federal, que no artigo 225 veda a submissão de animais a crueldades, e a Lei de Crimes Ambientais (9605/98), que também resguarda os animais de abusos e maus-tratos.


“Estamos numa luta grande no Congresso contra a bancada ruralista, que pretende retirar do rol de maus-tratos os animais domésticos e domesticados, para que não se tipifique crime maltratá-los”, conta o deputado, ressaltando o importante papel do Ministério Público e da sociedade em geral na fiscalização e denúncia de maus-tratos nesse tipo de atividade, para que as leis sejam não só cumpridas, mas, sobretudo, melhoradas.


Segundo Trípoli, para se colocar um fim aos rodeios no país, é preciso, antes de tudo, uma inversão de paradigma. Se não houver informação e conscientização da sociedade, não será possível vislumbrar a alteração deste cenário. “A questão não se limita aos interesses econômicos. É claro que o poderia proporciona atingir a mídia e à população, mas é preciso mudar a cultura, a postura e incutir em nossos valores o respeito à vida, prioritariamente. Rodeio é um lazer primitivo e ignorante e não deve ser confundido com a cultura de um povo”, conclui Trípoli.


Linguagem dos rodeios


Laçada de bezerro: um animal de apenas 40 dias é perseguido em velocidade sendo laçado e derrubado ao chão. Pode ocorrer ruptura na medula espinhal, ocasionando morte instantânea, e alguns ficam paralíticos ou sofrem rompimento parcial ou total da traquéia. Pode também ocorrer a ruptura de diversos órgãos internos, levando o animal a uma morte lenta e dolorosa.


Laço em dupla/Team roping: dois peões correm e um deve laçar a cabeça do animal e o outro, as pernas traseiras. Em seguida os peões esticam o boi entre si, resultando em ligamentos e tendões distendidos, além de músculos machucados.


Bulldog: dois peões ladeiam o animal, que é derrubado por um deles, segurando pelos chifres e torcendo seu pescoço.


Sedem ou sedenho: é um artefato de couro ou crina que é amarrado ao redor do corpo do animal (sobre pênis ou saco escrotal) e que é puxado com força no momento em que o animal sai à arena. Além do estímulo doloroso, pode provocar rupturas viscerais, fraturas ósseas, hemorragias subcutâneas, viscerais e internas e, dependendo do tipo de manobra e do tempo em que o animal fique exposto a tais fatores, pode levar ao óbito.


Objetos pontiagudos: pregos, pedras, alfinetes e arames em forma de anzol são colocados nos sedenhos ou sob a sela do animal.


Peiteira e sino: consiste em outra corda ou faixa de couro amarrada e retesada ao redor do corpo, logo atrás da axila. O sino pendurado na peiteira constitui-se em mais um fator estressante pelo barulho produzido.


Esporas: às vezes pontiagudas, são aplicadas pelo peão tanto na região do baixo-ventre do animal como em seu pescoço, provocando lesões e perfuração do globo ocular.


Choques elétricos e mecânicos: aplicados nas partes sensíveis do animal antes da entrada na arena.


Provas da crueldade


  • O médico veterinário norte-americano Dr. C.G. Haber, que passou 30 anos como inspetor federal de carne, viu vários animais descartados de rodeios sendo vendidos para abate. Ele descreveu os animais como "tão machucados que as únicas áreas em que a pele estava ligada à carne eram cabeça, pescoço, pernas e abdome. Eu vi animais com 6 a 8 costelas quebradas à partir da coluna, muitas vezes perfurando os pulmões. Eu vi de 2 a 3 galões de sangue livre acumulado sobre a pele solta. Estes ferimentos são resultado dos animais serem laçados nos torneios de laçar novilhos ou quando são montados através de pulos nas luta de bezerros."

  • Em um estudo conduzido pela organização norte-americana Humane Society, dois cavalos conhecidos pelos seus temperamentos gentis foram submetidos ao uso da cinta no flanco. Ambos pularam dando coices até a cinta sair. Então vários cavalos do circuito de rodeio foram liberados dos currais sem a cinta no flanco e não pularam nem deram coices, mostrando que o comportamento selvagem e frenético é induzido pelos cowboys e promotores dos rodeios.

  • No Brasil há um estudo bem conhecido coordenado pela Dra. Irvênia Prada, especialista em anatomia animal da USP. Ao observar as fotos dos animais em plena atividade no rodeio, a especialista declara: "os olhos dos animais mostram uma grande área arredondada, luminosa, conseqüente à dilatação de sua pupila. Na presença de luz, a pupila tende a diminuir de diâmetro (miose). Ao contrário, a dilatação da pupila (midríase) acontece na diminuição ou ausência de luz, na vigência de processo doloroso intenso e na vivência de fortes emoções e que acompanham situações de perigo iminente, caracterizando a chamada Síndrome de Emergência de Canon. No ambiente da arena de rodeio, o esperado seria que os animais estivessem em miose, pela presença de luz. Assim, a midríase que exibem é altamente indicativa de que estejam na vigência da síndrome, o que caracteriza o sofrimento mental."

Onde os rodeios já são proibidos no Brasil


O Estado do Rio de Janeiro já proíbe a realização de rodeios em seu território e diversos municípios nos estados da Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo, Minas Gerais e São Paulo também (entre eles Campinas, São José dos Campos, Sorocaba, Taubaté, Santo André, Santos, Ubatuba e São Bernardo do Campo). E a proibição da atividade está em tramitação nos estados do Ceará e Santa Catarina.


*Matéria publicada na edição de agosto de 2010 da Revista dos Vegetarianos


quinta-feira, maio 13, 2010

EDUCAÇÃO HUMANITÁRIA

Fonte: WSPA


Respeito a todas as formas de vida

por Jaqueline B. Ramos*

“A forma como tratamos os animais nos afeta como humanos - a qualidade de vida animal afeta a qualidade de vida humana”. Esta frase foi apresentada numa publicação da ONG inglesa Sociedade Mundial para Proteção Animal (WSPA) no ano 2000 e pode ser considerada como um dos preceitos de uma nova metodologia de educação transformadora chamada de Educação Humanitária (EH).

Em linhas gerais, a Educação Humanitária é aquela que faz professores, alunos e pais refletirem sobre a coexistência de todas as formas de vida no planeta. É um conceito que engloba todas as formas de educação para justiça social, cidadania, questões ambientais e o bem-estar dos animais. A educação humanitária reconhece a interdependência de todos os seres vivos e é baseada em valores de respeito a todas as formas de vida, apreciação da diversidade e tolerância das diferenças.

Assim como a Educação Ambiental, a EH se constitui em um instrumento fundamental para fazer frente aos problemas decorrentes do modelo de desenvolvimento econômico que impõe padrões de produção e consumo insustentáveis. Estes padrões acabam refletindo negativamente na relação humanos e não-humanos, a exemplo da violência por que passa a sociedade contemporânea, impressa tanto simbolicamente como na violência física propriamente dita.

Nesse contexto, a EH se propõe a oferecer instrumentos de construção e crítica da realidade nas comunidades escolares. A meta é que a metodologia desperte na comunidade o enfrentamento das contradições, dos desequilíbrios socioambientais, e conseqüentemente, a mudança na forma de tratamento dispensado aos animais - que, em grande medida, são considerados como meros objetos passíveis de subjugação para o atendimento de interesses diversos da atividade humana – e aos seus próprios semelhantes.

Bem-estar animal contra a violência: A percepção da senciência dos animais, de que os mesmos têm sentimentos e necessidades, e de que as ações promovidas pelos humanos geram impactos sobre o ambiente e demais formas de vida, configura a trilha para solucionar vários dos dilemas morais e abrir espaço para o respeito à diversidade e ao direito à vida de todos os seres vivos.

Diante disso vale ressaltar que umas das bases da EH é o “link da violência”, já divulgado largamente por vários estudos de psicologia. As pesquisas demonstram claramente uma correlação entre a crueldade contra animais na infância e a posterior prática da criminalidade. Em alguns casos há registros que tais atos foram inclusive precursores do abuso contra crianças.

Considera-se que valores como compaixão, respeito, tolerância, solidariedade e empatia em relação a outros seres são fundamentais para a formação de cidadãos gentis, atenciosos, cuidadosos e amorosos, contribuindo, assim, para quebrar o ciclo da violência e para dar lugar a uma sociedade mais justa e harmoniosa. Assim, pode-se afirmar que o abuso contra os animais não é um fato isolado. Ele está relacionado a um universo complexo de relações familiares perturbadas e usar esta ligação para uma educação transformadora é uma estratégia eficiente.

O livro “Abuse, Domestic Violence and Animal Abuse: Linking the Circles of Compassion for Prevention and Intervention (Abuso, Violência Doméstica e Abuso de Animais: fazendo o link dos ciclos de compaixão para prevenção e intervenção)”, de Frank R. Ascione e Phil Arkow, enfatiza que os programas de prevenção da violência são aprimorados quando se inclui práticas de proteção animal e se reconhece que os maustratos contra animais são uma questão de bemestar humano.

A experiência em Brasília: A EH tem uma experiência precursora no Distrito Federal, com o Programa “Escola é o Bicho – Educação Humanitária em Bem-Estar Animal”. Resultado de uma parceria da ONG WSPA com o projeto governamental “Escola de Natureza”, o programa é desenvolvido desde outubro de 2007 com o objetivo que docentes do DF incorporem a dimensão do bem-estar animal no contexto escolar – além de contribuir com o programa do Governo do Distrito Federal de redução da violência nas escolas.

O Programa “Escola é o Bicho” foi concebido a partir de dois eixos – a formação de educadores humanitários (curso de 90 horas certificado pela Escola de Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação – EAPE) e a criação dos Grupos de Bem-Estar Animal (GBEAs) nas escolas e comunidades dos participantes do curso. Tanto o conteúdo desenvolvido no curso quanto o conjunto de atividades propostas para os GBEAs buscam informar e sensibilizar as pessoas para a percepção e envolvimento em ações proativas que promovam o protagonismo infanto-juvenil e o exercício dos princípios e valores da educação humanitária.

Com o auxílio de recursos da educomunicação e da arte-educação, o “Escola é o Bicho” contribui para promover o diálogo entre os saberes e provocar a cidadania viva e crítica em relação à responsabilidade de cada um e de toda a comunidade escolar pela vida em todas as suas manifestações. Entre os destaques do programa está a organização de eventos educativos e culturais no Dia Mundial dos Animais (4 de outubro), o desenvolvimento da campanha “Circo legal não tem animal” e exposições diversas com a participação dos alunos e seus trabalhos versando sempre sobre o tema “Para mim os animais importam”.

Os GBEAS já criados também vêm se destacando dentro do programa. De acordo com a professora Rosemeyre Gontijo, do GBEA Lobo Guará (Escola CEF 02 do Guará), o “Escola é o Bicho” tem se mostrado como importante ferramenta para o enfrentamento de problemas
relativos ao comportamento dos alunos. “Estamos tendo êxito no processo de sensibilização, por meio dos temas relativos ao respeito aos animais. É um assunto que os alunos gostam, ficam motivados e assim percebemos a interação deles no processo. Desta forma, vemos surgir mais respeito para com os colegas, a família e a comunidade desde que começamos este trabalho. Mas é um trabalho que tem que ser construído dia-a-dia”.

Outro GBEA cujos resultados positivos com a criançada já são facilmente visíveis é o Esperança, formado por alunos do 2º e 5º anos do Ensino Fundamental da Escola Classe 206 Sul. No dia 17 de setembro, por exemplo, o GBEA organizou o “Dia de Soltar os Bichos” na escola, no qual os alunos fizeram diversas apresentações artísticas. Depois de ler um trecho da Declaração Universal dos Direitos dos Animais, o aluno Lucas Miguel disse “Ninguém vê a beleza essencial de um animal enjaulado e sim a sombra de sua beleza perdida”. Já a aluna Laura disse: “Pense bem! Se fizéssemos um minuto de silêncio veríamos o quanto os animais presos em jaulas sentem desespero e gritam por liberdade!”

Principais aprendizados da educação em bem-estar animal

 Saber que os animais têm necessidades, que humanos interagem com outros animais e que nós compartilhamos o mesmo ambiente com outros seres vivos.
 Entender como ações humanas podem afetar os animais e outros seres vivos e que, por causa disso, nós temos o dever de lhes prestar cuidados. Entender que freqüentemente nos deparamos com dilemas morais e que as pessoas têm opiniões diferentes.
 Adquirir habilidades para comunicação eficaz (para que possamos explicar melhor
nossas ideias e responsabilidades), demonstrando os níveis apropriados de cuidados e empatia.
 Desenvolver e mostrar atitudes de amabilidade, respeito, responsabilidade.

Valores da Educação Humanitária

 Desenvolve a sensibilidade para com todas as formas de vida, apreciação da diversidade e tolerância das diferenças.
 Estimula as crianças a terem mais compaixão e a aprenderem a viver com mais respeito por todos (o que se enquadra em qualquer política anti-intimidações e aborda o ciclo de violência inter-pessoal e abuso animal).
 Promove oportunidades para as crianças desenvolverem um sentimento de admiração, responsabilidade e dever de cuidar do mundo natural e seu meio ambiente. A educação humanitária torna claro que nós compartilhamos o mundo com outros animais que têm necessidades e sentimentos.
 Contribui para o desenvolvimento de atitudes e pensamento crítico das crianças
(o que aumenta sua auto-estima).

*Publicado no Informativo do Insituto Ecológico Aqualung n. 89 - janeiro/fevereiro 2010. Veja o informativo completo aqui.

CURTAS AMBIENTAIS

Por Jaqueline B. Ramos*

“Limpeza marinha” comprometida


Um recente estudo feito pela Universidade de
São Paulo (USP) concluiu que ambientes
marinhos que vivenciam um maior impacto de
atividades humanas e um maior nível de
contaminação fecal têm sua reciclagem natural
alterada. O motivo é a redução de diversidade
das bactérias chamadas de quitinolíticas,
microrganismos fundamentais para os
ecossistemas marinhos. Elas produzem uma
enzima conhecida como quitinase, que exerce
papel importante no processo de degradação
da quitina, principal constituinte do exoesqueleto
dos artrópodes e moluscos. A pesquisa foi
orientada pela professora Irma Rivera, que
coordena o projeto de pesquisa Diversidade de
microrganismos marinhos, com ênfase em
proteobactérias vibrios, colífagos, leveduras e
bactérias quitinolíticas na região costeira do
estado de SP. “O nível de contaminação fecal
presente em cada ambiente estudado
influenciou significativamente a diversidade e o
potencial enzimático das bactérias. A maior
diversidade – abrangendo 19 gêneros – foi
encontrada nas amostras do canal de São
Sebastião e de Ubatuba, que têm médio e baixo
nível de impacto antropogênico”, explica.


Lixo virando energia

Gerar energia a partir do aproveitamento do lixo
doméstico é uma idéia que está mais próxima de
virar realidade no Brasil. Pelo menos no segmento
de plástico. Inspiradas em tecnologias existentes
em outros países do mundo baseadas no poder
calorífico das sacolas plásticas e na discussão mais
ativa da Política Nacional de Resíduos Sólidos,
grandes empresas do setor já anunciam possíveis
resultados práticos já para 2010. “Estamos
analisando alternativas tecnológicas para a
solução energética (do uso do lixo e das sacolas
plásticas), que não pelo tradicional sistema de
queima”, revelou recentemente o diretor de
Desenvolvimento Sustentável da Braskem, Jorge
Soto. Já a Plastivida assinou em setembro um
acordo com a Associação Brasileira de Empresas
de Limpeza e Resíduos Especiais (Abrelpe) para
promover a reciclagem energética dos resíduos
sólidos no Brasil. Ao mesmo tempo, intensificou
as conversações com parlamentares para incluir
o tema na Política Nacional de Resíduos Sólidos.
O Brasil ainda analisa a viabilidade da construção
da primeira usina de reciclagem em larga escala,
mas países como Japão e Alemanha já têm parte
significativa do lixo destinado à geração
energética. Segundo levantamento da Plastivida,
há mais de 850 usinas de reciclagem energética
ao redor do mundo. Por aqui, a única unidade -
ainda em escala piloto - a apresentar números
significativos é a Usinaverde, um projeto
instalado no campus da Universidade Federal do
Rio de Janeiro (UFRJ).


Biocombustível no ar

A Agência internacional de Transportes Aéreos
(Iata) anunciou em outubro que prevê o uso de
6% a 7% de biocombustíveis na frota mundial
de aviões até o ano de 2020, com o objetivo do
setor atingir as metas de redução das emissões
de CO2. A Iata representa 230 companhias
aéreas e 93% do tráfego aéreo no mundo e prevê
uma melhora da utilização do combustível nos
aviões de 1,5% ao ano até 2020, além de uma
redução da metade das emissões até 2050, em
relação a 2005, e uma estabilização das emissões
a partir de 2020. Atualmente a Iata trabalha no
desenvolvimento de biocombustíveis de segunda
geração, elaborados com algas que podem ser
misturadas ao querosene comum. A idéia é obter
a certificação destes biocombustíveis em 2010.
Segundo a agência, o setor aéreo emite
aproximadamente 620 milhões de toneladas de
CO2 ao ano e conseguiu reduzi-las em 70
milhões de toneladas ano passado graças à
melhorias no controle do tráfego aéreo e no
encurtamento de alguns itinerários.


Drástica redução de desmatamento
na Amazônia


O governo brasileiro assumiu oficialmente o
compromisso de reduzir em 80% o
desmatamento da Amazônia até o ano de 2020,
evitando a emissão de 4,8 bilhões de toneladas
de CO2. A meta audaciosa foi anunciada em
outubro pelo próprio presidente Lula e foi
ratificada na COP-15, em Copenhague, em
dezembro. De acordo com estimativas
governamentais, cerca de 60% das emissões
brasileiras de gases-estufa são provenientes das
queimadas.O número divulgado por Lula
respalda a proposta do Ministério do Meio
Ambiente para a reunião da ONU, segundo a
qual o Brasil estabilizaria suas emissões de 2020
em valores de 1994 com a redução do
desmatamento também em outros biomas, a
ampliação do uso de biocombustível e um maior
investimento em hidrelétricas. O governo
brasileiro também ressalta a importância da
contrapartida dos países ricos, que devem assumir
compromissos não apenas para diminuir as
emissões, mas também de “pagar” pelo estrago
que já fizeram.

Consumo consciente em escolas

Projetos de consumo consciente de energia
elétrica e água desenvolvidos em escolas públicas
do estado de São Paulo já estão apresentando
resultados bastante significativos. Segundo
dados da Companhia de Saneamento Básico do
Estado de São Paulo – Sabesp, a redução do
consumo médio de água já chegou a 37%,
considerando o trabalho desenvolvido com o
Programa de Uso Racional da Água (Pura) em
quase 700 escolas públicas. A água economizada
pelas escolas é suficiente para abastecer cerca de
16 mil pessoas. E a partir de 2010, o Programa
de Eficiência Energética, da Secretaria da
Educação, em parceria com a AES Eletropaulo,
pretende gerar uma economia de até R$ 1,7
milhão. Para a redução de consumo de energia
elétrica estão sendo trocadas lâmpadas e reatores
por aparelhos mais modernos e econômicos. A
medida deve gerar uma economia de
aproximadamente 5.850 MWh/ano, o
equivalente ao abastecimento de 6.790
residências durante um ano.

Medição de poluição sonora marinha

Pesquisadores da Universidade do Algarve, de
Portugal, criaram uma espécie de gravador digital
para medir a poluição sonora submarina. O
objetivo é proteger baleias, golfinhos e peixes
medindo a poluição sonora no mar e evitando
problemas como ruptura de ligações sociais,
perda de sensibilidade auditiva temporária e
permanente e maior cansaço dos animais por
gastarem mais energia para se comunicarem e
localizarem alimentos. O protótipo do aparelho
começará a ser introduzido no mercado em 2010.
Os ruídos subaquáticos provocados por
explosões durante obras marítimas e barulhos
das explorações petrolíferas e a poluição sonora
provocada por cargueiros e petroleiros nos
portos marítimos e nas suas rotas perturbam os
animais marinhos e podem, nos casos mais
severos, causar a morte de forma indireta. Para
os golfinhos e baleias, por exemplo, que se
comunicam por meio do som com diversos fins,
é fundamental que nada quebre essa dimensão
comunicacional. O protótipo português está em
sintonia com resoluções da União Européia, que
aprovou uma diretiva em 2008 com objetivo cujo
objetivo é atingir metas de qualidade ambiental
do ruído debaixo de água até 2020.

Selo único para orgânicos

Depois de um ano de estudos e consulta pública
à sociedade, o Ministério da Agricultura instituiu
o selo único para produtos orgânicos no Brasil
em novembro. O selo só pode ser usado nos
orgânicos produzidos em unidades credenciadas
pelo ministério e visa padronizar os critérios de
certificação dos produtos advindos de sistemas
naturais e sem agrotóxicos, facilitando também
a escolha e segurança da origem do produto por
parte do consumidor. A partir de agora a exceção
da obrigatoriedade de certificação dos orgânicos
vale para os produtos da agricultura familiar, que
podem ser vendidos diretamente aos
consumidores, desde que os agricultores estejam
vinculados a uma organização de controle social
(OCS). De acordo com o Ministério da
Agricultura, o selo só será conferido após
rigorosos exames de controle de qualidade de
solo, da água e reciclagem de matéria orgânica.

* Publicado no Informativo do Instituto Ecológico Aqualung n. 89 - janeiro/fevereiro 2010. Veja o informativo completo aqui.


A força do cyberativismo ambiental


Por Jaqueline B. Ramos*

Cada vez mais, ativistas do mundo inteiro recorrem às diferentes ferramentas da internet para trocar informações, denunciar agressões ao meio ambiente e
organizar protestos.


Ativismo sempre foi uma palavra de ordem de muita força na defesa do meio ambiente. E, nos últimos anos, com o avanço exponencial da internet, o ativismo através da rede – ou cyberativismo – se desenvolveu em proporções inimagináveis, envolvendo
um crescente número de pessoas de uma forma cada vez mais intensa e comprometida. Bom para o meio ambiente, que tem ao seu lado mais um forte aliado.

Cyberativismo consiste num modelo de atuação que utiliza as novas tecnologias de informação e comunicação – ou, no jargão internético, TICs – como palco de suas ações e parâmetro estrutural de sua organização. “A importância da internet hoje para as nossas campanhas é indiscutível, tanto no sentido de informar as pessoas como no de sensibilizar e facilitar a participação. E isso acaba se transformando numa forte ferramenta de pressão política, pois fica evidente para o governo que o público vê o que está acontecendo, entende o quanto aquilo pode impactar suas
vidas e exige ações de mudança”, afirma Mariana Schwarv, publicitária da área de marketing online do Greenpeace Brasil. “A verdade é que a internet dá voz a todo mundo.”

O Greenpeace é um dos principais exemplos de organização que “usa e abusa” da internet tanto para seustrabalhos de informação e conscientização como de levantamento de recursos. E no Greenpeace Brasil não é diferente. A estratégia é usar os diferentes recursos oferecidos hoje pela rede para atingir um número cada vez maior de pessoas com uma linguagem clara e objetiva. Em termos práticos, isso significa que o Greenpeace está em todas as modernas redes sociais – Orkut, Facebook e Twitter, por exemplo – e utiliza recursos como vídeos, animações e flash
para tornar as mensagens digitais cada vez mais acessíveis.

Os números confirmam o sucesso do cyberativismo da ONG. O cadastro base de cyberativistas do Greenpeace Brasil é composto atualmente por nada mais nada menos que 260 mil nomes. E o Twitter da organização tem mais de 32 mil seguidores, sendo o maior e o que faz mais sucesso entre todos os escritórios do Greenpeace no mundo – incluindo o internacional, que tem “apenas” 14 mil seguidores.

“Usamos o Twitter há pouco mais de seis meses e felizmente tem sido um grande sucesso. Procuramos twittar notícias e também informações de serviço para os internautas, bem como ações ao vivo, o que desperta um grande interesse. Em termos de volume de pessoas envolvidas, também destacamos o Orkut, que reúne comunidades ligadas diretamente às nossas campanhas e também comunidades simpatizantes”, diz Mariana. Ela destaca a recente campanha online sobre a MP-458 (de regularização fundiária da Amazônia), na qual divulgaram os telefones do gabinete do presidente Lula e cujo resultado foi que os internautas lotaram a caixa postal presidencial com mensagens contrárias à aprovação da lei.

O jornalista e escritor Vilmar Berna, um dos precursores no movimento de divulgação de informações no movimento ambiental brasileiro, é um dos entusiastas da internet e do cyberativismo. Editor do Portal do Meio Ambiente e fundador da Rede Brasileira de Informação Ambiental(Rebia), ele lembra que a internet é um território livre, não controlado por político algum. “Todos sabem o poder que o povo tem e não há um político que não tema esse poder popular. Nesse contexto, a internet assume um papel muito importante”, garante.

Inclusão digital e atuação in loco

Em meio ao avanço exponencial do cyberativismo, com todos os modernos recursos
oferecidos pela rede, uma questão merece ser ressaltada: o acesso, propriamente dito, à internet. Apesar de ser um veículo democrático e livre, a web ainda é um privilégio que não alcança nem 20% da sociedade brasileira. E isso é um ponto que merece ser considerado.

“Acho que todos os recursos cumprem seu papel na rede virtual. São ferramentas de comunicação livres e interativas, de mão dupla, em que a gente é influenciado e também influencia. O desafio é promover a inclusão digital de mais e mais brasileiros e lutar pela democratização da informação socioambiental, pois, sem
acesso adequado à informação, dificilmente a sociedade conseguirá avançar a tempo rumo a um modelo diferente de desenvolvimento deste que está conduzindo a humanidade ao colapso", afirma Vilmar.

Outro desafio para o cyberativismo é a sua utilização de forma inteligente. Em outras palavras, é saber usar a internet e as TICs como plataformas e objetos de organização, para dar visibilidade à causa e recrutar novos ativistas, mas nunca substituir a atuação in loco. A opinião é do jornalista Pedro Penido, especialista em comunicação online e em produção para mídias digitais.

“Apesar de inicialmente o cyberativismo ser muito sedutor e apresentar possibilidades
muito interessantes, a médio e longo prazos há o risco dessas opções removerem do ativismo sua essência e torná-lo apenas um ensaio, enquadrado de acordo com as limitações midiáticas da web. Acredito que a internet e o ciberespaço possam ser utilizados de maneira inteligente como plataformas de lançamento de campanhas, como repositórios de informações qualificadas, dados e estatísticas, como opção de organização de grupos e troca rápida e segura de informações. Mas o cyberativismo nunca pode tomar o lugar da atuação in loco”, conclui Penido.

Os recursos Web 2.0 para o cyberativismo

Twitter
A característica principal do Twitter é a
de seu imediatismo, da velocidade das
informações e da possibilidade de “seguir”
(ouvir) apenas quem interessa a você. Da mesma
maneira, você só será “seguido” (ouvido) por pessoas
que se interessam pelo seu campo de atuação. É uma boa opção
por oferecer opções de aprofundamento das informações para
públicos já filtrados/segmentados. O Twitter pode ser utilizado
para compartilhar informações mais específicas e detalhadas.
Além disso, é um fator mobilizador, uma vez que permite alcance
e penetração de maneira rápida e precisa.

Redes Sociais (Ning)
O Ning é uma estrutura nova na internet. Seu principal objetivo
não é o de reunir pessoas apenas, mas o de reunir pessoas que
queiram reunir pessoas. O Ning permite que você crie sua própria
rede social, organizando-a de acordo com suas necessidades
e oferecendo múltiplas ferramentas e recursos para que sua
experiência seja interessante e atraente, de modo que pessoas
possam se inscrever na rede recém-criada e nela compartilharem
informações. Pode servir como repositório de dados, fotos, vídeos,
agenda e informações que podem ser difundidas no Twitter,
por exemplo.

Facebook e Orkut
Facebook e Orkut são redes de relacionamento gigantescas, com
milhões de usuários. A entrada de um movimento de ativismo
nessas redes pode funcionar como chamariz para a causa.
As palavras que regem a participação de um movimento ativista
nessas redes são visibilidade e recrutamento. No entanto, não se
pode esperar que tenham a mesma profundidade que outros recursos
destinados exclusivamente ao movimento ou à causa.

Blogs
Blogs servem às mais variadas causas, projetos e interesses. É
uma ferramenta para dizer as coisas na internet, de acordo com
uma rotina de publicação e política editorial mais livre de amarras
institucionais. Blogs são mais limitados em termos interacionais,
porém mais avançados em termos “jornalísticos” (mediadores
de informação). E isso, quando bem utilizado e pensado, pode
servir como salvaguarda de múltiplas necessidades ao longo de
um processo mobilizador.

Listas de discussão
Mesmo tendo perdido parte de sua força para a popularização
das redes sociais atuais, as listas de discussão sempre podem
servir como mantenedoras da organização informacional e
estrutural de um movimento. Nelas sabe-se da participação
de cada um. Nelas acontecem demonstrações de opinião que
permitem desdobramentos mais intensos e menos “imediatistas”.
Conservando todas as características do uso dos e-mails,
as listas de discussão podem ser uma viga mestra dentro de
um movimento, ou, no mínimo, a responsável por permitir uma
visualização da participação das pessoas.


Fonte: Pedro Penido (Meio Digital)

* Publicado na revista Senac Educação Ambiental - julho/dezembro 2009. Leia a edição completa aqui.

sexta-feira, fevereiro 26, 2010

Por Jaqueline B. Ramos*
O chimpanzé Jeber teve seus dentes arrancados no circo (crédito: projeto GAP)

Elefantes em um circo na Europa (crédito: CAPS)

Faze é um urso negro americano de pouco mais de 15 anos. Viveu toda sua vida em carretas de circos. Foi viciado em Coca-Cola, teve seus dentes cerrados e as garras de suas patas dianteiras arrancadas. Hoje parece mais um cachorro, pois perdeu todo o seu instinto selvagem. Gaya é uma leoa que foi resgatada quando tinha aproximadamente 13 anos. Estava muito desnutrida, a ponto de não parar em pé, e tinha uma grande quantidade de bicheira nas patas. Também tinha uma grave infecção bucal pelo fato de seus dentes caninos estarem serrados. Os chimpanzés Jeber e Tyson, de 18 anos, foram vendidos ainda filhotes para um circo, onde foram violentamente castrados (mutilados) e tiveram todos os seus dentes arrancados. Quando foram confiscados viviam acorrentados em jaulas minúsculas e em péssimo estado.

Faze, Gaya, Jeber e Tyson são alguns exemplos de animais que sofreram por anos a fio em circos e tiveram a sorte de serem resgatados. Hoje todos eles vivem em santuários no interior de São Paulo, recebem o tratamento digno que merecem e se recuperam, aos poucos, dos traumas físicos e psicológicos que lhe foram covardemente impostos. Mas um grande número de animais no Brasil e no mundo ainda está sob o domínio de empresários do mundo circense cuja idéia é ganhar dinheiro a qualquer custo – inclusive ao custo da exploração e maus-tratos dos animais.

Felizmente essa triste realidade está com os dias cada vez mais contados no Brasil. Ao lado de outros sete países que já proíbem animais em circos (ver boxe), o Brasil vê avançar a aprovação do Projeto de Lei 7291/2006, que dispõe sobre a proibição federal de uso de animais (selvagens e domésticos) em picadeiros. O PL estava tramitando na Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados desde 2006. Depois de muitas campanhas e pressão política, foi finalmente aprovado por unanimidade no dia 3 de junho desse ano, passando para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

No CCJ o PL teve como relator o deputado federal Ricardo Tripoli (PSDB/SP), conhecido político que milita na causa da proteção animal, e no dia 17 de novembro passou por mais uma aprovação. O próximo passo agora é que o PL vá ao Plenário da Câmara. “A aprovação do nosso relatório representa uma evolução na legislação brasileira, sobretudo para a defesa animal”, declarou o deputado após a aprovação da proposta de lei em novembro.

Atualmente não se tem previsão de quando exatamente o PL será aprovado definitivamente na Câmara para ir a votação no Senado e, finalmente, para sanção presidencial. Outra questão importante do PL é que é dado o prazo de oito anos para os circos “se desfazerem”, ficando proibido desde então o seu uso nos espetáculos. As dúvidas pairam em torno sobre o bem-estar destes animais “que não dão mais lucros” ao circo, se estes animais poderão ser usados nas “propagandas” dos circos e sobre a sua destinação no final dos oito anos, uma vez que se sabe que hoje não há santuários suficientes e centros de reabilitação com a estrutura mínima para recebê-los e mantê-los.

Controvérsias à parte – e que devem ser seriamente tratadas pelos órgãos governamentais responsáveis -, não há dúvidas de que o Projeto de Lei Federal é, antes de tudo, um marco para se pôr fim a uma prática tão cruel. “Já é tempo de o Brasil dar um basta à exploração dos animais nesse tipo de atividade recreativa. Forçar animais a desempenhar ações estranhas a seu comportamento natural constitui violência e abuso contra eles. A evolução espiritual do povo, somada ao refinamento da educação ambiental, deve repelir esse tipo de espetáculo”, diz o promotor público Laerte Levai, de São José dos Campos. “Os animais merecem ser respeitados pelo que são, o seu valor inerente, e não pelo que podem servir ao ser humano. Nesse sentido, precisamos superar o antropocentrismo com uma visão mais generosa da natureza, em que a ética e a solidariedade possam alcançar as demais espécies”, completa.

O avanço do PL pode ser encarado como um reflexo da pressão exercida pelas campanhas, pela conscientização do público sobre os óbvios maus-tratos sofridos pelos animais e também pelas próprias conquistas em termos de legislação em nível mais regional. Hoje seis estados brasileiros e mais de cinqüenta cidades já proíbem a apresentação de circos com animais em seus territórios, além de dois estados estarem com suas leis em tramitação (ver boxe).

E um dos melhores exemplos sobre o avanço do meio jurídico brasileiro em relação à proibição de circos com animais foi uma sentença dada pelo Juiz de Direito Gustavo Alexandre Berluzzo, de São José dos Campos, em fevereiro de 2007 contra o circo Le Cirque, que havia chegado na cidade para fazer espetáculos com animais. Um dos trechos da sentença afirma: “Nota-se ainda que os animais de circo, observadas as condições em que vivem (se é que vivem, pois estão longe do habitat e ficam aprisionados) sofrem de forma continua sérios abusos e limitações que devem ser obstados pelo Estado, que tem o dever de preservação do meio ambiente sadio e equilibrado, como claramente recomenda a Constituição Federal. No caso de animais de circo, a Legislação Estadual Bandeirante é categórica em proibir a apresentação e a utilização dos mesmos, independentemente da ocorrência ou não de maus-tratos, pois reconhece a Lei que esta conduta acarreta aos animais uma cruel e abusiva subjugação”.

Uma questão também de segurança: A cidade de Belo Horizonte foi a última a aprovar sua lei municipal de proibição de circos com animais, no início de dezembro. Minas Gerais é um dos estados brasileiros com forte tradição circense, onde a opinião pública ainda se arrisca a defender que os animais seriam muito bem tratados por “suas famílias” nos circos. O fato da capital do estado sair na frente e afirmar oficialmente, através de uma lei específica, que a prática retrógrada está proibida é, sem sombra de dúvidas, um divisor de águas.

Outro ponto importante da lei da capital mineira é que uma das fortes justificativas dadas pelos parlamentares para a sua aprovação foi a questão de segurança relacionada a viagens e exibições de animais selvagens para o público. O argumento foi baseado na história do menino José Miguel dos Santos Fonseca, de apenas seis anos, que foi morto por leões do Circo Vostok em Recife no ano 2000. Na época o caso comoveu a sociedade, principalmente depois que foi comprovada a causa da tragédia: os leões estavam famintos há dias.

“Não somos contra os circos como atividade cultural. Ele é uma das manifestações culturais mais antigas do homem e tem como objetivo entreter adultos e crianças através das habilidades dos artistas que dedicam suas vidas ao espetáculo. Mas a riqueza do talento artístico que faz uma criança sorrir nada tem a ver com o cenário de animais selvagens mantidos em cativeiro e sendo tratados como objetos de uma atração”, ressalta a advogada Selma Mandruca, presidente do Projeto GAP (Proteção dos Grandes Primatas) Brasil, uma das ONGs que participam ativamente das campanhas contra o uso de animais em circos. “É importante deixar claro que nosso objetivo é expor à sociedade o valor do trabalho dos artistas circenses, valorizando a atividade artística e demonstrando que o uso de animais no picadeiro é uma atividade arcaica e antiética”, conclui.

Por que dizer não a animais em circos

• Animais em circo sofrem uma vida inteira de maus-tratos. Estes não incluem apenas as formas desumanas de treinamento (em sua maioria com o uso de choques, chicotes ou bastões pontiagudos), mas também os espetáculos em si, onde os animais, por sofrerem agressões para um suposto aprendizado, se comportam como nunca se comportariam na natureza, apenas por um capricho do ser humano. Além disso, passam suas vidas em espaços muito pequenos e em constante transporte, circunstâncias que causam alto grau de estresse e traumas diversos (psicológicos e físicos) aos animais. E, para piorar a situação, muitas vezes não têm à disposição alimento de qualidade ou em quantidade suficiente.

• Animais em circo expõem as pessoas a muitos riscos. Não é possível prever como um animal estressado irá reagir em uma determinada situação. Além disso, muitas vezes permanecem em instalações inadequadas e frágeis, expondo os funcionários do circo e a população em geral. Vários acidentes já foram documentados inúmeras vezes pela mídia.

• Animais em circo podem transmitir doenças aos seres humanos, visto que não existe vacinação eficiente para os animais selvagens.

• Animais em circo estimulam o tráfico de animais selvagens ao redor do mundo, prática reconhecidamente cruel e criminosa.

Fonte: WSPA (Sociedade Mundial para Proteção Animal)

Onde já é proibido circos com animais

Países onde é proibido o uso de animais selvagens em circos:

• Áustria (primeiro país da União Européia a banir o uso de animais selvagens em circos).
• Costa Rica
• Croácia
• Israel
• Cingapura
• Bolívia (foi o primeiro país do mundo a banir também o uso de animais domésticos nos circos).
• Bulgária (tem até 2015 para se adaptar à regra).

Países onde é parcialmente proibido o uso de animais selvagens em circos:

• Bélgica: proibido usar animais selvagens capturados.
• República Tcheca: proibido o uso de primatas recém-nascidos, pinípedes (certos mamíferos marinhos), cetáceos (exceto delfinídeos), rinocerontes, hipopótamos e girafas.
• Estônia: proibido usar animais selvagens capturados.
• França: proibido, desde 2007, o uso de girafas, hipopótamos e rinocerontes.
• Índia: é ilegal exibir, treinar ou fazer apresentações com ursos, macacos, tigres, panteras ou leões.
• Polônia: proibido usar animais selvagens capturados.
• Espanha: o uso de grandes primatas nos circos será proibido quando o governo concluir o apoio ao Great Ape Project. A Câmara de Vereadores de Barcelona proibiu apresentações de animais selvagens ou exóticos em locais de sua propriedade.
• Taiwan: a Wildlife Conservation Law - Lei de Preservação da Vida Selvagem - sofreu emenda em 2007 para proibir os circos de importar e exportar animais protegidos, como leões, tigres, elefantes e macacos.
• Finlândia, Suécia e Dinamarca: proibiram a manutenção de animais selvagens em gaiolas nos circos. Entretanto, eles permitem o uso de elefantes e outras espécies exóticas fora de gaiolas.

No Brasil

Estados: Paraíba, Pernambuco, Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul
Em tramitação: Ceará, Santa Catarina
Mais de 50 cidades em todo o país, entre as quais Juiz de Fora (MG), Curitiba (PR), Porto Alegre (RS) e Florianópolis (SC).

Para saber mais:

• AILA – Aliança Internacional do Animal - http://www.aila.org.br/circo1.htm
• Campanha da ANIDA – Associação Nacional pela Implementação dos Direitos dos Animais - http://www.animaisdecirco.org/
• Jornal Tribuna Animal - http://www.tribunaanimal.com/animais_circo.htm
• CAPS – ONG de Proteção a Animais em Cativeiro (em inglês) - http://www.captiveanimals.org/


*Publicada na Revista dos Vegetarianos / fevereiro 2010




segunda-feira, novembro 30, 2009

Artigo sobre Direitos dos Grandes Primatas na Revista Galileu

Charge: Revista Galileu


Homem Primata (pág. 96, Revista Galileu - dezembro 2009)

http://revistagalileu.globo.com/Revista/Galileu/0,,EDG87243-7962,00-HOMEM+PRIMATA.html

por Jaqueline B. Ramos (jornalista ambiental e Gerente de Comunicação do Great Ape Project - GAP - www.projetogap.org.br)

Biologicamente falando, os seres humanos não são nada além de grandes primatas. Guardamos com as outras quatro espécies deste grupo inúmeras semelhanças, inclusive genéticas e comportamentais. Mas não há duvida de que em termos racionais somos mais desenvolvidos. Agora, em pleno século XXI, temos que começar a arcar com as responsabilidades que essa racionalidade nos traz. E apoiar a Declaração Mundial dos Direitos dos Grandes Primatas é justamente entender essa posição especial que o ser humano ocupa no meio natural, ao lado de outros seres vivos.

Direito à vida, à liberdade e à não-tortura. Entendemos que chimpanzés, bonobos, gorilas e orangotangos são tão merecedores da concessão desses direitos quanto os seres humanos. Não que os outros animais não mereçam respeito e que todos os abusos praticados contra eles não devam ser condenados. Mas no caso dos grandes primatas isso fica mais evidente devido à sua proximidade conosco. Não podemos abrir mão de cuidar dos nossos primos evolutivos e ter isso como uma bandeira de uma grande causa.

A declaração é bem clara em seus princípios. Defendemos que a vida de todos os grandes primatas deve ser protegida e que seus membros não podem ser mortos, exceto em circunstâncias estritamente definidas, como, por exemplo, legítima defesa. Que os grandes primatas não podem ser privados arbitrariamente da sua liberdade, tendo o direito de viver livres em seu habitat e que, em cativeiro, têm o direito de viver com dignidade e serem protegidos da exploração comercial. E que a imposição deliberada de dor intensa, física ou psíquica, sem motivo ou por um suposto benefício de outros, é considerada uma tortura e é uma ofensa da qual devem ser protegidos.

Aqui no Projeto GAP defendemos essa proposta desde seu surgimento na década de 90. Os quatro santuários afiliados ao projeto no Brasil abrigam mais de 70 chimpanzés, que em sua maioria foram resgatados de situações de maus-tratos e condições inadequadas de vida em circos, espetáculos e zoológicos. O dia-a-dia nos santuários reforça a percepção que temos do grau de humanidade dos chimpanzés e demonstra o quanto a privação dos direitos propostos na declaração pode gerar sofrimento e seqüelas, algumas vezes irreversíveis, em nossos parentes mais próximos no mundo animal. E se isso pode ser evitado, por que não fazê-lo? Afinal de contas, como os parentes mais "espertos", isto é o mínimo que devemos fazer.

quarta-feira, outubro 14, 2009

Parceria


O Ambiente-se fez uma parceria com o projeto Rio Vivo, da TV Band Vale, para publicação das matérias no blog do projeto. Veja aqui.

terça-feira, setembro 29, 2009

RECICLAGEM: TECNOLOGIAS E MATERIAIS

Por Jaqueline B. Ramos *

Para ter uma conduta sustentável no dia-a-dia, todo mundo deve ter em mente o conceito dos 5Rs: Repensar os hábitos de consumo e descarte, Recusar e não consumir produtos que prejudicam o meio ambiente e a saúde, Reduzir o consumo desnecessário, Reutilizar e recuperar ao máximo antes de descartar e, finalmente, promover a Reciclagem dos materiais descartados.

Em linhas gerais, a Reciclagem promove benefícios não só ambientais, mas também sociais e econômicos. Além de diminuir a pressão sobre os recursos naturais, processos de reciclagem geram trabalho e renda para um grande número de pessoas. A reciclagem converte, através de processos industriais e, em alguns casos, até artesanais, a matéria-prima do lixo descartado em produto semelhante ao inicial ou em outro produto.

O primeiro passo para entender a reciclagem é mudar o conceito que se tem de lixo como uma coisa suja e inútil. A verdade é que, por conta de diferentes tecnologias e materiais, é possível trazer de volta ao ciclo produtivo o que tinha sido jogado fora. Daí a origem do nome Re – repetir - e cycle (ciclo, em inglês).

Mesmo sem um marco regulatório para a reciclagem, o Brasil consegue movimentar cerca de R$ 8 bilhões anuais com o setor, gerando renda a 800 mil catadores, mantendo 550 cooperativas e empregando formalmente 50 mil pessoas em indústrias destinadas ao reaproveitamento do lixo seco. Hoje a reciclagem atinge 12% do lixo urbano no país, com potencial para atingir muito mais se os processos passarem a ter mais incentivo do Poder Público.

Veja a seguir um panorama das tecnologias e métodos de reciclagem de diferentes materiais já colocados em prática:

Aço

A reciclagem do aço é tão antiga quanto a própria história da utilização do metal pela humanidade. A lata jogada no lixo pode voltar infinitas vezes em forma de tesoura, maçaneta, arame, automóvel ou uma nova lata. O aço se funde à temperatura de 1.300 graus centígrados e assume um novo formato sem perder suas características de dureza, resistência e versatilidade. Ou seja, ele é infinitamente reciclado.

A ferrugem (oxidação) que vai consumindo o aço colocado em contato com a natureza faz com ele seja o único material de embalagem degradável num prazo médio de 3 anos. Reutilizar a lata de aço é outra forma de economizar energia, matéria-prima e tratamento do lixo.

Alumínio

O alumínio é um dos materiais que tem maior reciclabilidade, ou seja, pode ser produzido inúmeras vezes sem perder suas qualidades no processo de reaproveitamento. O exemplo clássico é a lata de alumínio para bebidas, que após processo industrial se transforma novamente em lata e pode voltar ao ciclo de produção de forma infinita.

A reciclagem de alumínio é feita tanto a partir de sobras do próprio processo de produção como de sucata gerada por produtos com vida útil esgotada. Na verdade a reciclagem tornou-se uma característica intrínseca da produção de alumínio, pois as empresas sempre tiveram a preocupação de reaproveitar retalhos de chapas, perfis e laminados gerados durante o processo de fabricação.

A cada quilo de alumínio reciclado, cinco quilos de bauxita (minério de onde se produz o alumínio) são poupados. Para se reciclar uma tonelada de alumínio gasta-se somente 5% da energia que seria necessária para se produzir a mesma quantidade de alumínio primário.

Embalagens PET

Quando reciclada, a embalagem PET (polietileno tereftalato) tem inúmeras vantagens sobre outras embalagens do ponto vista da energia consumida, consumo de água, impacto ambiental e benefícios sociais. O polímero de PET é um poliéster, um dos plásticos mais reciclados em todo o mundo devido a sua extensa gama de aplicações: fibras têxteis, tapetes, carpetes, não-tecidos, embalagens, filmes, fitas, cordas, compostos, entre outros.

A reciclagem de PET pode ser dividida em quatro etapas: coleta, seleção, revalorização e transformação. As etapas de coleta e seleção representam o grande desafio da reciclagem do PET pós-consumo. Milhões de dólares são gastos em logística, distribuição e marketing para que os consumidores comprem produtos embalados em PET.

A etapa de transformação utiliza o material revalorizado e o transforma em outro produto vendável, o produto reciclado. A etapa de revalorização realiza a descontaminação e adequação do material coletado e selecionado para que possa ser utilizado como matéria prima na indústria de transformação. A embalagem PET é 100% reciclável.

Embalagens Tetrapak

Uma das novidades da reciclagem da embalagem longa-vida / tetra pak é o processo Plasma. Por esse método, papel, alumínio e plástico da embalagem são reaproveitados. Antes, somente o papelão era reciclado. O processo foi desenvolvido no Brasil pelas empresas Tetra Pak, Klabin e TSL Ambiental.O sistema já despertou interesse de outros países e usa energia elétrica para produzir um jato de plasma e aquecer a 15 mil graus Celsius a mistura de plástico e alumínio. Assim, o plástico é transformado em parafina e o alumínio é recuperado. Um dos projetos que mais faz sucesso utilizando esta tecnologia é a transformação do plástico e alumínio das embalagens em placas e telhas recicladas para construção civil.

Entulho

O maior problema para a reciclagem de entulho é o desperdício e a disposição inadequada em terrenos baldios e margens de rios. Os custos destes problemas são distribuídos por toda a sociedade, não só pelo aumento do custo final das construções como também pelos custos de remoção e tratamento do entulho.

Os resíduos de construção e demolição consistem em concreto, estuque, telhas, metais, madeira, gesso, aglomerados, pedras, carpetes etc. Muitos desses materiais e a maior parte do asfalto e do concreto utilizado em obras podem ser reciclados. É possível produzir agregados - areia, brita e bica corrida para uso em pavimentação, contenção de encostas, canalização de córregos, e uso em argamassas e concreto. Da mesma maneira, pode-se fabricar componentes de construção - blocos, briquetes, tubos para drenagem, placas.

A reciclagem de entulho pode ser realizada com instalações e equipamentos de baixo custo, apesar de existirem opções mais sofisticadas tecnologicamente. Havendo condições, pode ser realizado na própria obra que gera o resíduo, eliminando os custos de transporte.

Papel

A reciclagem do papel é tão importante quanto sua fabricação, pois a matéria-prima do produto já está escassa devido a todos os problemas de desmatamento de florestas. Na fabricação de uma tonelada de papel a partir de papel usado, o consumo de água é muitas vezes menor e o consumo de energia cai pela metade. Economizam-se 2,5 barris de petróleo, 98 mil litros de água e 2.500 kw/h de energia elétrica com uma tonelada de papel reciclado.

O papel reciclado pode ser aplicado em caixas de papelão, sacolas, embalagens para ovos, bandejas para frutas, papel higiênico, cadernos e livros, material de escritório, envelopes, papel para impressão, entre outros usos.

Pneus

O surgimento dos pneus de borracha fez com que fossem substituídas as rodas de madeira e ferro, usadas em carroças e carruagens desde os primórdios da História. Porém, a utilização dos pneus de borracha trouxe consigo a problemática do impacto ambiental, uma vez que a maior parte dos pneus descartados fica abandonado em locais inadequados e causa grandes transtornos para a saúde e a qualidade de vidas humanas.

Uma forma encontrada para amenizar esse impacto foi a utilização das metodologias de reciclagem e reaproveitamento, como a recauchutagem, que tem sido um mecanismo bastante utilizado para conter o descarte de pneus usados. Esta técnica permite que o recauchutador adicione novas camadas de borracha nos pneus velhos, aumentando a vida útil do pneu em 100% e proporcionando uma economia de cerca de 80% de energia e matéria-prima em relação à produção de pneus novos.

O processo de recuperação e regeneração dos pneus exige a separação da borracha vulcanizada de outros componentes (como metais e tecidos, por exemplo). Os pneus são cortados em lascas e purificados por um sistema de peneiras. As lascas são moídas e depois submetidas à digestão em vapor d'água e produtos químicos, como álcalis e óleos minerais, para desvulcanizá-las.

Vidro

O vidro é uma mistura de areia, barrilha, calcário, feldspato e aditivos que, derretidos a cerca de 1.550°C, formam uma massa semi-líquida que dá origem a embalagens ou a vidros planos. O principal componente do vidro é a sílica. É possível fazer vidro só com a fusão da sílica. Boa parte dessas matérias primas é importada ou provém de jazidas em franco esgotamento.

Na reciclagem do vidro, o caco funciona como matéria-prima já balanceada, podendo substituir o feldspato que tem função fundente, pois o caco precisa de menos temperatura para fundir. Os cacos devem ser separados por cor (transparente, marrom e verde). O vidro comum funde a uma temperatura entre 1000oC e 1200oC, enquanto que a temperatura de fusão da fabricação do vidro, a partir dos minérios, ocorre entre 1500 oC e 1600 oC.

A fabricação do vidro a partir dos cacos economiza energia gasta na extração, beneficiamento e transporte dos minérios não utilizados. A economia de energia é a principal vantagem do processo.

Fontes: Ambiente Brasil, Cempre, Tetrapak

DADOS E CURIOSIDADES SOBRE RECICLAGEM

Fonte: Ambiente Brasil

*Publicado na edição n. 86 (julho/agosto 2009) do Informativo do Instituto Ecológico Aqualung